Entre ladeiras históricas e atrás de uma fachada discreta, repousa um dos raros teatros coloniais do Brasil que nunca abandonou a cena: o Teatro Municipal de Sabará. Inaugurado em 2 de junho de 1819, em solenidade às festas comemorativas pelo nascimento da “Princesa da Beira”, Dona Maria da Glória, de Portugal, é considerado o segundo mais antigo em funcionamento do país. Com um palco de mais de dois séculos, o local ainda levanta suas cortinas como se desafiasse o tempo e se tornou um ponto turístico importante para quem passa pela cidade.
Embora a abertura oficial date de 1819, a tradição teatral começou muito antes. “O objetivo era retirar da praça pública as óperas que aconteciam ao ar livre. Sendo assim, em 1770, um sabarense rico doou sua casa que funcionaria como a Casa de Ópera”, explica Maria Bernadete Granja, que trabalha no teatro e conduziu nossa visita. O local funcionou por um tempo, contudo, a estrutura não atendeu às necessidades da época e acabou sendo demolida para que um novo prédio fosse construído. “Se não fosse isso, ele seria considerado o teatro mais antigo do Brasil e não o de Ouro Preto, datado de 1771”.
Classificado como uma das “Sete Maravilhas da Estrada Real”, o teatro tem a forma de ferradura e três andares de camarotes e galerias, com piso ascendente, garantindo uma ótima visibilidade do vasto palco elevado. Em suas linhas arquitetônicas, é possível notar a influência dos teatros ingleses da época de Elizabeth I e, por isso, também é conhecido popularmente como Teatro Elizabetano.

Além disso, o teatro de Sabará possui uma das melhores acústicas da América Latina, que, inclusive, conforme relatos da época, fez com que o imperador Dom Pedro I escutasse críticas de opositores políticos. “Ao ser ovacionado, alguém gritou ‘Viva Dom Pedro I’, e uma das pessoas que estava no camarote, que era um dos proprietários do teatro comentou: ‘Viva enquanto ele respeitar a Constituição’. Ele ouviu o comentário e prontamente aprontou sua viagem de retorno à sede, em Petrópolis”, narra.
Segundo Bernadete, um tempo depois, as óperas começaram a ser censuradas e voltaram à praça pública, deixando o teatro obsoleto. “Foi então que eles transformaram o teatro em um cinema e isso foi o ‘boom’, porque, na época, a cidade ainda não tinha energia elétrica. Eles trouxeram um gerador e fizeram do espaço um entretenimento, onde exibiam filmes todas as noites”.
Com o grande número de público e uma manutenção mínima, o espaço do teatro ficou bastante degradado com o passar dos anos. O local chegou a ficar em “situação crítica” devido a um temporal que o devastou. “Depois disso, passou a ser usado como bar e a parte dos fundos ficou completamente abandona”. Foi só em 1969, após o governo do Estado tomar posse do teatro, que o espaço passou por uma grande restauração.
Localizado na rua Dom Pedro II, s/n, no Centro, o teatro fica aberto para visitação de segunda a segunda, de 9h às 16h. Atualmente, ele está sob administração da Prefeitura de Sabará e recebe uma programação de shows e apresentações. O espaço foi adaptado com rampas e elevador para garantir a acessibilidade de todos os públicos.










