Moradores de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, denunciam problemas causados por uma obra de bacia de contenção que se arrasta há cerca de quatro anos na rua Arterial, no bairro Santa Maria. Ao BHAZ, a moradora Marcilene Cardoso contou que a intervenção, que deveria reduzir alagamentos, tem provocado o efeito contrário: toda vez que chove, a via fica inundada, trazendo transtornos, insegurança e prejuízos para quem vive ne região.
Marcilene explica que a maior parte do recurso da obra é da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). “Eles já mudaram várias vezes a placa com o cronograma de finalização da obra. Ano passado falaram que ia terminar, depois prorrogaram. Chegou a época de chuva, falaram que iam voltar só no outro ano. Aí, bem no dia primeiro também de 2025, a rua alagou da mesma forma que alagou dessa vez”.
Conforme a moradora, em períodos de chuva forte, a água fica acumulada próximo ao muro da bacia de contenção, e, mesmo com várias denúncia, a secretaria ainda não tomou nenhum providência. “Nós tivemos reuniões com a prefeitura, que cobrou a Seinfra. Eles informaram que iriam fazer uma boca de lobo e uma ligação para a água cair dentro da bacia, mas só prometeram e não entregaram nada”, destaca.
Sem uma previsão para que o problema seja solucionado, Marcilene fala sobre os impactos que os alagamentos provocam na vida dos moradores. “É a nossa segurança que está em risco. O local ficou mais ermo, porque não dá pra passar. A iluminação foi prejudicada, várias ruas chegaram a ser fechadas e a região acabou ficando abandonada. Isso impacta em tudo: segurança, limpeza e até na desvalorização dos imóveis”, relata.
O que diz a Seinfra?
Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) esclarece que a obra apresenta, neste momento, pendências pontuais relacionadas à etapa de urbanização e que esses serviços foram impactados, principalmente, pelo volume elevado de chuvas registrado recentemente na região.
Ainda segundo a Seinfra, há intervenções complementares necessárias que não fazem parte do escopo do contrato vigente. Essas ações deverão ser viabilizadas em etapas futuras, por meio de novos processos licitatórios, em parceria com a Prefeitura Municipal.
“Como medida imediata, a Secretaria já está programando a execução de serviços emergenciais, voltados à redução dos impactos à população. A situação segue sob acompanhamento técnico permanente, com adoção das medidas cabíveis, dentro das condições contratuais e operacionais vigentes.
O que diz a prefeitura?
A Prefeitura de Contagem informou que o município tem atuado de forma contínua, desde 2021, em diversas frentes para reduzir os impactos do período chuvoso e evitar maiores intercorrências à população. Entre as ações, está a construção de bacias de contenção e a elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana e Manejo das Águas Pluviais, cuja implantação teve início no ano passado e que prevê projetos e intervenções ao longo dos próximos 20 anos.
De acordo com o Executivo, já foi entregue em 2025 a bacia B3, localizada na antiga Vila PTO, construída pela Prefeitura com recursos do governo do Estado. Outras duas estruturas, a bacia B5A, na avenida Arterial, no bairro Parque Industrial, e a bacia B2, na avenida Rio Volga, no bairro Riacho das Pedras, estão em fase de conclusão e foram executadas pelo Estado.
Ainda segundo a prefeitura, há outras obras em andamento ou em fase inicial. A bacia B4, localizada na antiga Vila Itaú, é construída pelo município com recursos estaduais e tem previsão de conclusão total em novembro de 2026. Além disso, está prevista a construção de mais uma bacia de contenção e de um reservatório nas áreas onde hoje se encontram as vilas Samag e Marimbondo. Para essas intervenções, o município informou que está em fase de negociação com as famílias para indenização e demolição das residências, com expectativa de início das obras em meados de 2026.










