Um ano depois da morte de Lô Borges, a esquina que deu nome ao movimento musical mais famoso de Minas vai voltar a cantar para ele. Fãs, amigos e músicos ligados ao Clube da Esquina se reúnem na próxima segunda-feira (2/11), a partir das 16h, no cruzamento das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, região Leste de Belo Horizonte, para o encontro “Eternamente Lô Borges – 1 ano de saudade”. A entrada é gratuita.
A data não foi escolhida por acaso. Lô morreu exatamente em 2 de novembro de 2025, aos 73 anos.
Quem sobe ao “palco”
A programação reúne 19 artistas, entre parceiros históricos do cantor, integrantes da família Borges e nomes de gerações mais novas que cresceram ouvindo o Clube da Esquina. Entre os destaques estão o guitarrista Toninho Horta, companheiro de Lô desde os primeiros encontros na casa dos Borges, Marilton Borges, irmão mais velho do cantor e quem lhe deu o apelido “Lô”, e o sobrinho Rodrigo Borges.
Confira a lista completa de artistas participantes:
- Aloisio Horta
- Ana Caixeiro
- Ana Rodrígues
- Beto Lopes
- Bianca Luar
- Carolina Emilia
- Cary
- Flávio Boca
- Lawanda
- Marilton Borges
- Pedro Volta
- Perla Horta
- Rodrigo Borges
- Sanducka
- Tattá Spalla
- Tiago Araújo
- Tiago Nonato
- Toninho Horta
- Wilsinho Lopes
Uma esquina que virou ponto de encontro
O cruzamento de Santa Tereza se transformou no principal ponto de memória de Lô desde o dia seguinte à sua morte. No dia seguinte à morte do músico, uma pequena multidão ocupou a esquina para a “Cantoria a Lô Borges”, uma homenagem que nasceu de um grupo de WhatsApp criado às pressas por artistas e fãs. Teve tenda, projeção da imagem do cantor, flores, velas e um repertório inteiro de clássicos cantado em coro. Toninho Horta e Marilton Borges estavam lá.
De lá para cá, o local voltou a receber tributos. Em 10 de janeiro deste ano, quando Lô completaria 74 anos, uma jam session com músicos que tocaram com ele, como Gabriel Guedes, Tadeu Franco, Tiago Araújo e o irmão Nico Borges, ocupou o mesmo cruzamento, numa edição especial do projeto “Na esquina do Clube”.
O encontro de agora também acontece poucos dias depois de a esquina amanhecer pichada com tinta vermelha. O memorial do Clube da Esquina foi vandalizado na sexta-feira (23/10), a três dias do aniversário de 84 anos de Milton Nascimento, e a Polícia Militar foi acionada.
Onde tudo começou
Foi justamente ali que a história do Clube da Esquina começou. Nos anos 1960, o adolescente Salomão Borges Filho, o Lô, se encontrava com os amigos do bairro no cruzamento para tocar violão e conversar sobre Beatles e bossa nova. A família Borges morava na Rua Divinópolis, numa casa que ainda está de pé e segue pertencendo à família. Por ela passaram nomes como Milton Nascimento, Toninho Horta, Wagner Tiso, Tavito, Flávio Venturini e Beto Guedes.
O ponto de encontro inspirou o irmão Márcio Borges a escrever os versos de “Clube da Esquina”, parceria com Milton, e acabou batizando o disco lançado pelos dois em 1972, considerado um dos álbuns mais importantes da música brasileira. No mesmo ano, Lô lançou seu primeiro álbum solo, o famoso “disco do tênis”.
Sexto dos 11 filhos do jornalista Salomão Borges e da professora Maria Fragoso Borges, a Dona Maricota, Lô nasceu em Belo Horizonte em 10 de janeiro de 1952 e passou boa parte da vida em Santa Tereza. Autor de clássicos como “O Trem Azul”, “Para Lennon e McCartney”, “Paisagem da Janela” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, seguiu produtivo até o fim: lançou um disco de inéditas por ano entre 2019 e 2024 e, em agosto de 2025, chegou às plataformas “Céu de Giz”, parceria com Zeca Baleiro, seu último trabalho.
Serviço
Eternamente Lô Borges – 1 ano de saudade
- Quando: segunda-feira, 2 de novembro, a partir das 16h
- Onde: esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, bairro Santa Tereza, Região Leste de BH
- Quanto: gratuito








