Os recentes casos de atropelamentos graves envolvendo ônibus no hipercentro de Belo Horizonte acendem um alerta sobre o modelo de transporte público adotado na capital mineira. Ainda é grande o número de coletivos que saem de diferentes bairros e circulam por ruas e avenidas da região central da cidade. Somente neste ano, ao menos cinco atropelamentos foram registradas na região.
Para o especialista em segurança de trânsito Mauricio Pontello, é necessário repensar a lógica da mobilidade urbana em Belo Horizonte para reduzir os ricos no hipercentro. “A cidade precisa repensar a macrologística e, talvez, criar mais terminais de integração. Pensar no nosso Anel para tentar aliviar a carga de veículos pesados no centro da cidade”, explica.
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Segundo Maurício, cruzamentos estreitos, calçadas irregulares, a alta concentração de veículos e pedestres e os pontos cegos de ônibus e caminhões são fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes graves, muitas vezes com vítimas fatais.
No entanto, a principal crítica do especialista é sobre o modelo de transporte coletivo predominante na capital. Mesmo após a implantação do Move BH, muitas linhas que poderiam atuar como alimentadoras continuam circulando até o hipercentro. “Ainda temos um volume muito grande de linhas convencionais que vão para o hipercentro todos os dias”, destaca Maurício.
Números reforçam tamanho do problema
De acordo com dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, BH registrou 10 acidentes com mortes envolvendo ônibus até o último dia 26 de maio. Desse total, cinco ocorrências foram registradas em vias do hipercentro da cidade. Além dos casos com mortes, outros quatro acidentes graves envolvendo ônibus foram registrados na mesma região.
Em pouco mais de um mês, ao menos quatro atropelamentos graves envolvendo ônibus do transporte coletivo de Belo Horizonte foram registrados na região da capital. Além do idoso de 96 anos atropelado na manhã desta quinta-feira (11), na avenida Amazonas, no sentido Praça Sete, outras três ocorrências com vítimas fatais foram registradas no último mês.
Na manhã do dia 14 de maio, um homem de 32 anos, foi atingido por um ônibus na Avenida Afonso Pena e não resistiu aos ferimentos. A vítima tentava recuperar um celular que deixou cair na pista, ao descer de um carro, no cruzamento da avenida com a rua dos Tamóios.
Um dia antes, 13 de maio, um homem de aproximadamente 60 anos, foi atropelado por um ônibus da linha 1509 (Califórnia/Tupi) no cruzamento das ruas Caetés e Espírito Santo, no Centro de Belo Horizonte. A vítima ficou presa debaixo do veículo e foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros.
Já no dia 8 de maio, uma idosa morreu atropelada por um ônibus da linha 9202 (Pompeia/Jardim América). O acidente também foi registrado no Centro de BH, na altura do número 915 da Avenida Amazonas, nas proximidades da Praça Raul Soares.
Para Maurício, além de mudanças estruturais, é necessário investir em campanhas permanentes de conscientização para reduzir o número de atropelamentos envolvendo ônibus no Centro de Belo Horizonte. Segundo ele, a iniciativa deve envolver o poder público, empresas de transporte e entidades representativas do setor.
“Cabe ao poder público, à Prefeitura de Belo Horizonte, cabe à SUMOB liderar essas campanhas, com foco não só no pedestre, obviamente, mas também em todos aqueles que estão transitando por ali. E, paralelamente a isso, o que a gente imagina, é que as empresas que operam o transporte coletivo e o próprio sindicato, as instituições que representam esse segmento, têm o dever, também, de investir em campanhas de direção segura humanizada para os seus motores”, conclui.
Mudanças na fiscalização dos ônibus de BH
Desde o começo do ano, as inspeções dos ônibus que precisam de uma verificação específica sobre as condições de uso antes de deixar as garagens, deixou de ser feita pela PBH. No último dia 04 de junho, uma publicação no Diário Oficial do Município ratificou as mudanças. Instituições Técnicas Licenciadas (ITLS) credenciadas pelo Contran agora fazem este serviço. Apesar da mudança, os laudos referentes aos veículos retirados de circulação há mais de 30 dias ou que estão fora de operação por determinação do município, ainda serão pela Superintendência de Mobilidade de Belo Horizonte (Sumob).
Em nota, a Sumob informou que “as vistorias veiculares são recorrentes nos sistemas de transporte do município. É por meio delas que os operadores recebem a autorização de tráfego (AT), necessária para a prestação do serviço com veículos que atendam todas as diretrizes de segurança. A autorização informa a data da próxima vistoria, de acordo com a periodicidade de cada sistema e conforme o ano de fabricação do veículo”.
O Setra – Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte foi demandado, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.









