O número 1.268 da rua dos Guajajaras teve movimento além do típico na manhã desta terça-feira (30). Um grande entra e sai se formou na entrada do bloco B do Edifício JK, um dos condomínios mais icônicos da cidade, projeto por Oscar Niemeyer. A movimentação é para a eleição de um novo síndico.
Esta é a primeira eleição do Edifício JK sem a participação de Maria Lima das Graças, após mais de quatro décadas. Ela deixou o cargo neste mês, depois de 43 anos de gestão, devido a problemas de saúde.
Na entrada do prédio, uma longa fila se formou. Os proprietários entravam diretamente apenas dando o nome. Os inquilinos precisavam de uma procuração de proprietários. Quem não tem o documento, não entra.
A expectativa é que Manoel Gonçalves de Freitas Neto encabece a principal chapa.
Ele é gerente-geral há 38 anos e síndico interino desde a renúncia de Maria Lima.
Ao convocar a reunião extraordinária, Manoel anunciou que colocaria em votação temas que foram sensíveis na última gestão. Dentre elas, a permissão de andar livremente com pets e a restrição de visitação.
Manoel chegou sem falar com a imprensa. Opositores se mobilizaram em frente ao prédio para juntar procurações com o objetivo de angariar votos suficientes para derrubar Manoel. No entanto, não informaram se vão propor uma chapa concorrente.
Opositores contaram que vão tentar obstruir a votação sob alegação de que não é permitido haver eleição de síndico em reunião extraordinária, segundo o regimento.
A reunião estava marcada para às 10h e começou 45 minutos depois, sob forte gritaria e vaias.
Um dos medos da oposição era a imposição de taxa para candidatura. Na última eleição houve obrigação de caução de R$ 4 milhões.
Desta vez, segundo os advogados do condomínio, não há cobrança. As exigências para candidatura são: formar chapa com 12 pessoas que estão em dia com as obrigações do condomínio.
Morador do prédio há seis anos, o gerente de marketing Welling Alcântara reclama da falta de transparência da gestão do condomínio. Estamos aqui para cobrar transparência. A gente sabe que o JK nunca teve muita transparência, só fomos notificados para essa assembleia um dia antes”, se queixa e acrescenta que, sim, outras chapas estão sendo montadas.
A argentina Julieta Rueda, moradora do Edifício JK desde 2015, já participou de uma chapa de oposição à gestão na eleição de 2022 diz que à época os integrantes sofreram com a falta de informação sobre o condomínio e, inclusive, foram perseguidos. Ela diz que um grupo de moradores está praticamente sem dormir nos últimos dias na tentativa de se organizar para tentar eleger um nome diferente para o prédio. Momentos antes da eleição, ela preferiu não abrir se participaria de uma chapa de eleição.










