Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Douglas Garcia, pré-candidato a deputado estadual de São Paulo, filiado ao União, se envolveram em uma confusão, que terminou em pancadaria, nessa quarta-feira (22). O político foi à universidade mineira desafiando jovens a “provar” que o presidente Lula (PT) é melhor para o Brasil do que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com promessa de pagamento de R$ 500.
Para a estudante de Ciências Sociais e uma das gestoras do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), Júlia Costa, a ação de Douglas foi uma provocação planejada. “Não é como se eles fossem ali por acaso. Nas próprias redes sociais do Douglas é possível ver que ele faz isso de forma recorrente: vai até às universidades pra gerar conteúdo, porque sabe que vai haver uma reação contra o discurso anti-esquerda no geral”, observa.
A ação também contou com a presença de Marília Amaral, casada com o deputado estadual Cabo Junio Amaral (PL) e pré-candidata a deputada estadual de Minas Gerais. Segundo Júlia, a ideia dos dois foi usar pautas que eles tanto repudiam para se promover. “Pra mim, é de um mau-caratismo político absurdo eles falarem, por exemplo, que apanharam por ser mulher e negro, sendo que eles mesmo são contra essas pautas identitárias. A própria Marília foi uma das que votou contra o PL da misoginia”, relembra.
Integrante de uma das juventudes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), a estudante diz que não é à toa que a grande maioria dos jovens da Fafich sejam de esquerda, mas que nem todos são totalmente coniventes com o governo Lula. “São estudantes de psicologia, história, sabem muito bem para onde essa linha segue, mas é errado eles quererem pintar e associar a imagem da UFMG como um lugar que apoia 100% o Lula, sendo que a gente entende que esse governo também tem problemas, só que Bolsonaro nunca será uma opção viável”.
Veja o momento da briga:
Estudantes sofrem ameaças
Após as imagens da briga viralizarem, o pré-candidato Douglas Garcia divulgou um vídeo no qual expõe o nome e o número de alunos que, segundo ele, estariam premeditando um ataque contra ele. Com isso, alguns desses jovens passaram a receber ameaças, inclusive de morte. Um estudante trans, que terá o anonimato preservado, afirmou à reportagem que, em nenhum momento, houve planejamento de agressão, e que a ideia era apenas “cantar algumas palavras de ordem para mostrar a insatisfação com a presença dos políticos”.
“Começaram a me mandar muita mensagem, falando que eu era feio, e depois, comecei a receber mensagens piores, com tom de transfobia, mandando que tinham conseguido meu endereço, que viriam aqui em casa cometer um crime e que se eu me achava homem, ia morrer como um”, relata ao BHAZ.


O estudante Tarlei de Carvalho também afirma que vem recebendo ameaças. Ele presenciou o momento das agressões e alegou que os deputados estavam avançando para cima dos jovens de maneira bastante agressiva. “Eles estavam nos constrangendo e nos assediando, e a ideia dos estudantes era se defender, mas os deputados começaram a ficar muito agressivos, vindo pra cima. Um dos estudantes, inclusive, recebeu uma garrafada de metal na cabeça e foi parar na UPA, foi uma catástrofe”.

Júlia Costa confirma a versão dos dois. “A nossa ideia era só dar o grito de ordem, que é algo bastante comum nos movimentos estudantis. A gente sempre espera que não seja um embate violento, de fato. Tanto que nenhuma das conversas vazadas pelo Douglas mostra as pessoas incitando violência, até porque é exatamente o que eles querem, pra gerar conteúdo”, conclui.
O que diz o pré-candidato a deputado estadual?
Nas redes sociais, o pré-candidato disse apenas que todos que foram para cima dele “tiveram o mereceram”. A reportagem procurou Douglas e solicitou um posicionamento do político, mas, até a publicação desta matéria, não houve resposta.
A reportagem do BHAZ também procurou a pré-candidata a deputada estadual de Minas Gerais e aguarda retorno.










