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Fotógrafo mineiro que desapareceu em Paris foi flagrado por câmeras deixando celular em vaso de planta

02/01/2025 às 10h37
(Reprodução/Instagram)

A polícia francesa descobriu novos detalhes sobre o caso do fotógrafo mineiro Flávio de Castro Sousa, de 36 anos, que desapareceu em Paris no último 26 de novembro. Câmeras de segurança revelaram que o celular achado no vaso de plantas de um restaurante foi deixado por ele mesmo. As informações foram divulgadas nas redes sociais pela prima do fotógrafo.

“De onde o Flávio passou, foram analisadas as câmeras perto daquele restaurante onde foi encontrado o celular dele. E foi verificado que foi o próprio Flávio que deixou o celular no vaso de plantas”, contou a advogada Carolina Castro. De acordo com ela, após isso, o fotógrafo se “direcionou para uma das margens do rio Sena”.

“Ele ficou lá por um período de tempo. Período em que tinha uma câmera de monitoramento urbano que captou a imagem dele e focava bem o local onde ele estava. Então, não há dúvidas de que era ele que estava lá”, disse Castro.

Esse teria sido o último registro do fotógrafo. A advogada detalhou que essa câmera de monitoramento urbano fez uma rotação 360º e, quando retornou, Flávio não estava mais no mesmo local.

“Outra coisa, foi informado que foram analisadas as imagens das câmeras ao entorno para ver se ele poderia ter ido para um lado, para o outro, para trás. E não foi achada nenhuma imagem daquele período em que fosse detectado onde o Flávio passaria. Então, assim, nós não temos uma certeza, nós não temos uma conclusão”, explicou ela.

Flávio está desaparecido desde o dia 26 de novembro, quando deveria ter retornado de uma viagem a Paris, capital da França. Veja a seguir tudo que se sabe sobre o caso, até agora, sem solução.

Quem é Flávio de Castro e o que ele fazia em Paris?

Flávio de Castro, de 36 anos, é um fotógrafo mineiro, dono de um estúdio especializado em registros de casamentos em Belo Horizonte. A família do profissional é da cidade de Candeias, no Campo das Vertentes.

Ele e o sócio foram para Paris no dia 1º de novembro para fotografar uma cerimônia. Eles realizaram o trabalho e Flávio decidiu estender a temporada na cidade até o fim do mês para descansar.

Quando houve o desaparecimento?

O último contato de Flávio com amigos ocorreu na tarde do dia 26 de novembro, uma terça-feira. A mensagem enviada a um colega francês dizia que ele iria descansar, já que havia sofrido um acidente no dia anterior e teria perdido o voo de volta ao Brasil. O check-in já estava concluído na companhia aérea, mas o fotógrafo decidiu estender a estadia. Na data, ele fez contato com a empresa responsável pelo aluguel para ampliar o contrato.

A última mensagem enviada por Flávio foi por volta das 14h25, no horário de Paris. Às 19h02, o colega escreve perguntando se o brasileiro ainda estava dormindo, mas não há resposta.

O que houve com o fotógrafo na noite anterior?

De acordo com amigos ligados à investigação, Flávio de Castro caiu dentro do rio Sena, curso d’água turístico que corta a capital francesa, um dia antes de desparecer. As circunstâncias da queda não foram esclarecidas, mas os colegas confirmaram com o hospital Européen Georges-Pompidou que o brasileiro foi atendido na unidade após o resgate. O laudo médico não foi divulgado.

Segundo as informações colhidas até o momento, enquanto estava no hospital e após deixar a unidade de saúde no fim da manhã de terça-feira (26), Flávio conversou via mensagem de texto com o amigo francês. O estrangeiro foi um dos últimos a ter contato com o brasileiro.

O fotógrafo foi roubado?

Até o momento, não há indícios de que o fotógrafo Flávio de Castro tenha sido roubado. O apartamento onde ele estava foi achado fechado, sem sinais de arrombamento. A mochila e a mala do brasileiro estavam dentro do imóvel, com todos os documentos, cartões e o computador do fotógrafo.

O celular dele foi achado na manhã da quarta-feira (27), um dia após o desaparecimento, dentro de um vaso de plantas em frente a um restaurante próximo ao rio Sena. O aparelho foi localizado por pedestres, que o deixaram com a gerência do estabelecimento. Quando a mãe do fotógrafo ligou para tentar falar com ele, funcionários atenderam e explicaram a mulher como haviam encontrado o telefone.

A mala de Flávio, que estava trancada, foi aberta pela Polícia Federal na sede da Embaixada do Brasil na França. Amigos e autoridades consulares acompanharam o procedimento. Os agentes não identificaram elementos que podem desvendar o paradeiro dele.

Quem está investigando o caso?

O desaparecimento de Flávio de Castro mobilizou pessoas no Brasil e na França. O alerta sobre o sumiço foi feito pelo colega francês, após não conseguir contato com o fotógrafo.

Brasileiros que são amigos de Flávio e vivem em Paris se juntaram nas buscas e coordenam uma força-tarefa independente dos órgãos oficiais na procura por informações.

O grupo tem espalhado cartazes por Paris e feito campanhas nas redes sociais. Eles também tentam rastrear os últimos passos do fotógrafo antes do desaparecimento.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) também acompanha o caso, juntamente à Polícia Federal brasileira. O governador Romeu Zema (Novo) enviou um ofício à embaixada pedindo que mantenha o Governo de Minas Gerais atualizado sobre o caso.

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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