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Colunas

Adestramento violento não é educação, é crueldade

09/10/2025 às 18h49
Foto: Gaby Amorim

O adestramento deve ser um caminho de aprendizado e confiança, não de dor e medo. No entanto, muitos cães sofrem com métodos cruéis como choques elétricos, gritos, privação de água ou alimento e exercícios até a exaustão. Essas práticas não educam: apenas causam sofrimento e podem gerar traumas e comportamentos agressivos.

Ao recorrer a técnicas que intimidam e machucam, o tutor ou profissional rompe a relação de confiança que deveria existir entre humanos e cães. O animal não entende

que está sendo “educado”, apenas sente dor e medo. Além de todo o sofrimento físico e emocional durante o treinamento, essas práticas podem gerar estresse, insegurança e sequelas que comprometem a qualidade de vida do animal para sempre.

Nos últimos anos, vídeos com denúncias têm exposto a gravidade do problema. Para enfrentar essa realidade em Belo Horizonte, aprovamos, em 2022, a Lei 11.441, que proíbe métodos de adestramento que causem dor ou sofrimento físico e psicológico. Entre as práticas vedadas estão o uso de coleiras de choque, enforcadores que pressionam a traqueia, tapas, pontapés e até o isolamento do animal em locais apertados para forçar a obediência. O descumprimento da norma pode resultar em advertências, multas e até na interdição do estabelecimento.

Essa legislação representa um avanço importante. Mas, para que produza efeitos, é fundamental a conscientização da sociedade e a denúncia. Além disso, a decisão consciente de quem contrata o serviço é fundamental para garantir o bem-estar dos animais. Cabe ao tutor escolher métodos que respeitem o bem-estar dos cães. Perguntar ao adestrador sobre as técnicas utilizadas e recusar práticas violentas é um passo decisivo para consolidar uma cultura de respeito.

O adestramento positivo é uma alternativa eficaz e segura ao método coercitivo. Ele é baseado na organização do ambiente para reduzir as chances de erro e na recompensa aos acertos do animal. Em vez de punir, reforça comportamentos desejados com estímulos positivos como petiscos, carinho ou brinquedos. Essa abordagem fortalece o vínculo entre tutor e cão, aumenta a confiança e gera resultados duradouros.

Se por décadas, o adestramento foi confundido com punição, hoje sabemos que medo, dor e intimidação não educam — apenas fazem sofrer. As novas técnicas de adestramento sem violência têm obtido excelentes resultados, inclusive no tratamento de cães com problemas emocionais.

Os animais respondem melhor a estímulos que lhes transmitem segurança. Educar um cão com respeito e empatia é investir na convivência harmoniosa entre humanos e seus companheiros de quatro patas. Com a lei em vigor, o compromisso de cada tutor e a disseminação do adestramento positivo, podemos transformar o aprendizado em um processo que fortalece vínculos e deixa a violência definitivamente no passado

Wanderley Porto

Wanderley Porto Vereador em BH desde 2020, é cristão e presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana, da Câmara. Com mais de 20 anos de experiência no Executivo e no Legislativo, atua com destaque na pauta ambiental e na causa animal. Publicitário, é especialista em Marketing Político pela UFMG.

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