Duzentas e trinta e oito escolas de Belo Horizonte integram o ranking de desempenho nacional do Enem 2025, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Entre as 20 instituições mais bem colocadas em BH, 18 são da rede particular e apenas duas da rede pública: o Colégio Militar e o Colégio Técnico da UFMG (Coltec). Veja abaixo a lista com as melhores escolas públicas de BH!
Do total de instituições de ensino da capital mineira presentes na lista, 125 são da rede estadual (52,5%), 109 da rede privada (45,8%), três da rede federal (1,3%) e uma da rede municipal (0,4%).
O líder do ranking de BH é o Colégio Santo Agostinho, localizado no bairro Funcionários, região Centro-Sul, com média de 751,45 pontos nas provas do exame. No cálculo, o MEC considera as notas obtidas pelos alunos nas provas objetivas do exame. Além disso, são excluídos os estudantes ausentes e as escolas com menos de 10 alunos participantes.
Já entre as escolas públicas de BH, as mais bem colocadas no ranking são o Colégio Militar, na 7ª posição, o Colégio Técnico da UFMG (Coltec), na 10ª, e o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), na 22ª.
O top 10 da rede pública da capital também inclui as unidades Nossa Senhora das Vitórias, Argentino Madeira, Gameleira e Minas Caixa do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), além das escolas estaduais Maria Luiza Miranda Bastos, Pedro II e Ordem e Progresso.
Veja a lista das 20 melhores escolas públicas de BH
| BH | Escola | Rede | Média Geral |
| 7º | COLÉGIO MILITAR DE BELO HORIZONTE | Federal | 680,14 |
| 10 | UFMG – COLÉGIO TECNICO | Federal | 660,95 |
| 22 | CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS | Federal | 643,35 |
| 70 | COLÉGIO TIRADENTES DA PMMG UNIDADE NOSSA SRA DAS VITORIAS | Estadual | 593,13 |
| 91 | COLÉGIO TIRADENTES PMMG – UNIDADE ARGENTINO MADEIRA | Estadual | 588,55 |
| 92 | COLÉGIO TIRADENTES PMMG GAMELEIRA | Estadual | 576,64 |
| 98 | COLÉGIO TIRADENTES PMMG MINAS CAIXA | Estadual | 572,08 |
| 116 | EE PROFESSOR MORAIS | Estadual | 538,42 |
| 118 | EE GOVERNADOR MILTON CAMPOS | Estadual | 532,37 |
| 117 | EE ANITA BRINA BRANDÃOO | Estadual | 531,88 |
| 119 | EE MADRE CARMELITA | Estadual | 529,04 |
| 122 | EE PROFESSOR AFFONSO NEVES | Estadual | 528,88 |
| 120 | EE PROFESSOR CLÓVIS SALGADO | Estadual | 528,46 |
| 111 | EE MARIA LUIZA MIRANDA BASTOS | Estadual | 528,15 |
| 142 | CENTRO INTERESCOLAR DE CULTURA ARTE LINGUAGENS E TECNOLOGIAS | Estadual | 526,17 |
| 130 | EE CAIO NELSON DE SENA | Estadual | 525,69 |
| 121 | EE TRÊS PODERES | Estadual | 525,61 |
| 123 | EE SAGRADA FAMILIA II | Estadual | 524,54 |
| 139 | EE PROFESSOR HILTON ROCHA | Estadual | 523,99 |
Clique no link a seguir para conferir a lista completa de escolas públicas de BH no site do Inep.
Escolas particulares em BH lideram ranking nacional
BH tem cinco escolas entre as 50 instituições de ensino com melhor desempenho do Brasil no Enem 2025, sendo todas particulares.
Além do Colégio Santo Antônio, estão no ranking o Colégio Coleguium Ouro Preto, em 18º lugar, o Colégio Bernoulli, em 25º, o Colégio Santa Marcelina, em 32º, e o Colégio Santo Agostinho, em 43º.
No ano passado, o Coleguium aparecia na primeira posição entre as escolas de Belo Horizonte, seguido pelo Santo Antônio. Neste ano houve uma inversão no topo. Os colégios Bernoulli e Santa Marcelina mantiveram as posições no ranking da capital mineira.
Outra mudança é que o Colégio Santo Agostinho passou a ocupar a quinta posição, que um ano antes havia ficado com o Colégio Militar de Belo Horizonte (neste ano, ele pulou para a 102ª posição do ranking nacional).
Desigualdade socioecômica
O professor aposentado do Departamento de Ciências Aplicadas à Educação da UFMG e professor visitante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luciano Mendes, avalia que o desempenho das escolas no Enem está diretamente relacionado às desigualdades socioeconômicas, que influenciam o acesso dos estudantes a bens culturais valorizados no ambiente escolar e acrescenta que há um fator extra estudado na academia que mostra a relevância maior dos colégios para os alunos mais pobres chamado ‘efeito escola’.
Segundo ele, a desigualdade de renda, refletida no acesso aos livros, a museus e outros elementos valorizados na cultura escolar, é um fator que torna essa competição díspare.
Na avaliação do pesquisador, a desigualdade também se manifesta na estrutura das escolas. Enquanto a rede privada conta com um investimento significativamente maior por estudante, a pública enfrenta limitações que afetam desde a infraestrutura até as condições de trabalho dos professores. “O investimento per capita, por exemplo, nas instituições privadas, considerando o que as famílias investem, é muito superior àquilo que o Estado destina à rede pública”, afirma Mendes.
Essa diferença também aparece nos investimentos realizados pelo país. Segundo o relatório Education at a Glance 2024, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil investe, em média, US$ 3.668 (cerca de R$ 18,9 mil) por aluno ao ano. Nos países desenvolvidos, o valor mais que triplica e chega a US$ 11.914 (R$ 61,8 mil). Para Luciano, esse cenário ajuda a explicar por que as primeiras escolas públicas a aparecerem no ranking são, em sua maioria, instituições federais.
“Quando você separa a educação básica do ensino superior, é nítido que o investimento na educação básica é muito pequeno. E não é de surpreender que as primeiras escolas públicas que aparecem sejam justamente as federais, porque o investimento do Estado nelas está muito próximo do que é feito, per capita, nas particulares. Ou seja, são professores que têm mais condições de trabalho e menos alunos”, relatou.
Embora os rankings deem a impressão de que as escolas privadas oferecem uma educação superior, Luciano argumenta que esse tipo de comparação desconsidera as diferenças de contexto entre os estudantes. Ele cita estudos sobre o chamado ‘efeito escola’, que medem quanto uma instituição contribui para a aprendizagem depois de considerados fatores como a renda familiar.
“Existe um grande número de professores da UFMG e do Brasil que estudam o ‘efeito escola’. Isto é, considerando a condição dos estudantes da rede pública, a instituição contribui melhor para a formação. Os meninos de classe média são alfabetizados com ou sem método. Eles já chegam alfabetizados de casa, porque têm acesso à cultura escrita, à leitura, aos livros. É isso que faz a diferença, e não um método ou outro”, concluiu.










