Muito antes dos aplicativos de relacionamento, o Axé Brasil já funcionava como uma espécie de Tinder para quem queria paquerar em Belo Horizonte. Os bastidores desse impacto foram lembrados por Emanuel Júnior, da DM Produções, em entrevista ao podcast Arreda Pra Cá, do BHAZ (veja o vídeo da entrevista no fim da reportagem).
Se engana quem achava que o festival apenas movimentava os fãs de música baiana, pois também fazia o amor pairar no ar, aproximando pessoas e criando histórias de amor. “Era o Tinder”, resumiu Júnior ao falar sobre os encontros que aconteciam durante o evento.
Segundo ele, há casais que estão juntos até hoje e se conheceram no Axé Brasil. Em uma época anterior à popularização dos aplicativos de namoro, a festa era o espaço ideal para um bom flerte e novas conexões. “Tem gente casada até hoje que se conheceu no Axé”, contou.
Beijaço entrou para o Guinness
Entre os episódios que marcaram a história do festival está o recorde mundial de beijos simultâneos. Em 3 de abril de 2009, durante o show de Claudia Leitte no Mineirão, 8.372 casais se beijaram ao mesmo tempo ao som de “Beijar na Boca”. A marca entrou para o Guinness World Records e deu ao Axé Brasil um capítulo inusitado na história dos grandes eventos de Belo Horizonte.
O certificado foi entregue à cantora em abril de 2010, antes de sua apresentação na edição daquele ano do festival. O feito ajudou a eternizar uma das imagens mais emblemáticas do Axé Brasil: milhares de pessoas reunidas não apenas para cantar e dançar, mas também para celebrar o amor.
Escola de produção
A movimentação começava muito antes de os artistas subirem ao palco. A compra dos abadás, por exemplo, levava filas ao Shopping Cidade e mobilizava uma rede de costureiras que ajustavam as peças para os foliões. A preparação para o festival já fazia parte da experiência: era preciso garantir o ingresso, escolher o abadá e se organizar para os dias de festa.
Para Júnior, a dimensão do Axé Brasil também pode ser medida pelas oportunidades profissionais que surgiram em torno do evento. O empresário afirma que a estrutura criada pela DM Produções ajudou a formar trabalhadores e empreendedores que, anos depois, se consolidaram no mercado de entretenimento de Minas Gerais.
Ele cita como exemplo o Me Leva Folia, iniciativa criada para organizar o transporte de pessoas que queriam participar do festival. O projeto, segundo Júnior, nasceu como uma espécie de “balada da balada” e ajudou a movimentar outros negócios ligados à festa. Comissários, vendedores de ingressos e organizadores de esquenta também faziam parte desse ecossistema.
“Eu acho que a DM foi uma grande escola do entretenimento em Minas Gerais”, avaliou. Para o empresário, o Axé Brasil não se limitava aos shows: o evento impulsionava uma cadeia de atividades e profissionais que ajudou a estruturar o setor no estado.
A entrevista também recupera o clima de uma época em que o Axé Brasil movimentava a cidade, atraía milhares de fãs e transformava a programação musical de BH em um dos grandes acontecimentos do calendário de entretenimento mineiro.
O episódio completo com Emanuel Júnior está disponível no YouTube e no Spotify do BHAZ. Confira:








