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Eleição no JK é marcada por polêmicas e vitória de síndica pelo 37º ano

04/11/2020 às 20h38
edifício jk
(Moisés Teodoro/BHAZ)

Os moradores do edifício JK, no Centro de BH, participaram, na tarde desta quarta-feira (4), da assembleia que definiu o novo síndico do conjunto. A reunião reacendeu polêmicas antigas e foi marcada pela insatisfação de muitos residentes do local. No entanto, o resultado não indica nenhuma mudança. É que a vitória acabou ficando com a mesma gestão que comandou o espaço nos últimos 37 anos.

As polêmicas começaram antes mesmo da reunião, com vários moradores do conjunto insatisfeitos com a data escolhida. “A gente recebeu a notícia assim de última hora e a maioria dos moradores ficaram surpresos, porque é uma reunião que não é no prédio, marcada em horário comercial, que ninguém pode ir. Então foi algo que causou desconfiança”, disse ao BHAZ o morador Octávio Viggiano, membro da chapa “Nosso JK”, que concorreu com a atual gestão.

A convocação para a assembleia foi publicada, pela primeira vez, no dia 18 de outubro, mas os moradores só foram informados oficialmente – por meio de carta, conforme determina a convenção do condomínio – na última segunda-feira (2). Muitos não puderam participar da reunião e se indignaram com a decisão.

R$ 4 milhões para nova chapa

Além disso, os conflitos com a administração atual não são novidade. Mas desta vez, os moradores decidiram se posicionar mais abertamente. “Por causa dessa desconfiança, a gente resolveu se mostrar mais abertamente, mesmo sabendo que a possibilidade de ganhar alguma coisa nessa assembleia era pequena”, afirma Octávio. Mesmo com a derrota, a chapa conseguiu alguns avanços.

Um deles diz respeito a uma determinação que estipulava que as novas chapas teriam que desembolsar um valor de R$ 4 milhões para concorrer. Com a ajuda de uma equipe de advogados, a oposição conseguiu impedir a medida – que nem mesmo era uma das pautas iniciais na lista de reclamações do condomínio, segundo Viggiano. “Surgiu esse item extra pauta, que, para uma nova chapa se candidatar, teria que fazer um depósito de R$ 4 milhões, mas a gente conseguiu impugnar”, explicou.

Outro avanço da chapa, com respaldo dos advogados, foi conseguir estabelecer um plano de ação mais claro para entender quais são as demandas do condomínio. “Eles nos ajudaram muito nessa reunião, para quem quer alternância de poder. Nos ajudaram a desenvolver uma estratégia que vai passar primeiro pela avaliação das contas do condomínio, porque todo mundo acredita que precisa de uma análise mais detalhada. Ninguém sabe nem quanto a síndica ganha”, pontua Octávio.

Moradores X Administração

O conflito se estende ainda para outras questões do condomínio – algumas de cunho jurídico e outras de melhorias no cotidiano. “Isso tudo causa uma estranheza, todo mundo que mora aqui no JK conhece as dificuldades que há com a administração. Fizemos uma enquete no Instagram e 97% das pessoas responderam que já tiveram problemas, então o que a gente quer é mudar isso”, explica o concorrente.

Octávio avalia ainda que essas mudanças começam já na estrutura que é oferecida aos moradores: “Eu sou engenheiro, trabalho com energia, sei que, na questão de sustentabilidade, tem muita coisa que se pode fazer. A gente quer oferecer uma alternativa, mas, pelo que a gente viu, sem judicializar o processo não é muito possível”.

E é justamente no que diz respeito aos conflitos judiciais que a chapa se preocupa mais. “Temos umas desconfianças sérias na questão da dívida tributária do condomínio e da dívida trabalhista. Algumas pessoas já conseguiram consultar essas informações e os números são elevados”, afirma Octávio. “Muita gente está preocupada, o passivo judicial do condomínio é muito preocupante”, continua.

Propostas

As questões acima e outras foram abordadas em um plano de propostas desenvolvido pelo Nosso JK e apresentadas na assembleia de hoje. Dividido em dez etapas, o documento, ao qual o BHAZ teve acesso, propõe, além da análise das contas, a adoção de um portal de transparência para os moradores, uma atualização na convenção atual e a adoção de serviços por aplicativo dentro do conjunto.

Além disso, as propostas incluem ainda uma “atualização” do espaço, com portarias informatizadas, cadastro biométrico dos moradores e informações exatas sobre o fluxo de pessoas no espaço. O documento também defende que a facilitação do trabalho de gestões futuras, para evitar que o “JK do futuro” repita situações como a atual – com a mesma administração há quase 40 anos.

E agora?

Apesar da derrota, os integrantes da nova chapa ainda têm alguns planos traçados para tentar uma mudança no condomínio. E a estratégia começa por entender melhor as contas. “Vamos esperar a ata dessa assembleia, que sai daqui a oito dias, e começar o diagnóstico das contas do condomínio, porque, se a gente conseguir apurar alguma irregularidade nas contas, aí a gente tem todos os instrumentos jurídicos necessários para uma nova assembleia”, afirma Octávio.

O que diz a gestão atual?

O BHAZ tentou contato por meio de cinco números de telefone atribuídos à síndica reeleita do JK, mas não conseguiu contato em nenhum deles. A reportagem também tentou, sem sucesso, contato por meio do telefone da administração do conjunto.

Editado por: Aline Diniz

Giovanna Fávero

Editora no BHAZ desde março de 2023, cargo ocupado também em 2021. Antes, foi repórter também no portal. Foi subeditora no jornal Estado de Minas e participou de reportagens premiadas pela CDL/BH e pelo Sebrae. É formada em Jornalismo pela PUC Minas e pós-graduanda em Comunicação Digital e Redes Sociais pela Una.

Giovanna Fávero

Email: [email protected]

Editora no BHAZ desde março de 2023, cargo ocupado também em 2021. Antes, foi repórter também no portal. Foi subeditora no jornal Estado de Minas e participou de reportagens premiadas pela CDL/BH e pelo Sebrae. É formada em Jornalismo pela PUC Minas e pós-graduanda em Comunicação Digital e Redes Sociais pela Una.

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