Duas irmãs, mineiras de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que foram traficadas para países da África após receberem uma promessa de emprego no exterior, conseguiram retornar ao Brasil. As mulheres estavam entre os 23 brasileiros que chegaram a Madagascar depois de relatarem ter escapado de uma rede de exploração ligada à aplicação de golpes virtuais.
O retorno ocorreu há cerca de duas semanas e foi possível com ajuda de familiares, amigos e uma arrecadação online. Segundo a ONG The Exodus Road Brazil e a Clínica de Combate ao Trabalho Escravo (CCTE) da Unipac Uberaba, que acompanham o caso, as duas, que tem entre 25 e 30 anos, já estão em casa.
Veja também
As irmãs mineiras haviam viajado para o exterior com a expectativa de trabalhar em um salão de beleza na Tailândia, mas foram traficadas. Antes de chegarem a Madagascar, porém, o grupo passou cerca de cinco meses no Camboja, onde, segundo os relatos acompanhados pelas organizações, os brasileiros teriam sido submetidos a uma situação de exploração.
Brasileiros traficados continuam em Madagascar
Seis brasileiros continuam em Madagascar e estão abrigados em um espaço cedido por uma ONG local. Segundo a representante da The Exodus Road Brazil e da CCTE, o grupo permanece sem uma estrutura adequada para deixar o país.
Eles conseguiram chegar ao local após uma operação policial contra uma rede de golpes virtuais. O grupo foi levado para Antananarivo, capital de Madagascar, em 19 de agosto. A ONG afirma que os brasileiros eram obrigados a aplicar golpes contra pessoas no Brasil, incluindo falsas abordagens em nome da Polícia Federal e o chamado “golpe do amor”.
A organização, no entanto, ressalta que não é possível afirmar que todos os 23 brasileiros sejam vítimas de tráfico de pessoas. A situação de cada integrante deve ser investigada individualmente pelas autoridades.
A representante também criticou a falta de assistência do governo brasileiro aos brasileiros que permanecem em Madagascar. Segundo ela, após 19 dias sem apoio, a Embaixada de Maputo enviou US$ 500 para ajudar os 23 brasileiros com alimentação, hospedagem e medicamentos.
A The Exodus Road Brazil e a CCTE seguem acompanhando a situação dos brasileiros que ainda estão em Madagascar.









