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BH cria centro para antecipar impactos do El Niño e outros eventos climáticos na saúde da população

03/07/2026 às 17h06
Centro de Informação em Saúde e Clima (Divulgação/PBH)

Belo Horizonte iniciou, nesta sexta-feira (3), as atividades do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC), uma estrutura criada para antecipar os impactos de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e fenômenos associados ao El Niño, permitindo que a rede municipal de saúde se prepare antes do aumento da demanda por atendimentos.

A iniciativa faz parte de um projeto-piloto do Ministério da Saúde e marca o início das atividades de pesquisa, monitoramento e visitas técnicas na capital mineira. O objetivo é transformar dados climáticos em ações preventivas para reduzir os impactos das mudanças climáticas na saúde da população.

Belo Horizonte está entre as oito cidades brasileiras selecionadas para implantar o modelo, ao lado de Salvador (BA), Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Santarém (PA).

Monitoramento para antecipar efeitos do El Niño

Entre os principais focos do novo centro está o monitoramento dos efeitos provocados pelo El Niño, fenômeno climático que altera o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões do país e pode aumentar a ocorrência de ondas de calor, tempestades e outros eventos extremos.

Instalado na Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) e vinculado à Diretoria de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica, o CISC reunirá informações sobre clima, saúde e território para identificar, com antecedência, bairros mais vulneráveis, grupos de risco e unidades de saúde que poderão precisar de reforço.

Na prática, o sistema funcionará como uma plataforma de alerta antecipado. Com base nas previsões meteorológicas, será possível planejar ações antes que os impactos climáticos provoquem aumento nos atendimentos, tornando a resposta da rede pública mais rápida e organizada.

Tecnologia e equipe especializada

O projeto contará com suporte técnico do Ministério da Saúde, que investirá em tecnologia da informação e na formação de uma equipe multidisciplinar composta por dois cientistas de dados, um epidemiologista, um geógrafo e um meteorologista.

Os profissionais serão responsáveis por desenvolver ferramentas de monitoramento, análise e previsão, além de participar de capacitações e visitas técnicas para integrar o trabalho entre diferentes órgãos públicos.

As informações produzidas pelo CISC também irão subsidiar as ações do Comitê Municipal sobre Mudanças Climáticas e Ecoeficiência (CMMCE), fortalecendo políticas públicas voltadas à adaptação às mudanças climáticas.

Entre as atribuições do centro estão a elaboração de estudos sobre vulnerabilidade climática, o monitoramento em tempo real dos impactos dos eventos extremos na saúde, a emissão de alertas e a coordenação de ações com a Defesa Civil, o Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e outros órgãos.

“A emergência climática já impacta diretamente a saúde da população. Com o CISC, Belo Horizonte fortalece sua capacidade de agir antes que os eventos extremos se transformem em crises sanitárias”, afirmou a subsecretária de Promoção e Vigilância à Saúde, Thaysa Drummond.

Protocolo para ondas de calor

Além do monitoramento dos impactos do El Niño e de outros fenômenos climáticos, o novo centro dará suporte à implementação do Protocolo para Enfrentamento de Ondas de Calor Extremo, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde.

O documento estabelece níveis de alerta com base nas previsões meteorológicas e em indicadores de saúde, orientando o atendimento de pessoas com estresse térmico e o acompanhamento de idosos, pessoas em situação de rua e outros grupos mais vulneráveis durante períodos de calor intenso.

Rafaela Carvalho

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