Home Notícias BH Promessa de expansão da ciclovia de BH, com 52 km a mais, é renovada; fonte de recursos está indefinida

Promessa de expansão da ciclovia de BH, com 52 km a mais, é renovada; fonte de recursos está indefinida

Está refeita a promessa de Belo Horizonte ganhar mais 52 quilômetros de ciclovias, em diversas regionais, entre elas Barreiro, Oeste, Venda Nova e Nordeste. As propostas das empresas interessadas já foram entregues à BHTrans – empresa que gerencia os projetos de mobilidade da capital. As novas rotas vão se somar aos 88,93 quilômetros existentes, totalizando cerca de 140 quilômetros de ciclovias na capital.

Alguns editais já estão em andamento, mas de onde virão os recursos para implementar o projeto ainda é um mistério. Isso porque, mesmo debatendo mensalmente com a sociedade civil organizada, por meio do Grupo de Trabalho (GT) Pedala BH, a BHTrans atesta que “são priorizadas ações que não envolvem aplicação de recursos financeiros para sua implementação”.

Procurada pelo BHAZ, a empresa afirmou “que já há um financiamento aprovado para a revisão de projetos cicloviários. Além disso, o município de Belo Horizonte está pleiteando recursos externos para implantação de novos projetos viários, dentre os quais estão previstos novas ciclovias”, diz a BHTrans.

A empresa que gerencia o trânsito e o transporte na capital recebeu em 12 de março os envelopes das empresas interessadas em detalhar os projetos das novas ciclovias. O edital 01/2019 – de Revisão e Elaboração de Projeto Executivo de Infraestrutura Cicloviária Integrada à Rede Estruturante de Transporte Público do Município de Belo Horizonte – é por tomada de preços e vai escolher a oferta de menor preço global. O valor estimado é de R$ 1 milhão.

De acordo com o gerente de Planejamento da Mobilidade da BHTrans, Marco Antônio Silveira, as rotas já foram mapeadas e a vencedora da licitação verificará se os traçados são viáveis. “Todo projeto de transporte e trânsito estuda a melhor maneira de executar as ideias, considerando garagens, interseções com ruas e avenidas e, principalmente, a conexão com os locais de interesse da população”.

Segundo ele, há vários trechos mapeados dentro do planejamento cicloviário de Beagá, no universo da rede macro da cidade, elaborada há alguns anos. Como a cidade cresceu, é necessário rever os traçados e se são viáveis na atualidade.

Resta saber se desta vez o projeto vai decolar, visto que perto de completar dois anos de o prefeito Alexandre Kalil (PHS) receber e aprovar o projeto PlanBici, elaborado pela associação BH em Ciclo, em julho de 2017, foram construídos em sua gestão apenas 10 metros de ciclovias na cidade. O acordo inicial era a construção de ao menos 37 quilômetros cicloviários na cidade.

Amanda Dias/BHAZ

PlanBici debate mobilidade sem aplicação de recursos

De acordo com a BHTrans, o Plano de Ações de Mobilidade por Bicicletas de Belo Horizonte (PlanBici) foi definido a partir das diretrizes do Plano de Mobilidade de Belo Horizonte – PlanMob- BH -, construído em um processo participativo e que tem se consolidado como principal instrumento da gestão da mobilidade urbana em Belo Horizonte.

Mensalmente, o GT Pedala BH, do qual fazem parte sociedade civil e representantes de órgãos da Prefeitura de Belo Horizonte, se reúne para discutir as ações focadas em ações cicloviárias na capital. Mas segundo a BHTrans, “nas reuniões são priorizadas as ações que não envolvem aplicação de recursos financeiros para sua implementação”.

Procurada pelo BHAZ, a BH em Ciclo – Associação de Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte -, organização criada para debater políticas públicas de mobilidade sob a ótica do ciclismo, alega que o poder público de BH não apresentou, até hoje, o cronograma e as prioridades do PlanBici, projeto que foi apresentado pela associação à BHTrans.

“O plano foi desenhado por nós com eixos para comunicação, educação, estrutura cicloviária e o fortalecimento das integrações para os usuários de bicicleta com o sistema de ônibus. Apresentamos mais de 120 ações detalhadas para melhorar as ciclovias existentes na capital, em 2017, quando o prefeito, Alexandre Kalil (PHS), aprovou o plano, que foi aperfeiçoado pela BHTrans”, explica um dos integrantes da BH em Ciclo, Marcos Gomes.

O PlanBici, apresentado pela BH em Ciclo, foi estruturado em seis eixos:

  • Infraestrutura e circulação;
  • Integração modal e bicicletas compartilhadas;
  • Comunicação, educação e mobilização;
  • Governança, transparência e produção de dados;
  • Legislação;
  • Financiamento.

“O eixo Infraestrutura e circulação apresenta algumas prioridades, separadas em anos. Para 2017, o que se tinha como primordial era a manutenção na rede existente e a implantação dos projetos que já estavam prontos, além da contratação de novos projetos. Nada disso avançou”, diz Gomes.

Segundo Marcos Gomes, apesar de todo o esforço da associação, o grupo deixou de participar das reuniões do GT Pedala BH no ano passado, pela falta de ações concretas do PlanBici por parte da administração pública.

“Para um projeto de ciclovia funcionar em qualquer cidade, seja de expansão ou revisão, é fundamental que tenha a participação e construção coletiva com os ciclistas e dos usuários. No caso desse edital que foi lançado de expansão, estamos nos sentindo deslocados no processo. Depois que apresentamos o PlanBici e não tivemos retorno, acabamos deixando de participar das reuniões mensais do GT Pedala”, pontua.

Para que o cidadão acompanhe a evolução do PlanBici, a BH em Ciclo criou um aplicativo, onde a pessoa consegue visualizar de forma didática, o plano, os eixos e sua execução. Acompanhe aqui.

Reprodução /PlanBici.Org

Integração com sistema de transporte público

Um dos objetivos principais do PlanBici é integrar as novas rotas de ciclovias com outras formas de transporte da cidade. “A gente visita Barcelona, Paris, Nova York e vemos que não é só o metrô que é bom. Nessas cidades há uma conjunção de sistemas de transporte que se integram. Não adianta colocar ciclovia ligando nada a lugar nenhum ou apenas aumentar a quilometragem das áreas para bicicletas. O maior desafio é interligá-las aos terminais de ônibus, ao Move e ao metrô”, acrescenta Marco Antônio Silveira.

De acordo com o especialista, todo o esforço da BHTrans é investir e buscar alternativas de deslocamento que não sejam apenas o transporte motorizado. “Essa é nossa prioridade, buscar uma mobilidade ativa entre bicicleta, pedestre e sistema coletivo de transporte de Belo Horizonte, como despertar nas pessoas o interesse em trocar o carro ou a moto para ir ao trabalho e que hoje usa a bicicleta para andar cinco quarteirões, estaciona no bicicletário e termina o trajeto de Move”, exemplifica.

Vias existentes precárias e sem manutenção

De acordo com Marcos Gomes, do BH em Ciclo, no projeto apresentado pela associação à BHTrans, o PlanBici tinha como objetivo geral fazer com que 2% do total de viagens em Belo Horizonte fossem feitas por bicicletas, até 2020 (hoje são 0,4%). “A avaliação de grande parte dos ciclistas da capital é de que a estrutura segue precária. Muitos trechos ligam nada a lugar nenhum. Há ciclovias importantes na cidade que precisam de novas ligações, como a da Via 240, e a que conecta a avenida dos Andradas, com a Via 710, Centro e Savassi; e uma que prevê a ligação do Horto com o Minas Shopping”, diz.

Marcos Gomes acrescenta ainda que pela cidade, principalmente, Venda Nova e regiões Leste e Centro-Sul, há vários trechos das ciclovias existentes sem pintura, sem sinalização delimitando onde é ciclovia, onde é pista de rolamento; em outros pontos o piso está craquelado, dificultando a locomoção dos ciclistas na área. “Todas essas situações colocam o usuário em risco. Daí, o deslocamento fica inseguro e nada ágil”, pontua.

Mapa digital com sugestões para melhorias

BH em Ciclo/Google Maps/Divulgação

Para facilitar a visualização dos pontos primordiais apontados pela BH em Ciclo para expansão de ciclovias na cidade e/ou manutenção, a entidade criou um documento público digital. Conheça aqui.

Um desafio para todos

Técnico da empresa desde sua criação, em 1992, Marco Antônio Silveira, nascido e criado na capital, vê, ao longo dos anos, como profissional da área e cidadão, mudanças positivas. Segundo ele, mudar a cultura de toda uma população não é tarefa das mais fáceis.

“Não é simples mexer na rotina das pessoas, e me incluo aí. Há resistência. Mas nossa ideia é justamente a de criar alternativas que atraiam novos adeptos, jovens e quem não quer mais sair de carro. Muita gente sempre torceu o nariz para bicicletas em BH por conta da topografia. Como alternativa, surgiram as patinetes e bicicletas elétricas. Há situações em que a pessoa anda de bicicleta um trecho, estaciona, caminha a pé e pega o ônibus; ou vai de bike até o ponto de ônibus ou metrô”.

Segundo Marcos Gomes, da BH em Ciclo, a cidade, diferentemente do que muitos pensam, em função de sua geografia, é ótima para quem quer usar o transporte sobre duas rodas. “Com a crise dos combustíveis, no ano passado, muita gente que tinha a bicicleta em casa e não tinha gasolina para usar, passou a andar de bike para compromissos e viu que era viável. E gostou e passou a andar sobre duas rodas”, diz.

Educação para o ciclismo na cidade

Questionada sobre as ações de educação para o trânsito, para ciclistas e motoristas em geral, a BHTrans informou que elas estão inseridas nos projetos gerais educativos da empresa. “Os recursos para educação são provenientes do FTU (Fundo de Transportes Urbanos) e de alguns outros órgãos, como da Secretaria de Saúde. Por enquanto, as ações educativas da BHTrans são voltadas para a segurança dos ciclistas, para sensibilizar a sociedade e contribuir para a implantação da cultura da bicicleta na cidade”, informou.

Segundo Marcos Gomes, a maioria dos motoristas de BH acha que o ciclista deveria andar em cima da calçada, o que não é recomendado pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“Por conta da falta de cultura de bicicleta na cidade, tem gente que anda no passeio em tempo de acertar um pedestre, ou na contramão da direção, outro absurdo. Por sua vez, há outros ciclistas que andam na pista de rolamento, mas muitas vezes são quase atropelados pelos motoristas de automóveis. É muito importante a gente trabalhar essas informações, de bicicultura na cidade. O que gostaríamos nessa parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte era justamente que a PBH nos ajudasse na disseminação dessa cultura de ciclismo na cidade, pois estamos atrás de várias cidades brasileiras”, considera o integrante do BH em Ciclo, associação com cerca de 600 pessoas cadastradas.

Metas em curso para 2019

Conforme informou o BHAZ, na semana passada, entre as metas já colocadas em curso para 2019 está a contratação de empresa para elaboração de Projeto Executivo de Infraestrutura Cicloviária da Orla da Lagoa da Pampulha, que prevê a melhoria e alteração de um trecho de sete quilômetros da ciclovia, onde a pista para bicicletas entra em conflito com a pista de rolamento de veículos.

Além desses sete quilômetros, serão ainda executados projetos para mais 500 metros de nova ciclovia, ligando a ciclovia da orla da Lagoa da Pampulha à Estação de Integração Pampulha.

A BHTrans informou também que foi feito credenciamento de empresas interessadas em implantar, instalar, cuidar da manutenção e operação do Sistema de Compartilhamento de Bicicletas com Estação e Sistema de Bicicleta Integrada na capital.

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