A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) lançou o programa ‘Muralha BH’, com o objetivo de mais que dobrar sua rede de vigilância por câmeras na capital mineira. O projeto prevê a instalação de mais de 12 mil aparelhos inteligentes por toda a cidade, equipados com tecnologias de reconhecimento facial e leitura de placas (LPR). Uma das novidades é que o Anel Rodoviário de BH, agora sob gestão da PBH, vai ser fiscalizado de ponta a ponta e caminhão que trafegar pela faixa da esquerda vão ser multados, alerta o prefeito Álvaro Damião (União Brasil).
Um dos principais focos do programa é o Anel Rodoviário de BH. A via terá seu monitoramento drasticamente ampliado. Serão instaladas 179 câmeras em 27 pontos escolhidos para garantir o monitoramento de toda a via. Atualmente, existem apenas nove pontos monitorados na rodovia. “Ninguém vai passar pelo Anel sem ser identificado”, afirma Damião.
A medida de destaque para o Anel Rodoviário é a fiscalização severa dos caminhões que insistem em trafegar pela faixa da esquerda. O prefeito afirmou que, se um caminhão for flagrado na faixa da esquerda, “vai ser multado de ponta a ponta no Anel”.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece em seu artigo 29 que “quando uma pista de rolamento comportar várias faixas de circulação no mesmo sentido, são as da direita destinadas ao deslocamento dos veículos mais lentos e de maior porte, quando não houver faixa especial a eles destinada, e as da esquerda, destinadas à ultrapassagem e ao deslocamento dos veículos de maior velocidade”.
O Anel Rodoviário de BH ficou conhecido por repetidas tragédias com caminhões e carretas, que, ao perder o freio, causavam batidas.
Além disso, a prefeitura garantiu que “Nenhum veículo vai entrar ou sair de BH sem ser identificado”, medida adotada em São Paulo e que será replicada na capital mineira após o prefeito ter visitado a cidade paulista.
O monitoramento do Anel também será usado para coibir e multar motociclistas que tentarem trafegar pelas passarelas destinadas aos pedestres.
Tecnologia e funcionamento das câmeras
A expansão da rede de vigilância inclui três categorias principais de dispositivos:
• 8 mil câmeras de segurança (sendo 1.890 com giro de 360°).
• 2.650 câmeras próprias para leitura de placas veiculares.
• 1,5 mil equipamentos com capacidade de reconhecimento facial.
Todas as imagens capturadas serão centralizadas no Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), que funciona 24 horas por dia. O COP-BH integra diversos órgãos de segurança e serviço público, como Guarda Municipal, BHTrans, Polícias Militar e Civil, SAMU e Corpo de Bombeiros.
O sistema utilizará inteligência artificial (IA) para emitir alertas automáticos. A IA será capaz de detectar placas de veículos roubados, pessoas procuradas pela polícia ou desaparecidas e gestos considerados suspeitos. Mas, segundo a prefeitura de BH, a palavra final caberá aos agentes públicos.
O diretor-presidente da Prodabel (Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte), Fernando Lopes, explica que o reconhecimento facial será realizado por meio de “matches” (combinações) com uma base de dados das forças de segurança.
Atualmente, Belo Horizonte conta com cerca de 5 mil câmeras. Com a conclusão do projeto, o novo total será 140% maior. A rede de monitoramento visa inibir a ação criminosa e aumentar a sensação de segurança, sendo instalada em praças, parques, centros de saúde, escolas municipais, além das principais vias e corredores de entrada e saída da capital.







