Em meio a um processo turbulento e acelerado, o Edifício JK tem um novo síndico após mais de 40 anos sob uma mesma gestão. Após a renúncia de Maria Lima das Graças por problemas de saúde, o gerente-geral do condomínio, Manoel Gonçalves de Freitas Neto, foi eleito na manhã desta terça-feira (30) para ocupar a vaga que estava há quase cinco décadas nas mesmas mãos.
Manoel Gonçalves de Freitas Neto trabalha no JK há 38 anos. Ele começou como faxineiro do condomínio e, com o passar dos anos, conquistou novas posições até chegar ao último cargo, o de gerente-geral. Durante esse período, ele se formou em direito. Em 2017, foi aprovado na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
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“Apesar das divergências, todos trabalhamos para uma causa comum que é o JK. Importante é que a maioria venceu, e eu represento a maioria”, disse o síndico eleito após deixar a pé a assembleia. Enquanto caminhava e dava entrevistas, Manoel também foi questionado sobre a prestação de contas, queixa recorrente em relação à gestão anterior, e disse que “sempre que tiver no tempo, vou apresentar. Não vou me furtar disso”.
O novo síndico, que compunha a gestão anterior, foi perguntado ainda sobre o que iria ser diferente em relação à antecessora e teceu elogios a Maria das Graças. Segundo ele, a polêmica síndica foi fundamental para requalificar o Edifício JK após o prédio ter sido interditado na década de 1980, mas afirmou que a sua gestão será mais leve e aberta. “Eu me comunico mais”, afirmou Manoel.
Sob vaias e protestos, a votação teve clima acalorado. Moradores se queixam da celeridade do processo e da falta de transparência para acessar documentos. Durante a leitura da pauta de votação da assembleia, no auditório do Edifício JK, moradores credenciados para votar se manifestaram contra a realização da eleição nesta terça-feira e puxaram um coro de ‘não, não, não’ em protesto.
Uma moradora chegou a ser retirada à força do auditório por seguranças do edifício. Segundo o síndico eleito, ela tentou agredi-lo enquanto uma comissão conferia as procurações concedidas a ele e, por isso, foi expulsa do local.
Quem é o novo síndico do JK?
Manoel Gonçalves de Freitas Neto trabalha no JK há 38 anos. Ele começou como faxineiro do condomínio e, com o passar dos anos, conquistou novas posições até chegar ao último cargo, de gerente-geral. Durante esse período, ele se formou em direito. Em 2017, foi aprovado na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Conjunto JK
Projetado por Oscar Niemeyer na década de 1950 a pedido de Juscelino Kubitscheck, o Conjunto JK é um dos condomínios mais icônicos de Belo Horizonte. A obra, executada com recursos doados pelo então governador Juscelino Kubitschek, foi liderada pelo empresário Joaquim Rolla. O Conjunto JK passou a ser habitado em 1970.
Em abril de 2022, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte aprovou, por unanimidade, o tombamento definitivo do Conjunto Habitacional Governador Juscelino Kubitschek.
O prédio é formado por dois blocos, de 36 e 23 andares cada, reunindo 1.087 apartamentos de 13 plantas diferentes, de um a quatro quartos. Mais de 5.000 pessoas vivem no local. A quantidade de moradores é maior do que a população de 245 cidades mineiras.
Nos últimos anos, a administração de Maria Lima das Graças foi alvo de polêmicas e impasses com moradores. A ex-síndica e o então gerente-geral Manoel Gonçalves de Freitas Neto são acusados de crimes contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural.
Conforme o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), as acusações se baseiam em supostas condutas que teriam resultado na deterioração do Edifício JK e na omissão de medidas de conservação de interesse ambiental e cultural. Além disso, o prédio da década de 1950 não possui Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), necessário para garantir condições de segurança contra incêndio e pânico adequadas à legislação.











