O mercado imobiliário de Belo Horizonte e Nova Lima registrou uma mudança significativa no perfil de consumo em 2025. De acordo com o Censo do Mercado Imobiliário, realizado pela Brain Consultoria para o Sinduscon-MG, a procura por apartamentos compactos (unidades de até 45 metros quadrados) disparou, consolidando essa tipologia como uma das principais forças do setor.
Nas duas cidades, as vendas de compactos saltaram de 1.340 unidades em 2024 para 2.071 em 2025, um crescimento expressivo de 54,6%. Atualmente, esses imóveis já representam 27,4% do total de vendas na região.
Esse movimento é impulsionado por uma combinação de fatores: o aumento de pessoas que moram sozinhas, famílias menores e a busca por localizações privilegiadas a preços mais acessíveis, avalia a economista-chefe do Sinduscon, Ieda Vasconcelos. E aponta um terceiro componente: o custo elevado de construção em Belo Horizonte. “Os compactos vem ganhando maior proporção por serem de tamanho menor e, com isso, se consegue comprar a preço mais acessível”, avalia Ieda.
Embora os compactos estejam em ascensão, o mercado ainda é liderado por outra categoria, evidenciando uma divisão clara no perfil de vendas em 2025: padrão standard, com preço de R$ 350 mil a R$ 700 mil. Essa categoria representa 30,6% das vendas do ano passado, totalizando 2.310 unidades negociadas.
O Censo do Mercado Imobiliário coloca os compactos na mesma categoria dos imóveis classificados por preço.
Na terceira posição do ranking de vendas, estão os imóveis padrão médio, com preços de R$ 700 a R$ 1,25 milhão. Eles representaram 20,4% dos negócios em 2025.
Os imóveis de até R$ 350 mil, padrão econômico, representaram apenas 5,6% das vendas do ano passado. Eles estão associados principalmente ao imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida, e, para o Sinduscon, a baixa em vendas é reflexo do alto custo de terrenos na capital mineira por influência das regras do Plano Diretor.
“Esse número é extremamente baixo e demonstra o quanto a legislação urbana da cidade é restritiva. A título de comparação, os indicadores imobiliários, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), demonstram que, no país, 49% das vendas são de unidades de padrão econômico. Os números evidenciam que Belo Horizonte está impedindo o acesso à moradia justamente à população que mais precisa, que é a de baixa renda”, afirma Vasconcelos, do Sinduscon-MG.








