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Motorista de ônibus morre com Covid-19 em Belo Horizonte

ledir onibus

Um motorista de 58 anos, do transporte coletivo de Belo Horizonte, morreu vítima do novo coronavírus na capital mineira. O STTRBH (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Belo Horizonte e Região) denuncia o falecimento de Ledir Matos, em decorrência da doença e também as agressões sofridas por motoristas que cobram o uso de máscaras dos passageiros (veja abaixo).

“O nosso trabalho é considerado essencial e o motorista de ônibus está na linha de frente. Estudos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) mostram que temos 70% de chance de contrair a Covid-19. Infelizmente um companheiro nosso morreu após ser infectado”, diz, ao BHAZ, Paulo César da Silva, presidente do STTRBH.

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Ledir morreu no final de junho e, segundo Silva, ele trabalhava em uma empresa dos bairros Coração Eucarístico e Dom Cabral, ambos região Noroeste de Belo Horizonte. “Não sabemos se ele tinha outras doenças. Infelizmente o vírus não escolhe pessoas, pois temos visto muitos pacientes fora do grupo de risco contraindo e morrendo”, lamenta.

Nas redes sociais, amigos e familiares de Ledir prestaram homenagens ao motorista. “Muita saudade e falta está fazendo”, “Eterna saudade que você deixou em todos nós, meu primo”, “Saudades de você, meu irmão”, escreveram alguns lamentando o falecimento.

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Mais contaminados

Silva conta que na empresa onde o motorista trabalhava tem mais funcionários com a doença. “Depois da testagem dos profissionais, tivemos cinco casos confirmados”. O presidente da entidade disse não ter o número total de infectados da categoria. “Não temos como fazer o balanço em todo o sistema. Quando somos informados é por meio de um diretor, ou algum trabalhador que nos procura para denunciar. Apesar de não termos os números fechados, acreditamos que podemos ter um número maior de trabalhadores infectados”, aponta.

O que diz o SetraBH?

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) informou, ao BHAZ, que as empresas estão realizando “acompanhamento contínuo da saúde de seus profissionais”. A entidade disse também que ações pontuais foram tomadas. Algumas delas são:

  • Intensificação de higienização dos veículos, que além da limpeza nas garagens, passaram a ser higienizados entre as viagens nas estações;
  • Os motoristas do grupo de risco foram afastados, principalmente aqueles com mais de 60 anos;
  • Os profissionais em atividade receberam máscaras de proteção, álcool em gel e instruções sobre os cuidados com a higienização pessoal e do ambiente de trabalho, antes, durante e após as viagens.

A nota enviada pelo SetraBH pode ser lida na íntegra ao final do texto.

Agressões

A pandemia do novo coronavírus tornou obrigatória a adoção de novas práticas. Uma delas é o uso das máscaras, como forma de prevenir a contaminação. Nos ônibus o passageiro só pode embarcar se estiver utilizando o acessório. A obrigatoriedade tem feito com que alguns motoristas sejam agredidos, já que precisam cobrar o uso.

“Além do profissional sofrer pressão no trânsito, dirigir e cobrar, agora, ele tem que exigir máscara do usuário. Para mim, esta fiscalização deveria acontecer pelos órgãos de segurança. Quem tem que fiscalizar é PM e a Guarda Municipal, pois nós não somos agentes de segurança”, pontua Silva.

O presidente do sindicato conta que motoristas já foram agredidos, tanto na capital mineira, quanto na região metropolitana. “Há cerca de 20 dias tivemos uma agressão física em Ibirité. Nós também já registramos na área central de BH. Nos dois casos o passageiro ficou inconformado por não poder embarcar sem o uso da máscara”.

Nota do SetraBH na íntegra:

“O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) informa que as empresas realizam acompanhamento contínuo da saúde de seus profissionais pela área de recursos humanos. Existe também o Serviço Especial de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), que, em conjunto com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), atua no combate a acidentes de trabalho. As empresas oferecem plano de saúde, plano odontológico e seguro de vida para seus colaboradores e familiares.

O SetraBH incentiva as empresas de transporte coletivo por ônibus da capital mineira a motivarem seus colaboradores e familiares, clientes da Unimed-BH, a participarem das palestras e atividades de educação e saúde promovidas pela prestadora de serviços médicos. Os temas variam entre combate ao tabagismo, reeducação alimentar, hábitos saudáveis no diabetes, dança para idosos, cozinha experimental, atenção à gestante, doenças causadas pela emoção, reeducação alimentar infantil e atenção à hipertensão. Além disso, os trabalhadores e seus familiares também são assistidos pelo Sest/Senat, que oferece atendimento gratuito nas áreas de odontologia, fisioterapia, nutrição e psicologia.

Ações pontuais no combate a Covid-19:

Equipe do Transfácil estão realizando blitzes educativas nas Estações BHBus e do MOVE com distribuição de máscaras. Testes foram realizados no SEST SENAT gratuitamente em duas campanhas recentes.

Para evitar contato com notas e moedas, estão sendo oferecidos gratuitamente, o cartão BHBus Identificado para o passageiro nos pontos de venda do Transfácil.

Foram instalados recipientes com álcool em gel em toda a frota, nas bilheterias e linhas de bloqueio das estações.

Adesivação de todos os ônibus indicando a posição para o passageiro que viajar em pé. Adesivação também nas estações indicando as medidas de distanciamento.

Intensificação de higienização dos veículos, que além da limpeza nas garagens, passaram a ser higienizados entre as viagens nas estações.

Os motoristas do grupo de risco foram afastados, principalmente aqueles com mais de 60 anos.

Os profissionais em atividade receberam máscaras de proteção, álcool em gel e instruções sobre os cuidados com a higienização pessoal e do ambiente de trabalho, antes, durante e após as viagens”.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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