O cantor belo-horizontino Sérgio Pererê lançou o álbum “Canções de Outono” nesta quarta-feira (12). Em um mergulho sensível em sentimentos pessoais e com a participação de 14 cantoras, o artista embarca no projeto mais diferente de sua carreira, com o objetivo de mostrar que a sofrência não está só no sertanejo.
Foram quatro anos trabalhando no disco, cuja ideia nasceu no outono de 2020, bem no início da pandemia. Ao Rolê BHAZ, Sérgio conta que as músicas surgiram não só da sofrência por um amor que acabou, mas também da solidão e das incertezas do período de isolamento.
“Sofrência, na verdade, é esse lugar que eu trouxe para o disco, de falar do amor, mas justamente daquilo que não deu certo. Essa palavra é gostosa, quando se fala ‘sofrência’ não é o sofrimento, é um estado, é aquilo que se canta desse sentimento de amor que não deu certo”, define.
Participação de 14 cantoras
O isolamento trouxe a oportunidade de convidar artistas para participar do Canções de Outono, por causa do movimento de aparecer nas redes sociais. “Comecei a entender melhor como estar mais presente nas redes, isso trouxe algumas pessoas para perto, sobretudo cantoras”.
“Então eu comecei a ter vontade de convidar pessoas para cantarem comigo, até que eu entendi que queria que em todas as músicas tivessem participações”, relembra. O álbum tem colaborações com Coral, Mônica Salmaso, Fernanda Takai, Letrux, Talita Sanha, Lia Itamaracá, entre outras.
A escolha das artistas foi feita por intuição, segundo Pererê. “À medida que as cantoras iam se aproximando de mim, eu ia desenvolvendo alguma amizade maior, e pensava ‘poxa, essa música é pra essa pessoa’. E tiveram no meio do caminho canções que eu fui compondo para elas cantarem”.

Elementos africanos e experimentações
A sonoridade do projeto passa por um universo que já é marca do cantor, ao mesmo tempo em que explora novas possibilidades. “Tem um momento que a gente quis trazer algo que remetesse um pouquinho do carimbí, ao mesmo tempo tem um momento em que eu quis fazer uma balada romântica”.
“Tem uns dois ou três momentos que o álbum passa pela música pop dos anos 1980. Acho que é uma mescla de sonoridades e de possibilidades, mas tudo dentro de um universo que, de certa forma, eu ja tinha visitado antes. Não tem nada que foge muito da minha linguagem”, conclui.
Em suma, o artista faz, em Canções de Outono, um mergulho no universo da sofrência, de acordo com o que ele mesmo define. “É como se fosse um estudo meu do que seria a sofrência para mim, porque quando falamos disso, as pessoas pensam logo no arrocha se for sertanejo”.
“Se você for fazer uma pesquisa sobre música brasileira, a gente tem sofrência em todos os lugares, na obra de Nelson Cavaquinho, Cartola, Chico Buarque, Dolores Duran… A sofrência está no eixo da música do Brasil e do mundo”, afirma.
Ouça Canções de Outono no link abaixo:
Show de Sérgio Pererê em BH
Sérgio Pererê prepara um show de lançamento do álbum para este domingo (16), em Belo Horizonte. A apresentação no Teatro Sesiminas terá participação de Coral e Thamiris Cunha. A banda será composta quase inteiramente por mulheres, com Bia Nascimento, Natália Mitre e outros talentos.
“Estamos preparando um show emocionante, porque é uma banda incrível, a gente no ensaio já se emociona. Como as músicas falam de sentimento, então estamos deixando que isso fique visível na imagem. Vai ser um momento pelo qual estou muito ansioso, meu coração já está meio diferente”.
O cantor ressalta que o show será uma experiência única, ou seja, a apresentação não acontecerá da mesma forma novamente. “Quem não for neste não vai ver ele nunca mais, vai ver um outro depois. Quem não for lá, perdeu”, brinca.
Os ingressos custam a partir de R$ 15 e estão disponíveis neste link.
Acompanhe Sérgio Pererê no Instagram.








