A Justiça mineira negou o pedido da defesa para que André Junio Silva de Carvalho fosse submetido a exame de insanidade mental. Ele é investigado pelo feminicídio de Stifanie Firmino Silva, de 35 anos, encontrada morta dentro do próprio apartamento, no bairro Camargos, na região Noroeste de Belo Horizonte.
De acordo com a decisão, a juíza considerou que não há, nos autos, documentação, prontuário médico ou estudo social que indique comprometimento da saúde mental do investigado. A magistrada também apontou que, até o momento, não existe dúvida razoável sobre a capacidade de André de compreender o caráter criminoso da própria conduta.
A defesa também havia solicitado que a Justiça determinasse uma série de novas diligências na investigação. Entre os pedidos estavam exames toxicológicos no cadáver da vítima e no investigado, perícias em medicamentos apreendidos, relatório de entomologia forense, perícia entomo toxicológica, juntada de laudos e levantamento fotográfico, além de uma reprodução simulada dos fatos.
Segundo a decisão, os pedidos foram negados porque cabe à autoridade policial conduzir a investigação e avaliar quais diligências são necessárias para esclarecer o caso. A defesa deverá apresentar as solicitações diretamente à Polícia Civil, que poderá analisar a conveniência e a necessidade de realização dos procedimentos.
Relembre o caso
Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta em 20 de julho, em um apartamento no bairro Camargos, na região Noroeste de BH. De acordo com informações preliminares, ela estava de atestado do trabalho desde a semana anterior e, por isso, o corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição.
Uma vizinha, que preferiu não se identificar, relatou que Stifanie era uma pessoa que enfrentava um quadro de sofrimento psicológico. Conforme contou ao BHAZ, a saúde mental da mulher havia piorado drasticamente após a perda recente da mãe e do irmão, falecido há cerca de dois anos. Em conversas com conhecidos, ela desabafava dizendo que se sentia “sozinha no mundo”. Devido ao estado de vulnerabilidade emocional, a mulher estava afastada do trabalho por 10 dias no momento em que o crime ocorreu.
No último encontro entre as duas, Stifanie percebeu a preocupação da amiga e perguntou: “Você tá preocupada comigo, né?”. Diante da confirmação, ela tranquilizou a vizinha dizendo que estava “melhor”. A amiga contou que, na ocasião, tentou dar forças à mulher. “Pega com Deus que isso tudo vai passar, porque é muito difícil”, relatou.
A vizinha classificou o caso como um “feminicídio” e lamentou que crimes contra mulheres muitas vezes acabem apenas nas estatísticas.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que André deixou o apartamento da vítima. Após ser orientado por amigos e familiares, ele se entregou voluntariamente às autoridades. André foi preso em flagrante.
Em 23 de julho, a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva pela Justiça. De acordo com a decisão judicial, havia indícios suficientes de autoria e materialidade do crime. Embora André seja primário, o magistrado considerou que a gravidade do caso justificava a manutenção da prisão preventiva.
André permanece preso enquanto as investigações sobre a morte de Stifanie seguem.








