Movimentos negros e sociais de Belo Horizonte organizam um ato contra a megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro (RJ), que deixou mais de 130 mortos. A manifestação vai ocorrer nesta sexta-feira (31), às 17h, na Praça Sete, no Centro da capital mineira. Estão previstas ações em diversas cidades brasileiras.
O ato, que tem entre os organizadores o Movimento Negro Unificado do Brasil, a Marcha das Mulheres Negras e o Instituto de Referência Negra Peregum, visa pedir a prisão do governador do estado carioca, Cláudio Castro (PL), e da cadeia de comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ).
A manifestação, conforme as organizações, também é uma forma de prestar solidariedade às comunidades e famílias da Penha e Alemão. Além de BH, serão realizados atos em São Paulo (SP), Brasília (DF), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Porto Alegre (RS), entre outras.
Entenda
A ação militar ocorreu nessa terça (28) e teve como objetivo o cumprimento de mandados de prisão contra criminosos ligados à facção Comando Vermelho. A operação policial foi a mais letal da história da capital. Segundo os últimos dados divulgados pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, a megaoperação já resultou em mais de 130 mortes. O órgão informou que foram 128 óbitos de civis e quatro de policiais.
Em declaração pública, o chefe de Polícia Civil do RJ, Felipe Curi, disse que “o trabalho da polícia foi feito no sentido de dar cumprimento aos mandados de prisão. Essa alta letalidade era previsível, mas não era desejada”.
Na quarta-feira (29), moradores encontraram 61 corpos na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia. Os cadáveres foram levados à Praça São Lucas, na comunidade. O Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro (CBMRJ) retirou os corpos e os encaminhou para o IML. Uma perícia será realizada para analisar a relação entre as mortes e a operação.
Segundo Curi, existe uma força tarefa no instituto. Ainda não se sabe quantos mortos tinham antecedentes criminais, pendências judiciárias e mandados de prisão. O chefe da PCRJ ainda disse que, nos boletins de ocorrência, a polícia está classificando os já identificados como ‘opositores’, ou seja, criminosos que cometeram tentativa de homicídio contra os agentes. “Nossos policiais estão sendo tratados como vítimas, e os mortos como autores dos crimes”, afirmou.
Marcelo de Menezes, secretário da Polícia Militar do RJ, explicou que a estratégia da operação foi forçar o deslocamento dos criminosos para a área de mata. No local, equipes do Bope foram mobilizadas. “Essa ação criou o que chamamos de ‘muro do Bope’, uma linha de contenção formada por policiais que empurravam os criminosos para o topo da montanha”.










