A partir de 22 de janeiro de 2026, Belo Horizonte entra para a história ao proibir definitivamente a circulação de veículos de tração animal em suas ruas. O fim das carroças na capital mineira representa muito mais que uma mudança na mobilidade urbana: trata-se de um avanço civilizatório, ético e necessário para uma cidade que
deseja evoluir com respeito à vida.
Durante décadas, cavalos foram submetidos a maus-tratos e condições extremas de exploração no meio urbano. Infelizmente, tornou-se comum vê-los circulando por ruas e avenidas desnutridos e exaustos, puxando cargas pesadas, mesmo feridos e expostos a acidentes de trânsito. Muitos morreram à míngua. Outros foram abandonados após anos de trabalho forçado. Essa realidade não pode mais ser naturalizada em pleno século XXI.
A legislação que põe fim às carroças em BH estava prevista para entrar em vigor apenas em 2031. No entanto, com uma lei de minha autoria, com apoio decisivo do deputado federal Fred Costa, conseguimos antecipar esse prazo em cinco anos, reduzindo em 1.825 dias o sofrimento dos animais. Essa antecipação foi fruto de muito
diálogo e do entendimento de que o bem-estar animal também é uma responsabilidade do poder público.
Proibir a tração animal não é atacar pessoas em situação de vulnerabilidade, como muitos tentam fazer crer. Pelo contrário: é reconhecer que nenhuma política pública pode se sustentar na exploração, seja de animais, seja de seres humanos. O desafio de construir soluções de transição justas, que aliem proteção animal, inclusão social e
novas oportunidades de trabalho já foi assumido publicamente pela prefeitura de BH.
E está sendo cobrado por nós que defendemos o fim das carroças. Proibir a circulação de carroças em áreas urbanas é uma tendência nacional. Diversas capitais brasileiras já avançaram nesse caminho, reconhecendo que o modelo é incompatível com o trânsito moderno, com a segurança viária e com os princípios básicos de bem-estar animal.
Belo Horizonte agora se soma a esse movimento, assumindo seu papel de cidade inovadora e consciente. Uma capital que protege os animais também demonstra maturidade institucional e compromisso com políticas públicas baseadas no respeito à vida.
Encerrar o ciclo das carroças não apaga o passado, mas aponta para um futuro melhor. Um futuro em que o desenvolvimento não é construído sobre sofrimento, mas com empatia, responsabilidade e escolhas corretas.
Belo Horizonte está virando uma página importante da sua história. E eu sigo convicto de que estamos no caminho certo no qual cidades mais humanas são construídas com respeito a todas as formas de vida.








