Vídeos de Evellyn Jasmim, criança sequestrada em junho de 2023 após a morte da mãe, Ketlyn Oliveira, em Sabará, na região metropolitana de BH, mostram que ela e a família viviam sob ameaças e tentavam deixar o Brasil. O material foi gravado antes do crime e revela a dificuldade enfrentada pela família.
Nesta quinta-feira (27), a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que Evellyn foi morta pelos criminosos que sequestraram a mãe dela. Segundo a investigação, a menina foi levada para um sítio em Ravena, distrito de Sabará, onde permaneceu por menos de um dia antes de ser executada. O corpo ainda não foi localizado.
Nos vídeos, a criança faz um apelo para que as pessoas continuem contribuindo com uma vaquinha criada para ajudar a família. Ela afirma que o dinheiro arrecadado já havia permitido a compra de itens básicos, como shampoo e creme para cabelo.
A criança também relata que vivia com a mãe e três irmãos pequenos, de 8, 4 e 1 ano, em uma situação intensa de dificuldade, inclusive com falta de comida e roupas.
Veja o vídeo:
Criança relata ameaças
Em um dos vídeos, Evellyn afirma que ela e a mãe estavam sendo ameaçadas pelo pai e por um homem identificado por ela como Max, apontado como amigo e “braço direito” do pai.
Ela também nega acusações, que segundo o relato, estariam sendo espalhadas por Max contra a mãe. A criança afirma que a mãe não estaria usando a filha para conseguir dinheiro ou para consumir drogas.
Tentativa de deixar o Brasil
Evellyn também explica que a intenção da família era deixar o Brasil. Segundo ela, a mãe tentava conseguir dinheiro para viabilizar a mudança e sair do país por causa das ameaças.
Ela conta que a mãe possuía uma casa registrada em seu próprio nome e pretendia vendê-la por aproximadamente R$ 50 mil. Ainda segundo o relato da criança, o pai teria se recusado a negociar o imóvel.
Evellyn afirma que, em vez disso, ele teria tentado devolver à mãe um carro que havia sido alvo de uma queixa de roubo. A proposta, segundo ela, foi recusada.
Denúncia sobre assassinato
Nos vídeos, Evellyn também faz uma denúncia envolvendo um homem identificado por ela como Max. Ela afirma que ele teria participação no assassinato de uma pessoa chamada “Juninho”.
Segundo o relato da criança, um dos irmãos dela, que tinha apenas 1 ano na época, estava dentro do carro no dia em que o crime teria acontecido.
Ameaças antes do sequestro
A existência de ameaças contra Ketlyn antes do crime, no entanto, faz parte da investigação apresentada pela Polícia Civil nesta quinta-feira. Segundo os delegados responsáveis pelo caso, Ketlyn havia feito denúncias públicas contra o ex-marido, pai de Evellyn, e outros envolvidos após o assassinato do então namorado dela.
A investigação aponta que, como retaliação, o ex-marido teria determinado inicialmente que Ketlyn fosse sequestrada e tivesse as duas pernas quebradas. Depois, teria ordenado que ela fosse sequestrada novamente para ser cegada.
Antes de ser morta, Ketlyn chegou a publicar um vídeo ao lado da filha pedindo ajuda para conseguir se mudar da Grande BH para o Rio de Janeiro. A Polícia Civil afirma que esse material foi um dos elementos que antecederam a execução do plano criminoso.
O que aconteceu com Evellyn
Segundo a PCMG, três criminosos sequestraram Ketlyn, Evellyn e Ana Raquel, dona do salão de beleza onde a mãe da criança foi atacada. Ketlyn conseguiu pular do carro na tentativa de escapar, mas foi baleada e morreu. Ana Raquel também foi assassinada.
Evellyn foi levada pelos criminosos para um sítio alugado em Ravena. Conforme a investigação, como a criança conhecia os autores e chamava uma das envolvidas de “tia”, eles decidiram matá-la.
A menina teria sido executada no dia seguinte. Os investigadores afirmam que os criminosos seguiram para uma área de mata para esconder o corpo, porém, mais de três anos depois, as buscas realizadas pela Polícia Civil não encontraram os restos mortais.
Ao longo da investigação, policiais percorreram mais de 200 mil quilômetros por cinco estados. Três pessoas foram indiciadas, denunciadas pelo Ministério Público e se tornaram rés por três homicídios qualificados, sequestro e cárcere privado, adulteração de sinal identificador de veículo e associação criminosa. Um quarto envolvido, apontado como executor, foi assassinado em setembro de 2024.







