Infectologista diz que isolamento não causa impactos na economia, mas sim o vírus: ‘Brasil está fazendo um papelão’

Unaí Tupinambás disse que ações para enfrentar a doença refletem na retomada
Unaí Tupinambás disse que ações para enfrentar a doença refletem na retomada (Amanda Dias/BHAZ)

O Brasil alcançou a triste marca de terceiro país do mundo com o maior número de mortes por Covid-19 – 34.021 óbitos. O fato, aliado com as ações tomadas pelo governo federal para enfrentar a pandemia, foi criticado pelo médico infectologista Unaí Tupinambás, nesta sexta-feira (5).

O especialista disse, em coletiva na sede da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), que “o Brasil está fazendo um papelão no cenário mundial”.

A fala do profissional da saúde, que também é professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), ocorreu enquanto ele comentava sobre os impactos econômicos provocados pelo novo coronavírus.

“O que tá levando esta quebra da economia não é o isolamento. É o vírus que está circulando. A abertura [do comércio] fará pouco impacto. Poucas pessoas vão sair para comprar sapato. Não é o isolamento que leva à crise econômica”, disse o integrante do Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19.

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Tupinambás prosseguiu dando exemplo de um país europeu que não tomou as ações necessárias para combater a pandemia e vem enfrentando dificuldades para retomar a economia.

“A Suécia fez isolamento vertical. É o primeiro país em morte por 100 mil habitantes e tá tendo mais dificuldades [na retomada econômica]. O Brasil está fazendo um papelão no cenário mundial. Claro que isso vai impactar na recuperação”.

Isolamento

O especialista ainda disse acreditar que, caso os números da doença continuem aumentando da forma que estão, o país será “em breve” o primeiro com mais infectados no mundo.

Para que isso não aconteça, o infectologista orienta. “O melhor é ficar em casa. Se precisar sair, que seja rapidinho”.

O planejamento de BH para enfrentar a doença também foi destacado. “Estamos flexibilizando aos poucos e vamos recuar, se for preciso. Se a população aderir [os cuidados] e usar máscaras, a gente ganha a parada rapidinho. A forma que a gente controlar a pandemia vai recuperar na recuperação”, concluiu.

Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas pelo prêmio CDL.