Um policial militar e um policial penal foram presos na madrugada desta terça-feira (17) após trocarem tiros com militares da Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte. Os dois, que são irmãos, estavam trabalhando paralelamente como “seguranças particulares” escoltando a carga de um caminhão.
De acordo com a PM, o batalhão da Rotam foi até o local durante buscas por uma carga roubada de um caminhão que transportava eletrodomésticos. Ao receberem a informação de que essa carga estaria possivelmente sendo transferida para outro veículo, os militares se deslocaram até onde os dois irmãos estavam.
Lá, os dois policiais faziam a escolta de outra carga, sem relação com o roubo, que havia sido derramada na estrada após o tombamento de um caminhão. Os militares da Rotam viram um veículo estacionado ao lado da carga e, antes que desse tempo de abordar os passageiros, um dos irmãos efetuou disparos contra a viatura.
Os policiais revidaram e, durante a troca de tiros, um dos irmãos entrou em um matagal ao lado da rodovia. Após a chegada do reforço da PM, esse suspeito voltou e se identificou como um soldado da corporação, enquanto o irmão se identificou como policial penal. As identidades foram confirmadas pelos militares da Rotam, os dois foram algemados e as armas de fogo foram recolhidas.
Trabalho paralelo
De acordo com a major Layla Brunella, porta-voz da Polícia Militar, a versão dos suspeitos é de que eles estavam fazendo a escolta da carga derramada na rodovia para evitar um saque. A atuação configura uma segunda atividade remunerada como “segurança” fora do horário de trabalho, o que não é permitido dentro da PM.
Ainda segundo os irmãos, quando a viatura da Rotam se aproximou, eles não perceberam que se tratavam de policiais e acreditaram que os militares fossem infratores que roubariam a carga protegida.
A corregedoria da PM, segundo a porta-voz, foi acionada para investigar a situação do soldado, que foi conduzido ao batalhão da Rotam e preso. O policial penal apresentou pequenos cortes provocados pelos estilhaços do vidro do carro, e foi escoltado até um hospital.
“A ocorrência foi encerrada na delegacia da Polícia Civil. Os militares da Rotam foram ouvidos internamente, as armas de fogo deles foram apreendidas e estão à disposição da Justiça no batalhão”, explicou a major.
Além das questões disciplinares, a princípio, os dois policiais também vão responder por homicídio tentado. A parte criminal é investigada pela Polícia Civil, já que não se trata de crime militar por não ter acontecido em horário de trabalho.
Procurada pelo BHAZ, a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) informou que o cargo de policial penal é de dedicação exclusiva, ou seja, a atuação paralela também não é permitida na corporação. A apuração da possível irregularidade será avaliada pela corregedoria da secretaria.












