Recebi com imensa alegria a notícia de que Maria Antonieta Cunha é a homenageada da 6ª edição do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH). O Festival já começou e vai até sábado, dia 26, com uma programação incrível que inclui exposições, fóruns de debates, palestras, narração de histórias, oficinas, leituras dramáticas, espetáculos teatrais, lançamentos de livros e apresentações musicais. Vejo a escolha da homenageada como um reconhecimento de sua trajetória e também da importância da educação e da formação de novos leitores.
Maria Antonieta Cunha tem 86 anos e uma vida marcada por uma revolução na forma que vemos e que consumimos literatura infantil e infanto-juvenil no Brasil. Educadora, editora, pesquisadora e gestora pública, fundou em 1980 a Editora Miguilim, uma das pioneiras na publicação de livros para crianças e adolescentes, e se dedicou a projetos de formação de público e democratização do acesso à leitura.
Foi quando Berenice Menegale se tornou a primeira secretária de cultura de Belo Horizonte, em 1989, porém, que Maria Antonieta foi trazida para a seara das políticas públicas. A convite de Menegale, ela elaborou um projeto inovador para a época, contribuindo para o nascimento da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte e tornando-se sua primeira diretora. Já nos transformadores anos de governo de Patrus Ananias, assumiu como secretária municipal de cultura e, posteriormente, de 2005 a 2008, foi presidente da Fundação Municipal de Cultura. Em 2022, Maria Antonieta Cunha passou a ocupar a cadeira 9 da Academia Mineira de Letras.
Minha alegria, portanto, está ancorada na admiração por esse legado, no desejo de que as mulheres sejam reconhecidas e reverenciadas em vida, e na certeza de que a cultura e as artes precisam e devem dialogar com as crianças. Isso é muito em um contexto em que alguns movimentos políticos reacionários tentam alijar as crianças do acesso às artes com medo, justamente, do poder transformador e emancipatório que esse acesso propicia. Maria Antonieta disse em uma entrevista recente: “como a gente desperta o gosto de uma criança pelo cinema? Indo ao cinema. Com a literatura é a mesma coisa”. Que as crianças possam despertar para as artes, que as lições de Maria Antonieta Cunha reverberem em nós.
Ao longo da vida, fui descobrindo que minha mãe também despertou a paixão pela literatura em centenas, aliás, milhares de pessoas: seus alunos na UFMG, nos cursos de Letras, Educação, Biblioteconomia e Comunicação, ou em vários cursos de pós-graduação, na própria UFMG, na Puc-Minas








