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Caso Soraya: filho acusado de matar a mãe em BH perde direito à herança da professora

24/06/2026 às 14h10
Matteos França Campos é excluído do inventário
Matteos França Campos é excluído do inventário (Reprodução/Redes sociais)

Matteos França Campos, de 32 anos, acusado de matar a própria mãe, a professora Soraya Tatiana Bonfim França, em julho de 2025, em Belo Horizonte, foi excluído da sucessão da genitora, perdendo o direito de participar da divisão dos bens deixados por ela. A decisão foi tomada pelo juiz Antônio Leite de Pádua, da 4ª Vara de sucessões da Comarca de BH.

A família de Soraya entrou com a ação de exclusão de herdeiro por indignidade do acusado. No pedido, os autores afirmaram que o réu confessou, em depoimento perante autoridade policial, ter assassinado a mãe por meio de asfixia mecânica, em 18 de julho de 2025.

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Na contestação, Matteos França argumentou que uma eventual condenação já resultaria automaticamente em sua exclusão da herança, tornando desnecessária a ação de indignidade movida pela família. Ele também defendeu que o processo deveria ficar suspenso até a conclusão definitiva da ação penal, com o trânsito em julgado da sentença criminal. Além disso, pediu a extinção da ação, sem análise do mérito, alegando falta de interesse processual por parte dos autores.

Na decisão, o juiz destacou que as esferas cível, penal e administrativa são independentes entre si. Isso significa que cada uma pode gerar processos e aplicar sanções próprias, sem depender necessariamente das demais. O magistrado também explicou que, embora o Código Civil preveja a exclusão automática da herança em determinadas situações após uma condenação criminal definitiva, essa regra não impede que os familiares interessados recorram à Justiça na esfera cível para obter uma declaração formal de indignidade, que retira o direito do herdeiro de participar da sucessão.

Relembre o caso

A morte da professora Soraya Tatiana Bomfim, de 56 anos, chocou o país. Ela desapareceu no dia 18 de julho e foi encontrada morta dois dias depois, sob um viaduto em Vespasiano, na Grande BH.

Soraya era professora de história no Colégio Santa Marcelina desde 2017 e coordenava projetos voltados para cidadania e justiça social. Ela era muito querida por alunos e colegas, sendo lembrada pelo sorriso e dedicação ao ensino.

Conforme a investigação da Polícia Civil (PCMG), Soraya foi morta entre 17h e 19h da sexta-feira (18). Matteos disse que a enforcou. O investigado disse ainda que colocou o corpo da mãe no porta-malas do carro dela e foi até o local onde foi abandonado.

Inicialmente, foi Matteos quem registrou o desaparecimento da mãe e relatou à polícia que ela estava em casa na noite do crime. No entanto, contradições no depoimento levantaram suspeitas, e ele acabou preso no dia 25 de julho. Em depoimento, ele confessou ter matado a mãe após uma discussão motivada por dívidas com empréstimos e jogos online.

Matteos trabalhava como assessor da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais desde 2021. Após a confissão, ele foi exonerado do cargo.

Isadora Vianna

Estudante de jornalismo pela PUC Minas e estagiária do BHAZ desde fevereiro de 2026. Atuou na redação da Record Minas e na comunicação interna do Grupo Valence

Isadora Vianna

Email: [email protected]

Estagiária do BHAZ

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