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Polícia investiga morte de engenheira após inserção de balão gástrico em BH

13/05/2024 às 13h28 - Atualizado em 13/05/2024 às 14h28
engenheira morre balão gástrico
A Polícia Civil instaurou um inquérito policial para investigar a morte da engenheira Laura Fernandes Costa, de 31 anos (Reprodução/Redes sociais)

A Polícia Civil instaurou um inquérito policial para investigar a morte da engenheira Laura Fernandes Costa, de 31 anos. A mulher morreu 11 dias depois de colocar um balão intragástrico.

Laura foi submetida ao procedimento em 26 de abril em uma clínica localizada no Barreiro, em Belo Horizonte. Ao BHAZ, o advogado da família da engenheira, Lucimar Silveira, disse que a certidão de óbito apontou uma perfuração no estômago da paciente.

“As primeiras informações que temos, através de documentos, é que a causa da morte foi perfuração no estômago. Ou seja, não foi em decorrência da colocação do balão, foi algum procedimento equivocado que perfurou o estômago da Laura”, disse o advogado.

O balão intragástrico é inserido no estômago e utilizado para diminuir a necessidade de ingerir grande quantidade de alimentos. Ele é usado para auxiliar no emagrecimento, motivo pelo qual Laura teria realizado o procedimento.

Ela se casaria em setembro deste ano. “Os familiares estão consternados e indignados, era uma mulher de apenas 31 anos com avida toda pela frente. Pretendia se casar e constituir família nos próximos meses”, diz Lucimar.

Polícia investiga a morte

Em nota enviada ao BHAZ, a Polícia Civil disse que a vítima encontrava-se hospitalizada quando faleceu, em 7 de maio. Ela estava internada no Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em Nova Lima.

O óbito foi atestado pelo médico da unidade hospitalar e o corpo não chegou a ser encaminhado ao Instituto Médico Legal. Familiares procuraram a polícia para denunciar negligência médica.

“A instituição irá realizar as oitivas de testemunhas e envolvidos, solicitar os prontuários médicos da paciente, bem como, realizar todas as diligências necessárias visando a completa elucidação do caso. Outras informações poderão ser repassadas com o avanço dos trabalhos de polícia judiciária”, informou a Polícia Civil.

O que diz o médico?

A reportagem procurou a clínica responsável por inserir o balão intragástrico na paciente. Em nota, o médico Mauro Lúcio Jácome, por meio da Clínica Cronos, afirmou que o procedimento foi realizado “sem qualquer intercorrência” (leia na íntegra abaixo).

“O procedimento ocorreu sem qualquer intercorrência, sendo a paciente liberada com acompanhante, sem sintomas, com agendamento de retorno para o dia seguinte, para fins de acompanhamento, mas sem comparecimento da paciente. A paciente não atendeu aos chamados da clínica para retorno”, diz a nota.

Após pedido da paciente, segundo o médico, o balão intragástrico foi retirado em 2 de maio “também sem qualquer intercorrência”. O profissional disse ter orientado a paciente a retornar à clínica no dia seguinte, o que não ocorreu.

“Ocorre que, apesar da insistência por comunicação, a paciente não retornou contato, tampouco compareceu na clínica. Após 5 dias, houve informação sobre o procedimento cirúrgico a qual a paciente foi submetida, junto ao Hospital de Nova Lima, e, mais tarde, no mesmo dia, houve informação sobre o falecimento da paciente”, continua a nota.

O comunicado diz, ainda, que “a clínica e os seus profissionais não obtiveram ciência do estado de saúde da paciente, apesar da insistência, pois não houve comunicação, e, infelizmente, não foi possível auxílio, apesar da disponibilidade da clínica e seus profissionais”.

Nota da Clínica Cronos na íntegra

Primeiramente, a Clínica e os profissionais solidarizam-se com a dor da família. Em relação aos fatos, cumpre esclarecer que o procedimento de colocação de balão intragástrico é indicado para pacientes com sobrepeso ou obesidade, conforme literatura médica (imc 25 /consenso brasileiro de balão intragástriico ) sendo que todos os requisitos para tal procedimento foram atendidos no caso em questão.

Houve a contratação da Clínica para realização do referido procedimento, realizado em 26/04/2024, por médico especialista em endoscopia e cirurgia há mais de 20 anos, sendo referência profissional na área.

Importante esclarecer, que no Termo de Consentimento assinado deste procedimento são descritos os possíveis riscos constantes da literatura médica como complicações, sendo que todas as orientações e esclarecimentos foram informados à paciente.

O procedimento ocorreu sem qualquer intercorrência, sendo a paciente liberada com acompanhante, sem sintomas, com agendamento de retorno para o dia seguinte, para fins de acompanhamento, mas sem comparecimento da paciente. A paciente não atendeu aos chamados da Clínica para retorno.

Após, a pedido da paciente, o balão intragástrico foi retirado, em 02/05/2024, também sem qualquer intercorrência. A paciente deveria retornar à Clínica no dia seguinte, 03/05/2024, conforme retorno agendado, mas não retornou.

Ocorre que, apesar da insistência por comunicação, a paciente não retornou contato, tampouco compareceu na Clínica.

Após 05 dias, houve informação sobre o procedimento cirúrgico a qual a paciente foi submetida, junto ao Hospital de Nova Lima, e, mais tarde, no mesmo dia, houve informação sobre o falecimento da paciente. Segundo consta, houve aspiração pulmonar na entubação oro traqueal (IOT).

A Clínica e os seus profissionais não obtiveram ciência do estado de saúde da paciente, apesar da insistência, pois não houve comunicação, e, infelizmente, não foi possível auxílio, apesar da disponibilidade da Clínica e seus profissionais.

Ocorre que pessoas estão manifestando inverdades em redes sociais, acusando a Clínica e seus profissionais do crime de omissão de socorro, bem como erro médico, o que inexiste no presente caso.

Existem pessoas que estão afirmando que a Clínica negou a retirada do balão, o que é inverdade, pois o mesmo foi retirado em 02/05/2024, sem intercorrência.

Toda conduta médica está registrada no prontuário da paciente. A Clínica e os seus profissionais estão à disposição da família ou autoridades para prestar todo esclarecimento e apresentar toda documentação necessária, a fim de comprovar a inexistência de erro médico, omissão de socorro ou qualquer ato que desabone a conduta ilibada da Clínica e do seu corpo médico.

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
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Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
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