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Motorista que arrastou instrutor de autoescola em BH responde em liberdade; polícia divulga novo vídeo

24/04/2023 às 14h02
Instrutor de autoescola arrastado
Alessandro teve a morte cerebral constatada três dias após ser atropelado (Polícia Civil/Divulgação + Reprodução/Instagram)

O motorista que arrastou o instrutor de autoescola Alessandro Gomes de Carvalho no capô do carro em Belo Horizonte, no dia 13 de abril, responde em liberdade pelo crime. A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (24).

O suspeito, que é motorista de aplicativo e cozinheiro, se apresentou à polícia acompanhado do advogado, dias após o crime. De acordo com o delegado Rômulo Dias, titular da Divisão Especializada em Prevenção e Investigação de Crimes de Trânsito, ele não foi preso porque o prazo para o flagrante já havia se esgotado.

A Polícia Civil já ouviu todos os envolvidos e aguarda a conclusão de alguns laudos para finalizar as investigações. A corporação também divulgou um novo vídeo que mostra o início da confusão.

Somente com a conclusão do inquérito a Polícia Civil vai apontar se o suspeito será indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) ou doloso (quando o autor assume o risco ou tem intenção de matar).

Alessandro Gomes de Carvalho teve a morte cerebral constatada três dias após ser arrastado pelo suspeito, que dirigia um carro que bateu no veículo em que o instrutor de autoescola estava, no bairro Floramar, região Norte de Belo Horizonte. No dia 17 de abril, o óbito foi confirmado.

‘Dano quase imperceptível’

As investigações da Polícia Civil confirmam a versão inicialmente relatada pelo aluno do instrutor à Polícia Militar: o motorista suspeito bateu com o Volkswagen Voyage na traseira do carro da autoescola, e ele e Alessandro saíram dos veículos para conversar sobre a colisão.

Segundo o depoimento do suspeito, Alessandro Gomes de Carvalho teria ficado muito nervoso, gritando e dando socos no Voyage. No entanto, conforme testemunhas ouvidas e vídeos analisados pela polícia, não há evidências de que o instrutor da autoescola tenha demonstrado sinais de agressividade.

Ainda de acordo com o delegado Rômulo Dias, o dano provocado pela batida é “quase imperceptível” e poderia ser consertado com cerca de R$ 200 a R$ 300. Para ele, a morte que resultou de um pequeno acidente é exemplo da intolerância da população no trânsito.

A investigação da Polícia Civil também aponta que Alessandro provavelmente caiu no chão e bateu a cabeça quando o motorista do Voyage colidiu com outro veículo, enquanto o instrutor estava em cima do capô. O dono do terceiro carro envolvido também foi ouvido pelos delegados.

Relembre

No dia 13 de abril, Alessandro Gomes Carvalho ele dava aulas de direção para um jovem de 19 anos em um Fiat Mobi. Quando eles passavam pela rua José Lima de Almeida, um Volkswagen Voyage bateu contra a traseira do carro em que estavam o instrutor e o aluno.

Conforme relato do aluno à Polícia Militar, Alessandro e o motorista do Voyage estacionaram os carros e desceram para falar sobre a situação. Inicialmente, os dois conversaram de forma amigável, mas, quando Alessandro sugeriu que eles registrassem uma ocorrência policial, o homem disse que iria embora.

Quando o motorista do Voyage entrou no carro, o instrutor se pendurou em cima do capô, na tentativa de impedir a fuga. Mesmo assim, o condutor ligou o veículo e seguiu dirigindo até a rua Tomaz Amâncio da Silva, quando Alessandro não conseguiu mais se segurar e caiu no asfalto após ficar pendurado no capô e na janela do motorista.

Alessandro Gomes de Carvalho foi levado ao hospital Risoleta Neves e passou dias internado, mas não resistiu. Ele teve a morte cerebral constatada na manhã do dia 16, aos 48 anos. O óbito foi declarado às 8h35 do dia 17, segundo relato da família ao BHAZ. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal).

Editado por: Roberth R Costa

Sofia Leão

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.
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Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.
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