Postos de BH registram longas filas em corrida contra falta de combustível

desabastecimento
Carros dão volta em quarteirão na rua Silva Jardim, esquina com Sapucaí (Vitor Fernandes/BHAZ)

Postos de combustíveis já enfrentam problemas de desabastecimento, segundo o Minaspetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais). A falta de combustível ocorre devido à greve dos tanqueiros de Minas Gerais, que anunciaram suspensão de todas as atividades nessa quinta-feira (21), juntamente com a corrida aos postos. Na capital e na Grande BH, já é possível visualizar grandes filas de carros nas ruas para abastecer.

De acordo com a nota do sindicado, atualizada na noite de ontem (21), todas as regiões do estado estão sendo prejudicadas pela paralisação. Apesar disso, a entidade pede para que a população não faça uma corrida aos postos, segundo eles, pois é justamente essa ação que pode causar e agravar o desabastecimento.

Posto Odeon tem intensa movimentação na manhã desta sexta (Roberth Costa/BHAZ)

Em dois postos da Avenida do Contorno, o BHAZ contabilizou duas filas de 20 e 30 carros – respectivamente, no Posto Odeon (número 1526) e no Posto Petrobras (número 1955), por volta das 9h de hoje (22). Já no bairro Floresta, na rua Silva Jardim com a rua Sapucaí, mais um posto com filas de espera. As filas de carros geram complicações no trânsito da capital.

Minaspetro é contra a greve

A entidade também informou, ontem, que todas as transportadoras de combustível do estado estão paradas, totalizando cerca de 800 caminhões. O anúncio do Sindtanque-MG (Sindicato dos Transportadores de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais) veio após seguidas ameaças de paralisação nos últimos meses, em protesto contra os altos valores dos combustíveis do estado e do país.

Transportadores protestaram, nessa quinta-feira, nas portarias da BR Distribuidora e nas principais distribuidoras de combustíveis, como Shell, Ipiranga e Ale, em Betim. A categoria reclama do preço do alto custo dos combustíveis e pede pelo congelamento do PMPF, base de cálculo para a incidência do ICMS, um pleito do Minaspetro desde o início da pandemia, segundo o sindicado.

Posto na avenida dos Andradas, perto do viaduto Santa tereza também registra fila gigantesca
(Tatiane Oliveira/BHAZ)

Mesmo assim, o Minaspetro se manifestou contra a greve. “O sindicato reitera que é solidário ao pleito dos caminhoneiros e tem trabalhado fortemente junto às autoridades em busca de soluções para a redução do ICMS, contudo, o Minaspetro acredita que a greve não é a melhor solução para o problema, uma vez que a paralisação prejudica a população e gera ainda mais incertezas no mercado de combustíveis já em crise nacional”, escreveram em nota (leia na íntegra abaixo).

Reivindicações

Os tanqueiros de Minas fazem reivindicações pela redução do valor do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço) sobre o diesel e já haviam sinalizado a possibilidade de uma paralisação no final de agosto.

Já no início de setembro, o Sindtanque-MG anunciou a redução da distribuição dos combustíveis em Minas Gerais pela metade durante poucos dias, até a categoria se reunir com o governo estadual.

Com o anúncio da nova alta no preço do diesel feito pela Petrobras no final de setembro, o Sindtanque-MG voltou a ameaçar uma paralisação. Com o reajuste anunciado hoje pela Petrobras, o preço médio de venda do diesel A passou de R$ 2,81 para R$ 3,06 por litro.

Em fevereiro de 2021, uma paralisação dos tanqueiros foi suspensa diante da promessa das reivindicações serem atendidas. “O Governo de Minas não acenou com nenhum benefício, nenhuma melhoria para a categoria. O compromisso de retornar a alíquota do ICMS do diesel para 12%, ficou só na promessa”, protestou meses depois Irani Gomes, presidente do Sindtanque-MG.

À época, o governador Romeu Zema (Novo) prometeu dialogar e criar um grupo para solucionar o impasse. O recuo do mandatário veio após um dia de paralisação que lotou as filas dos postos de combustível do estado. Mas, segundo o presidente, nenhuma mudança foi concretizada desde então.

Nota do Minaspetro na íntegra

O Minaspetro está monitorando a situação da greve dos tanqueiros e informa que os postos com estoques reduzidos já apresentam problemas de abastecimento. Com a paralisação, todas as regiões do estado estão sendo prejudicadas, impactando fortemente o abastecimento de Minas Gerais, tendo em vista que a base de Betim é estratégica para a distribuição de combustíveis estadual.

O Sindicato entrou em contato formalmente com o governo de Minas e solicitou que o pleito dos caminhoneiros fosse atendido. Uma das soluções apontadas para se abrir a negociação foi o congelamento do PMPF, base de cálculo para a incidência do ICMS, pleito do Minaspetro desde o início da pandemia. O congelamento do preço de pauta conteria momentaneamente a escalada dos preços na bomba.

O Minaspetro alerta para que a população não faça uma corrida aos postos, é justamente essa ação que pode causar e agravar o desabastecimento.

Por fim, o Sindicato reitera que é solidário ao pleito dos caminhoneiros e tem trabalhado fortemente junto às autoridades em busca de soluções para a redução do ICMS, contudo, o Minaspetro acredita que a greve não é a melhor solução para o problema, uma vez que a paralisação prejudica a população e gera ainda mais incertezas no mercado de combustíveis já em crise nacional.

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