Ninguém pode negar que a contagem regressiva para o Carnaval 2025 já começou, e o tradicional bloco Unidos do Samba Queixinho revelou quem será o homenageado da folia do próximo ano: a escritora mineira Carla Madeira. Já o tema do cortejo será ‘Desfile Literário’. A informação foi divulgada na noite desta terça-feira (12), no ensaio do bloco, realizado no bairro Sagrada Família, na região Leste de Belo Horizonte, e contou com a participação da autora.
O bloco de rua, desde a sua criação em 2009, tem a tradição de homenagear figuras, pessoas e grupos importantes para a cultura mineira ligados à dança, música, culinária e ao teatro. Entre os celebrados pelo Samba Queixinho estão o Grupo Corpo, Galpão, Giramundo, Nenel do Baixa Gastronomia e Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo esta a homenageada neste ano.
“Nunca tínhamos homenageando uma mulher diretamente, né? Então, agora, fazia todo sentido festejar um segmento diferente e surgiu esse nome espetacular, que é a Carla Madeira, uma das maiores escritoras da atualidade”, contou Gustavo Caetano, fundador e mestre de bateria do Queixinho, ao BHAZ.
Ele ainda explicou que, especialmente, há uma ligação entre o bloco de rua e a autora, já que várias pessoas que integravam o Queixinho, na sua fundação, trabalhavam direta ou indiretamente na agência Lápis Raro, fundada por Carla, que também é publicitaria.
“Por isso, ela frequentava os nossos ensaios. Vários nomes foram sugeridos, mas o dela era excelente. Ainda mais que a Carla aborda temas muito atuais nos seus livros, o que é muito importante para gente”, afirmou.
Mais do que homenagear uma pessoa tão importante para o cenário cultural do estado, a ideia é também fazer uma ode a literatura mineira e brasileira, tendo em vista que, conforme Gustavo, o intuito do Queixinho é ter uma postura ‘provocadora’ e dialogar com o público. “Temos uma forte ligação com o campo literário. Os nossos foliões, especificamente, estão sempre antenados e acompanham a literatura mineira. Inclusive, duas integrantes do bloco são escritoras”, contou.
Conheça a história do Samba
Criado em 2009, o Samba Queixinho surgiu no cenário da capital como um movimento de festa e de ocupação do espaço público. Ligado diretamente à cultura mineira, o bloco homenageia, anualmente, instituições emblemáticas mineiras.
Os primeiros ensaios e a primeira apresentação do bloco de rua aconteceram na praça do Cardoso, onde estão alguns dos tradicionais bares de Santa Tereza, na região Leste de BH. Desde a sua fundação, as oficinas de instrumentos são o principal objetivo do Queixinho. Nelas, os alunos aprendem do zero a ter noção de tempo musical, a como carregar, escolher e manusear instrumentos.
Apesar do nome Samba Queixinho, esse não é o único gênero que o bloco toca durante a folia. O bloco toca ritmos brasileiros variados, como ijexá, forró, funk e samba enredo. A música fica toda por conta da bateria, que ensaia durante o ano todo para se apresentar no Carnaval e em outros eventos de BH. A presença de cantores, tanto em shows da banda quanto no própria folia, depende do investimento público e privado no bloco.
Quem é Carla Madeira
Formada em jornalismo e publicidade, a belo-horizontina Carla Madeira nasceu em 1964, e trabalhou como professora na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além disso, ela é sócia e diretora de criação da agência de comunicação Lápis Raro, localizada na capital mineira.
Em 2014, ela lançou, pela editora Quixote-Do, seu primeiro livro ‘Tudo é Rio’, que, além de vender 200 mil cópias, conquistou o prêmio de melhor ficção lusófona e está sendo traduzido para países, como México, Itália e Rússia. Já em 2018, Carla publicou ‘A natureza da mordida’, conseguindo boas críticas e recepção calorosa dos leitores.
Em 2021, a autora lançou o seu terceiro romance, ‘Véspera’, livro que investiga as entranhas de uma família destroçada. Neste período, alcançou a posição de escritora brasileira mais vendida na atualidade.











