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Pampulha: Jacaré, bares, bikes, pôr do sol e outras atividades e curiosidades da região

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Prefeitura notifica imóveis na Pampulha para fazer obras na rede de esgoto (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

O Conjunto Arquitetônico da Pampulha completa 80 anos neste 16 de maio, com programação especial de longa duração no decorrer de 2023.

Uma das regiões mais emblemáticas de Belo Horizonte, além da arquitetura e da paisagem, a Pampulha abriga diversas opções de atividades. Entre programações turísticas, culturais, esportivas e gastronômicas, a região oferece programas para quase todos.

O BHAZ preparou um guia completo sobre a região. Conheça a história, as curiosidades e saiba o que fazer na Pampulha.

Lagoa da Pampulha

Um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha está no coração da região. Ao longo da avenida Otacílio Negrão de Lima, o trecho tem ciclovia e é rodeado por diversos restaurantes, hotéis, museus e pontos turísticos de BH.

(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

A lagoa é natural ou artificial?

A lagoa da Pampulha começou a ser construída em 1936, na gestão de Otacílio Negrão de Lima como prefeito de Belo Horizonte. O objetivo era criar uma barragem para formar uma represa, que desempenharia o papel de reservatório de água para a capital mineira.

Na visão do prefeito, a lagoa, inaugurada em 1938, também poderia servir para a prática de esportes. Em 1968, a avenida pavimentada ao redor da lagoa passou a levar o nome de Otacílio Negrão de Lima.

Alguns anos após a construção da lagoa, já durante a gestão municipal de Juscelino Kubitschek, veio a ideia do complexo arquitetônico, que viria a englobar mais atrações turísticas e de lazer ao redor da lagoa. O projeto foi assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer (saiba mais abaixo).

Jacarés, capivaras, biguás: os animais da Lagoa da Pampulha

A Lagoa da Pampulha é a casa de diversos animais que se tornaram símbolos na região, como jacarés, capivaras, garças e biguás.

Eles não estão sozinhos: a bacia abriga centenas de espécies de animais, entre mamíferos, répteis, insetos e aves.

“O monitoramento de fauna feito na Lagoa da Pampulha desde 2012 contabiliza mais de 200 espécies de animais. Identificamos em torno de 10 espécies de mamíferos, 18 de anfíbios, 13 de répteis, 165 de aves e dezenas de espécies de insetos e peixes”, destaca Leonardo Maciel, gerente de Defesa dos Animais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura de Belo Horizonte.

Saiba quais são os principais animais que habitam a lagoa, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente:

Mamíferos
Animais identificados: gambás, capivaras, tapetis (coelhos selvagens), paca, rato do mato, porco espinho, furão, esquilo, sagui, preá. Os mamíferos constituem a menor parcela da comunidade de animais no local.

Répteis e anfíbios
Animais identificados: rãs, cágados, calangos, lagartixas, sapos, jacarés, pererecas, teiús e tartarugas.

Aves
Constituem a maioria da comunidade de animais, com mais de 165 espécies diferentes. Já foram identificados: bem-te-vis, sanhaços, garças, patos, gansos, mergulhões, pombos como a Asa-Branca, anús, beija-flores, frango d’água, saracuras, jaçanãs, maçarico, socós, colhereiros, águias, gaviões, falcões, corujas, pica-paus, carcarás, joão-de barro, andorinhas, sabiás, tico-ticos, canários, coleiro, cardeal, saíras, gralhas e outros.

Em relação a espécies ameaçadas de extinção, Leonardo Maciel cita o colhereiro Platalea ajaja e a jandaia de testa vermelha Aratinga auricapillus.

Aves representam a maioria dos animais na lagoa (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Como os animais vieram parar na Lagoa?

Diante da diversidade de espécies habitantes da lagoa, é comum se perguntar como os animais se firmaram no local. “A criação da lagoa favoreceu algumas espécies ao fornecer local para descanso, alimentação e reprodução”, inicia Leonardo Maciel.

As aves têm uma característica peculiar, transitando e movimentando mais do que outros grupos de animais. “As aves que vivem na Lagoa transitam entre outros pontos do Município e municípios vizinhos, e às vezes utilizam o local apenas como dormitório, ou apenas para alimentação, indo e vindo a locais próximos”, ressalta Maciel.

Você sabia que uma espécie de ave vem de lá da América do Norte em direção à Lagoa da Pampulha? “O maçarico solitário (tringa solitaria) vem do Alasca e do Canadá na época do inverno no Hemisfério Norte para se abrigar e se reproduzir na Pampulha, voltando ao Norte na estação seguinte”, informa. 

Para Maciel, a biodiversidade na lagoa apresenta “riqueza ímpar”, principalmente no que tange a uma fauna urbana.

“É um convite ao turismo de observação e à reflexão sobre o que cada um de nós pode fazer pela preservação do meio ambiente, como destinação dos resíduos e respeito a todas as espécies como partes integrantes do quebra cabeça que é o meio ambiente saudável essencial à nossa sobrevivência”, celebra.

A lagoa abriga dezenas de espécies de animais (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Como os animais vivem em meio à poluição?

De acordo com o especialista, o assoreamento no local (acúmulo de terra, lixo e matéria orgânica no fundo da lagoa) pode até favorecer a estadia de um maior número de aves.

“Ele proporciona maior quantidade de vegetação e bancos de areia. Assim, há o desafio de coordenar as ações de desassoreamento e a conservação das espécies. Os animais não são inseridos na lagoa, eles se movimentam desde que haja condições ambientais adequadas”.

Mas como os diversos animais conseguem sobreviver nos pontos poluídos da lagoa? Leonardo esclarece: “A natureza é resiliente. As águas da Pampulha apresentam características diferentes em sua composição e grau de poluição de acordo com o local, que é muito amplo. A fauna tem se adaptado, se multiplicado e resistido mantendo uma rica diversidade e com uma complexa rede de interação entre as espécies”.

Aves na lagoa (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Jacarés da Pampulha

Em junho de 2022, uma família de jacarés foi flagrada “tomando um solzinho” na lagoa. Na imagem, é possível ver que o jacaré tinha diversos filhotes em cima dele, todos muito bem acomodados.

Segundo Leonardo Maciel, no primeiro censo, foram contabilizados 17 jacarés. Recentemente, a PBH identificou o nascimento de mais de doze filhotes.

“A taxa de nascimentos é baixa e os filhotes sofrem alta pressão de predação de aves carnívoras, A grande maioria não atinge a idade adulta e são todos de uma mesma espécie, o jacaré-de-papo-amarelo”, explica Maciel.

Segundo o especialista, esse jacaré não oferece perigo para a espécie humana – exceto em tentativa de tocar os animais, que tendem a fugir do contato humano.

A PBH monitora os animais e não identificou até o momento risco de superpopulação e necessidade de intervenção nessa espécie.

(Divulgação/Antônio Rodrigues/PBH)

As capivaras da Pampulha vão ser extintas?

As capivaras também são velhas conhecidas da lagoa e temas de memes sobre o local. Elas têm sido objeto de manejo desde 2017, quando mais de 50 foram submetidas a vasectomia e ligadura de trompas.

“Com uma expectativa de vida em torno de cinco a oito anos, atualmente, a população tem se restringido bastante e espera-se a ausência de animais do local nos próximos anos”, afirma Leonardo Maciel.

A ação foi parte de um programa de combate à febre maculosa da Gerência de Defesa dos Animais da prefeitura. “A doença somente acontece nas capivaras filhotes. Então, sem nascimentos, sem febre maculosa em expansão”, diz Maciel.

O gerente destaca que, desde o início do manejo, não foram observadas mais mortes humanos causadas por febre maculosa. Porém, Maciel ressalta que deve haver constância nos cuidados com atividades ao ar livre, a observação de presença de carrapatos no corpo e a procura por ajuda médica, se necessário.

Capivaras da lagoa estão sendo esterilizadas (Carlos Avelin/PBH)

Onde ver o pôr do sol e a vista na lagoa?

Existem diversos locais propícios para apreciar a vista de um dos cartões-postais mais emblemáticos de BH.
Mirantes e outros locais espalhados pela orla são ideais para quem procura um cantinho tranquilo com sombra e água fresca. Evidentemente, também é possível tirar fotos para postar nas redes sociais ou guardar de recordação.

Confira algumas indicações:

Mirante Niemeyer

Próximo à Casa Kubitschek, o mirante tem um deck em uma parte coberta. A vista abrange locais como Igrejinha da Pampulha, Mineirão, Mineirinho e Iate Tênis Clube. O local também permite estacionar bicicletas, para quem vai pedalando (foto abaixo).

Onde? Avenida Otacílio Negrão de Lima, em frente ao número 4.136

Mirante Niemeyer tem vista para Mineirinho, Mineirão, Igreja e mais (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Mirante Bandeirantes

No local, está o simbólico monumento da Eterna Modernidade, criado pela escultora Vânia Braga em parceria com o artista plástico Diego Rodrigues. A obra retrata Juscelino Kubitschek e os três principais artistas que projetaram a Pampulha: Oscar Niemeyer, Burle Marx e Cândido Portinari.

O Mirante Bandeirantes também disponibiliza uma luneta para quem quiser ter uma visão diferenciada e mais apurada sobre a paisagem.

Onde? Avenida Otacílio Negrão de Lima, 4.200

O Mirante Bandeirantes possui um monumento dedicado a JK, Niemeyer, Burle Marx e Portinari (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Praça de Iemanjá

O ponto abriga o monumento a Iemanjá, esculpido pelo artista José Synfronini e inaugurado em 24 de abril de 1982. A obra de 500 kg mede 2 metros de altura. Em 2003, a escultura foi fixada no espelho d’água, a aproximadamente 10 metros da beira da lagoa.

Já em 2007, foi inaugurado o Portal da Memória, feito em homenagem às matrizes culturais africanas em Belo Horizonte. A obra foi assinada pelo artista Jorge dos Anjos.

Praça de Iemanjá também é local de oferendas (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Mais do que um ponto para apreciar a vista da Lagoa, a Praça de Iemanjá também simboliza um local onde as pessoas fazem oferendas. Desde 1953, o lugar recebe a Festa de Iemanjá, patrimônio cultural municipal.

Onde? Avenida Otacílio Negrão de Lima, 260

(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Mirante São Luís

No Mirante São Luís, é possível ver pontos emblemáticos da orla da lagoa, como o Parque Guanabara e a Igrejinha da Pampulha. Com ajuda da luneta do local, o visitante consegue enxergar mais detalhes e movimentações nos lugares. O local também permite o rápido estacionamento de bicicletas.

Onde? Av. Otacílio Negrão de Lima, 1.840

Luneta no Mirante São Luís permite observação mais apurada e aproximada da vista (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Mirante do Bem-te-vi

O mirante conta com equipamentos de exercício para uso público, além de pontos de sombra e bancos. A vista para a lagoa contempla casas e estabelecimentos localizados ao longo da orla.

Onde? Avenida Otacílio Negrão de Lima, em frente ao número 5.478

O Mirante do Bem-te-vi conta com equipamentos de exercício (Reprodução/Google Street View)

Onde alugar bicicleta na Pampulha

A orla da lagoa abriga diversos pontos e lojas de aluguel de bicicleta.

Confira algumas opções e detalhes de alguns serviços:

Lojas

Sport Bike Aluguel Pampulha

O tempo mínimo de locação é de uma hora. A loja cobra um adicional de R$ 5 na cadeirinha para criança, e R$ 10 em caso de adição de engate para adulto nos triciclos.

Confira a tabela de preços da loja:

  • Bike sem marcha: R$ 15
  • Bike com marcha: R$ 20
  • Bike dupla: R$ 30
  • Bike infantil: R$ 10
  • Triciclo família: R$ 30
  • Triciclo individual: R$ 20

Há também a opção de contratar pacotes mensais, entre R$ 70 e R$ 300. Para mais informações, contate a loja.

Endereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 6.720 – Bandeirantes
Contato: (31) 3291-9474 | Instagram
Horários de funcionamento: Segunda a sexta, 8-21h | Sábado, domingo e feriado, 7-21h. Há agendamento para antes ou depois dos horários, mediante contato

Andar de bicicleta na orla da lagoa é um costume para muitas pessoas (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Guil Bike Aluguel Pampulha

O tempo mínimo de passeio é de 1 hora. Após a primeira hora, o valor poderá ser fracionado.

Confira a tabela de preços da loja:

  • Bicicleta sem marcha (aro 26, 24 ou 20): R$ 15
  • Bicicleta com marcha (aro 29; 27,5; 26 ou 24): R$ 20
  • Triciclo (capacidade para 2 adultos e 2 crianças de até 5 anos): R$ 30
  • Triciclo mais engate (capacidade para 3 adultos e 2 crianças de até 5 anos): R$ 40

Endereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 6.740
Contato: (31) 3272-8234 | (31) 99486-5277 | Instagram
Horários de funcionamento: Segunda a sexta, 8-22h | Sábado, domingo e feriado, 6-20h

A orla da lagoa conta com ciclovia; na foto, o trecho próximo ao Iate Tênis Clube (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Bikemania

O local também faz o empréstimo de capacetes para os clientes. Semelhante a um sistema de estacionamento de carros, a loja calcula o aluguel das bicicletas e triciclos de acordo com o tempo de utilização.

Confira a tabela de preços da loja:

  • Bike comum e bike infantil: R$ 10
  • Bike com marcha aro 26: R$ 20
  • Bike dupla: R$ 20
  • Triciclo adulto e infantil: R$ 20
  • Bike com marcha aro 29: R$ 30
  • Triciclo família: R$ 30
  • Triciclo trenzinho (valor por pessoa): R$ 15
  • Bike elétrica: R$ 50

Endereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 14.370
Contato: (31) 3443-1438 | (31) 99959-5054 | Site e Instagram
Horários de funcionamento: Terça a sexta, 16-21h | Sábado, domingo e feriado, 8-18h

Há diversas estações de bicicleta do projeto “Bike BH” (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Pontos na orla

Existem 14 estações de aluguel que fazem parte do projeto Bike BH. São 100 bicicletas disponíveis na orla da lagoa. Mas como usar o serviço?

Confira o passo a passo:

  • Escolha onde você quer curtir o dia e pedalar.
  • Baixe o App Bike BH e faça seu cadastro. A funcionalidade está disponível para Android e iOS.
  • Encontre a estação mais perto de onde você está. Veja o mapa abaixo.
  • Escolha a forma de pagamento.
  • Retire sua bike.
  • Devolva-a em qualquer estação livre.
Há 14 estações de aluguel no projeto Bike BH (Reprodução/movesamba.com.br)

Despoluição da Lagoa da Pampulha

A despoluição da lagoa é um dos principais desafios históricos das gestões municipais de BH e Contagem. Afinal, a bacia da lagoa da Pampulha tem uma área total de 98,4 quilômetros quadrados, sendo 56% dessa área em Contagem, e 44% em Belo Horizonte.

Em julho de 2022, as prefeituras das duas cidades assinaram, em conjunto com a Copasa, um acordo para fazer obras no intuito de acabar com os lançamentos de esgoto no local. O programa “Pampulha + Limpa: Lagoa sem Esgoto” prevê um plano de ação com mais de 800 obras.

A previsão de implantação do plano é de cinco anos, e o total a ser investido pela Copasa corresponde a cerca de R$ 146,5 milhões.

Prefeitura de BH tem muito o que fazer na Pampulha para melhorar condições da lagoa
Programa “Pampulha + Limpa: Lagoa sem Esgoto” prevê um plano de ação com mais de 800 obras (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

A meta é que 9,7 mil novas ligações sejam construídas, sendo que a maior parte dos trabalhos será realizada em Contagem: são 7 mil ligações na cidade da região metropolitana, e 2,7 mil em Belo Horizonte.

Poluição na lagoa é problema há décadas (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Volta Internacional da Pampulha

Uma das provas de corrida mais tradicionais do Brasil, a Volta Internacional da Pampulha acontece desde o ano de 1999. O único ano em que o evento não ocorreu foi 2020, em decorrência da pandemia de Covid-19.

Desde a primeira edição da prova masculina, 12 brasileiros já venceram a prova, enquanto 11 atletas estrangeiros – de maioria queniana – conquistaram a medalha de ouro.

O mineiro Giovani dos Santos é o destaque do Brasil, com seis títulos. Em 2022, o ugandês Moses Kibet venceu a prova, e o segundo lugar ficou com o mineiro Sávio de Paula Silva.

Na categoria feminina, as brasileiras somam oito conquistas e as estrangeiras já levaram 15 provas. A mineira Lucélia Peres é a maior vencedora do Brasil, com três títulos da Volta Internacional da Pampulha. Além do Brasil, Quênia e Tanzânia são os países de origem das outras ganhadoras.

Na edição de 2022, a queniana Vivian Kiplagat venceu a prova. As brasileiras Amanda Aparecida de Oliveira e Larissa Marcelle Quintão completaram o pódio da prova.

Na edição de 2022, ocorrida em 11 de dezembro, a largada foi feita na avenida Coronel Oscar Paschoal, próximo ao cruzamento com a avenida Antônio Abrahão Caram. O ponto também é localizado perto do Mineirinho e do Mineirão.

Os horários de largada são divididos em diversas categorias: atleta cadeirante, elite feminino e masculino, atleta com deficiência, pelotão premium e pelotão geral. Confira o mapa do percurso da prova, de 18 quilômetros no total:

Prova já é tradicional no esporte (Reprodução/Google Maps)

Quantos quilômetros tem a lagoa?

A lagoa possui 18 quilômetros de extensão. É possível fazer atividades físicas como caminhada e ciclismo na orla, que é predominantemente plana. Em alguns pontos da lagoa, há equipamentos de exercício para uso público.

Conjunto arquitetônico da Pampulha

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na década de 1940, o conjunto arquitetônico da Pampulha engloba diversas construções importantes cultural-historicamente para Belo Horizonte.

O conjunto surgiu num momento peculiar do movimento moderno brasileiro. Foi o que disse ao BHAZ o arquiteto David Prado Machado. Professor da PUC Minas, ele também possui mestrado e doutorado pela UFMG.

“Já tínhamos algumas manifestações de modernismo em arquitetura, uma delas em caráter monumental: o prédio do Ministério de Educação e Saúde no Rio de Janeiro. A equipe foi coordenada pelo arquiteto Lúcio Costa, com colaboração do mestre franco-suíço Le Corbusier por 6 semanas. Futuramente, seria o prédio do MEC. O edifício foi projetado em 1936, e o conjunto da Pampulha, em 1942”, apresenta.

Segundo Machado, a Pampulha pode ser lida como um divisor de águas no modernismo brasileiro: “Antes, o Brasil tinha um modernismo de feições muito francesas, em função da ligação com o Le Corbusier. Também ocorreu através de outros arquitetos estrangeiros, como o ucraniano Gregori Warchavchik, que chegou no Brasil em 1923. Ele foi o primeiro a produzir arquitetura moderna no país”.

O que fazer na Pampulha: conhecer um pouco da história de BH
Pampulha representou um divisor de águas no modernismo brasileiro (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

“Antes, tínhamos linhas muito ortogonais, o ‘império do ângulo reto’ e praticamente a ausência de curvas. A Pampulha inaugura uma nova era no modernismo brasileiro, com o uso amplo das curvas pelo Niemeyer. De exemplos, temos a Igreja, a Casa do Baile, e até o Cassino [atual Museu de Arte]”, completa o pesquisador.

A importância do conjunto e o ‘efeito Pampulha’

O conjunto moderno representa um papel importante para a cidade de Belo Horizonte, tanto cultural quanto arquitetonicamente. Conforme relembra David Prado Machado, na década de 1940, a capital era uma cidade pequena em crescimento.

“Ganhar um conjunto dessa importância foi muito gratificante para BH. Isso contribuiu muito para o crescimento da cidade em direção ao vetor norte, que apontava para a Pampulha. Do ponto de vista cultural, a Pampulha foi quase uma revolução. Belo Horizonte ainda não tinha um cassino e um conjunto arquitetônico ao redor de um lago”, inicia.

Do ponto de vista da arquitetura, o conjunto representou um grande marco. “Niemeyer gostava de subverter as formas e torná-las assimétricas, uma maior que a outra. Mesmo não sendo uma criação absoluta dele, esse aspecto causou um impacto tão grande que a gente poderia falar de um ‘efeito Pampulha’. No modernismo pós-Pampulha, muitos arquitetos em várias cidades brasileiras vão ‘copiar’ algumas soluções”.

O pesquisador citou o exemplo do tipo de telhado que ficaria conhecido como asa de borboleta. Ele foi empregado na Casa Kubitschek e no Iate Tênis Clube.

Telhado do tipo “asa de borboleta” na Casa Kubitschek (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Influência dos EUA

O pesquisador também aponta para a influência norte-americana na composição do projeto. “A Pampulha foi construída no período entreguerras, muito próxima do término da 2ª Guerra Mundial. Isso coincide com um movimento liderado pelos americanos, conhecido como Política da Boa Vizinhança”, diz.

“O governo dos Estados Unidos lançou essa política numa tentativa de aproximação com os países da América Latina, principalmente Brasil, México e Argentina, numa tentativa de blindar essa região do avanço do nazifascismo dos países do eixo (Alemanha, Itália e Japão)”, explica.

Segundo David, até mesmo as ruas e casas da Pampulha foram afetadas. “Nessa política, eles vão exportar tudo aquilo que para eles era muito importante, o ‘American Way of Life’: a elegância de fumar, os carros e casas da época. Teve também a ideia de subúrbio, que é muito diferente daqui do Brasil. Nos EUA, são bairros de classe média alta, com terrenos grandes sem muro. Não apenas o conjunto arquitetônico, mas as ruas da Pampulha nascem dentro desse imaginário do subúrbio americano”. 

Avenida Otacílio Negrão de Lima no entorno da Lagoa da Pampulha (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Como era a lagoa da Pampulha antigamente?

Antigamente, a prática de esportes aquáticos na lagoa era corriqueira. A bacia recebia desde lanchas e iates até canoas, barcos a vela, esquis e remo.

O arquiteto David Prado Machado conta se lembrar das competições de vela, remo e lancha eram comuns na pampulha. “Eu sou um morador da região desde que nasci, em 1967. Lembro-me do final dos anos 70, quando eu ia Iate Tênis Clube com meu pai para assistir às corridas de lancha. Elas aconteceram até meados de 1977”.

Machado também relata a prática do remo. “Sobre as competições de remo na década de 1950, ouvi apenas histórias do seu Afonso. Ele me deu aula de remo no Iate até 1997, ano de sua morte. Existia uma raia de 2 mil metros que começava próximo à Ilha dos Amores e terminava em frente à Casa do Baile, mais ou menos. Havia boias, pesos, que faziam a sinalização”. 

Segundo Machado, a escola de remo funcionou no Iate até o ano de 2005, sob o comando de Augustus, filho do professor Afonso.

“Em um dia em 2005, ele levou alguns barcos para a Lagoa dos Ingleses. Infelizmente, entraram ladrões na garagem do barco e roubaram peças metálicas, no intuito de vender para o ferro velho. Eles jogaram no chão e destruíram os barcos de mais de 80 anos, com cedros do Líbano. Desde então, não houve mais a prática do remo na lagoa”.

Então, quer dizer que a poluição na lagoa não impedia a prática de esportes? David responde: “Seu Afonso contava que na época dos aguapés, na década de 1980, em alguns dias, a lagoa estava inteiramente verde, tomada de aguapés. A prefeitura tinha que vir ao local e recolher. Mas sim, mesmo com a poluição, havia a prática do remo”.

Tombamento

O Conjunto Arquitetônico da Pampulha foi tombado em 1984 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). Em 1997, foi tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Mais recentemente, em 2016, o conjunto recebeu o título de patrimônio cultural da humanidade da ONU (Organização das Nações Unidas). Abaixo, conheça as principais características e curiosidades dos edifícios que compõem o conjunto Moderno da Pampulha:

Igreja da Pampulha

A Capela São Francisco de Assis, localizada na Pampulha, em Belo Horizonte, é um espaço privilegiado para quem busca nutrir sua espiritualidade. Anualmente, milhares de devotos comparecem, no dia 4 de outubro, à festa do Padroeiro.

Construída de 1943 a 1945, a Igreja teve sua ornamentação concluída em 1957. Foi entregue ao culto religioso em 1959, quando ocorreu sua doação, pela Prefeitura da Capital, à Arquidiocese de Belo Horizonte. Foi tombada em 1947, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Ponto principal da Praça São Francisco de Assis, a construção está rodeada por um jardim projetado por Burle Marx. As “cascas” articuladas formam os espaços que receberam obras de arte e o painel de azulejos. Nos painéis de azulejos, Portinari retratou São Francisco e a Via Sacra.

Também são símbolos da Igreja os mosaicos azuis de Paulo Werneck. Por fim, Alfredo Ceschiatti foi o responsável pelo batistério em baixo relevo em bronze, que ilustra passagens bíblicas sobre Adão e Eva.

(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Restauração
Com o recebimento do título de Patrimônio Cultural da Humanidade, a Capela precisou passar por obras de intervenção e restauração. No dia 19 de novembro de 2017 foi fechada para obras estruturais, manutenção e reparação e restauração.

Os quadros que retratam a Via Sacra, pintados por Portinari, foram retirados da Capela e passaram por um restauro minucioso.

No dia 4 de outubro de 2019, no dia de São Francisco, a Capela foi reinaugurada e desde então, se mantém aberta atribuindo tanto os valores tradicionais religiosos, quanto os valores ressignificados por seu caráter cultural.

Dois anos depois da reinauguração, em 4 de outubro de 2021, o local também conhecido como Igrejinha da Pampulha foi elevado a Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis.

(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Igreja não foi bem recebida na época da construção

Segundo o professor David Prado Machado, a Igreja da Pampulha é um caso “totalmente singular” no conjunto moderno. Na época da construção e posterior inauguração, criou-se uma polêmica em torno da edificação religiosa.

“Parece não ter havido muita negociação entre a administração do Juscelino Kubitschek e a arquidiocese de BH. O que se sabe é que ela não agradou muito a arquidiocese, sobretudo pelas suas formas extremamente inovadoras. As vanguardas têm essa característica, são difíceis de serem digeridas, é preciso ter um certo conhecimento para absorver as ideias novas”, afirma Machado.

O projeto de Oscar Niemeyer não foi o único a não agradar muito a arquidiocese. “A pintura do Portinari chocou, com o expressionismo, aquelas mãos e pés muito grandes. O próprio corpo de São Francisco parece um esqueleto, cheio de músculos”, lembra.

“O campanário contraria as linguagens arquitetônicas das igrejas. Desde os primeiros tempos do mundo cristão, a construção sempre aponta para cima, para o céu. E o campanário do Niemeyer fez o contrário, aparece fincado no chão, apontando para baixo. São pequenos detalhes que não agradaram muito administração eclesiástica”, acrescenta.

Por conta dessa recepção da arquidiocese, a igreja ficou fechada por diversos anos após sua inauguração. Apenas em 1956, Dom João Costa consagrou-a, passando a funcionar como edificação religiosa desde então.

Visitação

Atualmente, Igreja está aberta a visitação interna, em horários variados. Os ingressos custam o preço simbólico de R$ 6, com meia-entrada no valor de R$ 3.

Para consultar os dias e horários de visitação, é possível entrar em contato com a secretaria (informações mais abaixo). No local, há também uma lojinha com itens religiosos, sobretudo de São Francisco.

Missas na Igreja

Não é necessário agendar para participar das celebrações. A ocupação é feita por ordem de chegada, de acordo com a capacidade permitida. Podem haver alterações na programação quando a data coincidir com sábados, domingos e feriados. Confira as datas disponíveis atualmente:

Domingos
07h: Santa Missa
10h30: Santa Missa
18h: Santa Missa

Todo dia 4
18h: Bênção dos animais
19h: Missa Votiva em honra a São Francisco de Assis

Saiba informações de localização e contato sobre a Igreja:

O que fazer na Pampulha: tirar foto na igrejinha
(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Museu de Arte da Pampulha

O edifício foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer no início da década de 1940. A ideia inicial era ser um cassino, que foi aberto ao público em 1943.

Para David Machado, o cassino representou um marco nas construções belo-horizontinas: “No início dos anos 40, Belo Horizonte não tinha muitas opções de diversão. De repente, a cidade ganha um prédio com aquelas características, aquela capacidade, onde aconteciam danças. Havia um palco móvel, como se fosse um elevador, que subia com a banda já tocando. Era um espetáculo de sensações que BH desconhecia”.

“Foi um prédio totalmente inovador. O próprio JK se mostrou impressionado com os primeiros croquis, chegou a dizer que nunca tinha visto uma rampa no lugar de uma escada, paredes de vidro ao invés de tijolos”, relata. Vale lembrar que JK e Niemeyer seguiram trabalhando juntos em diversos períodos: gestão de da prefeitura de BH, governo do Estado de Minas Gerais e presidência em Brasília. 

De cassino para museu

Porém, o prédio foi fechado por cerca de dez anos, em decorrência da proibição do jogo no Brasil ocorrida em 1946. Posteriormente, o local passou por adaptações e se transformou na sede do Museu de Arte. O MAP foi inaugurado em 1957, em meio ao desenvolvimento cultural e urbano de Belo Horizonte.

David ressalta que a ocupação do local enquanto museu ainda é um assunto muito complexo. “Ele não foi pensado para ser um museu. O prédio tem grandes paredes de vidro. As obras de arte não podem ser expostas desse jeito transparente, por conta dos impactos da luz do sol. A obra precisa de controle de temperatura e umidade”, argumenta.

O museu tem acervo com aproximadamente 1.400 obras em reserva técnica. Além disso, já foi palco de exposições de arte e variadas iniciativas artísticas, culturais e educativas. 

Museu de Arte da Pampulha conta com mais de mil obras em reserva técnica (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Reforma e programação virtual

A construção também conta com auditório com capacidade para 170 pessoas. Os setores de Artes Visuais, Conservação e Restauro, Centro de Documentação e Pesquisa, Biblioteca e Educativo integram o MAP.

Desde o final de 2019, o museu passa por obras de restauro no edifício e está fechado para visitação. 

Enquanto o local não abre ao público, é possível acompanhar a programação virtual por meio do site http://portalbelohorizonte.com.br/pampulhaterritoriomuseus/. A plataforma virtual integra as três unidades museais presentes na orla da lagoa: o MAP, a Casa do Baile e o Museu Casa Kubitschek.

 Confira informações sobre o Museu de Arte da Pampulha:

  • Endereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585
  • Horário de funcionamento: Fechado temporariamente para reformas
  • Telefone: (31) 3277-7946
  • E-mail: [email protected] 
  • Redes sociais: Facebook 
Museu de Arte da Pampulha está em obras desde 2019 (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Casa do Baile

Inaugurada em novembro de 1942, a Casa do Baile foi projetada para ser um pequeno restaurante dançante, de uso mais popular. Instalada em uma ilha artificial, a parte externa da Casa é conhecida por suas curvas, forte característica na obra de Oscar Niemeyer.

Os jardins curvos foram idealizados por Roberto Burle Marx e dialogam com a arquitetura do local. Já os azulejos cobrem uma parte do salão e revestem uma pequena mureta debaixo da marquise. As peças são atribuídas ao muralista Paulo Werneck. 

Segundo David Prado Machado, a Casa do Baile representou uma tentativa de ser “politicamente correto”. “A prefeitura de BH estava promovendo a criação de um bairro de elite. Isso jamais aconteceria hoje, mas na década de 1940, isso foi possível”, pontua.

“Era uma tentativa de criar um prédio de danças populares, que funcionou, mas nao com a mesma intensidade que se previa. A proposta era incrível. Na planta, não tem uma linha reta, apenas curvas. Temos o círculo que forma o espaço de dança, a marquise toda orgânica que acompanha as irregularidades da pequena ilha”, apresenta.

Casa do Baile possui jardins curvos (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Centro de Referência

Desde 2002, o local funciona como um Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design, promovendo discussão, promoção e valorização de conhecimentos e práticas dessas áreas. A iniciativa é vinculada à Fundação Municipal de Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura.

A Casa do Baile recebe exposições, eventos e divulga publicações, mostras e seminários. No local, também ocorrem ações educativas e encontros diversos interligados aos temas da vocação museal do espaço.

O terreno possui área total estimada de 3.195 m², sendo que a parte externa possui 2.781 m² e pode receber até 300 pessoas. A Casa dispõe de diversas estruturas para o público, como salão expositivo para até 200 pessoas, auditório para até 58 pessoas e café/lojinha temática. 

Confira a programação do local no Pampulha Território Museus e Portal Belo Horizonte. Saiba mais informações sobre a Casa do Baile:

  • Endereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751
  • Horário de visitação: quarta-feira a domingo, 10-18h 
  • Telefone: (31) 3277-7443
  • Entrada gratuita
  • E-mail: [email protected] 
  • Redes sociais: Facebook
Casa do Baile é um dos cartões-postais da Pampulha
Casa do Baile está inserida em uma ilha artificial (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Museu Casa Kubitschek 

Inaugurado em 2013, o Museu Casa Kubitschek tem como sede uma casa modernista. O local foi construído para o então prefeito Juscelino Kubitschek (1940-1945) passar seus fins de semana. 

Em um terreno de cerca de três mil metros quadrados, a casa é cercada por um jardim planejado pelo paisagista Roberto Burle Marx.

De acordo com David, o projeto da casa se parece com o do Iate Tênis Clube, principalmente devido ao telhado. “Os arquitetos modernos tinham uma maneira muito peculiar de resgatar as tradições brasileiras. Conseguimos identificar alguns detalhes da casa que, certamente, vieram das antigas fazendas do século 18”. 

“Assim como nas fazendas, a varanda da casa era acessada por uma escada, mas agora esse acesso é feito por uma rampa. Tem um partido em U, um pátio interno, as treliças do fundo e os cobogós, que foram criados por modernistas a partir da ideia da treliça. Os móveis pé palito existem lá até hoje”, avalia o arquiteto.

Originalmente, o Museu Casa Kubitschek foi a casa de fim de semana do então prefeito (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

De casa para museu

A iniciativa da inauguração do museu carrega o objetivo de oferecer aos visitantes experiências reflexivas e sensíveis no campo do paisagismo, da arquitetura residencial, dos modos de morar e da história da Pampulha. 

No Museu Casa Kubitschek, são realizadas ações de aquisição, investigação, conservação e difusão de acervos relacionados ao movimento modernista e da ocupação da região da Pampulha. 

Confira informações sobre o Museu Casa Kubitschek: 

  • Endereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 4.188 – Bandeirantes
  • Horário de funcionamento: quarta-feira a domingo | 10h às 18h (entrada até as 17h30) 
  • Telefone: (31) 3277-1586 | (31) 98864-3969  
  • Entrada franca
  • E-mail: [email protected] 
  • Redes sociais: Facebook
O museu foi inaugurado em 2013 (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Caminhos arquitetônicos – caminhadas na Pampulha 

Mensalmente, o Museu Casa Kubitschek e a Casa do Baile promovem a atividade “Caminhos Arquitetônicos”.

A iniciativa é uma caminhada pela orla da Lagoa da Pampulha, mediada por educadores destes dois espaços culturais.

Os participantes têm a oportunidade de interpretar a paisagem, bem como explorar o território e suas características históricas, artísticas, arquitetônicas, naturais e paisagísticas. Saiba como participar das atividades, que são gratuitas:

  • Caminhadas organizadas pelo Museu Casa Kubitschek
    • Segundo sábado de cada mês (exceto feriados)
    • Horário: 10h
    • Inscrições: e-mail [email protected] 
  • Caminhadas organizadas pela Casa do Baile
    • Última quarta-feira de cada mês (exceto feriados)
    • Horário: 14h
    • Inscrições: e-mail [email protected] 
Casa do Baile está localizada em meio a uma ilha artificial (Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Iate Tênis Clube

O Iate Tênis Clube foi projetado no início da década de 1940, com o nome inicial de Iate Golf Clube. Ele está localizado em frente à Lagoa da Pampulha, com o reflexo da Igrejinha da Pampulha nas águas. 

Conforme conta David Prado Machado, a ideia do novo bairro planejado pelo JK girava em torno de criar atrativos, e o Iate seria um deles.

“Como a Lagoa da Pampulha já existia desde a gestão anterior, do Otacílio Negrão de Lima, eles já tinham o cenário, a paisagem pronta. Já que temos um espelho d’água, o ideal seria usá-lo, como os americanos gostam muito de fazer, daí a necessidade de um clube náutico”, explica.

“O Iate Clube já nasce não apenas como um clube tradicional da piscina e da quadra, mas possui esse aspecto náutico. Desde os primeiros tempos, ele abrigou as escola de vela e remo”, prossegue.

O espaço conta com o Salão Portinari, que leva o nome do pintor Cândido Portinari. O lugar é ornamentado com o painel de sua autoria há mais de 50 anos. Há também o painel de Roberto Burle Marx. 

(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Por dentro do Iate

Com 560 m², o salão possui palco móvel e terraço de 182 m² com vista para a Lagoa da Pampulha e o Museu de Arte. O local pode receber até 300 pessoas em um coquetel. 

O Salão Espelho D’água, por sua vez, apresenta obras de arte assinadas pela artista Esthergilda Menicucci. Sua área total é de cerca de 1200 m², com capacidade para 800 pessoas. Há um palco de 60 m² e uma varanda com vista para a Lagoa da Pampulha e a Igreja de São Francisco de Assis. 

Os associados do clube podem desfrutar de espaços voltados a diversas práticas esportivas. O local conta com quatro piscinas, espaço para ioga, além de quadras de vôlei, peteca, futebol, futevôlei, tênis e beach tennis. Há também dois salões de festas, espaço kids e mesas de sinuca.

(Beatriz Kalil Othero/BHAZ)

Bares e restaurantes na orla da Lagoa da Pampulha

A Pampulha conta com muitas opções gastronômicas, e na orla da lagoa, não é diferente. O BHAZ reuniu sugestões para comer e beber em frente à Lagoa da Pampulha. 

O cardápio das indicações é variado: tem pastel e caldo de cana, comida de boteco e cerveja gelada, culinária exótica e claro, a tradicional comida mineira. Confira:

Caldo de Cana da Pampulha

Além do caldo de cana, o local vende alimentos como água de coco, pastel frito na hora e outros salgados. O estabelecimento dispõe de mesas e cadeiras ao ar livre, com opção de sombra, além de estacionamento para automóveis e bicicletas.

O caldo de cana é servido em copos e garrafas de tamanhos variados. Os clientes podem optar pelo caldo puro ou com adicionais, como limão e laranja.

Além da lanchonete, também há um hortifruti com frutas diversas, como abacaxi, morango, laranja e goiaba. 

O estabelecimento fica ao lado da rotatória da praça Paulo Gustavo do Vale, que é cortada pela avenida Otacílio Negrão de Lima.

  • Onde? Rua Sardenha, 62-290 – Bandeirantes
  • Horário de funcionamento: segunda a sábado, 9-18h | domingo, 9-17h

Chopp da Fábrica Pampulha

Com localização próxima ao Mineirão e Mineirinho, o restaurante serve pratos, petiscos e porções da gastronomia mineira. Entre as bebidas, são comercializados drinques, cervejas e chopes. 

O lugar possui local aberto e coberto, além de espaço kids. O Chopp da Fábrica Pampulha também costuma transmitir jogos esportivos. É possível reservar mesas no local, mediante contato prévio.

  • Onde? Avenida Otacílio Negrão de Lima, 2.733 – São Luiz
  • Horário de funcionamento: domingo a quinta, 11-01h | sexta e sábado, 11-02h  
  • Contato: (31) 3241-1766 [delivery] e Instagram

Marco Zero – Bar, Petiscos e Açaí

O bar possui localização próxima ao Parque Ecológico – e como diz o nome, ao Marco Zero da Pampulha. Além de servir lanches, petiscos e açaí, o estabelecimento também dispõe de um serviço de aluguel de bicicletas e triciclos.

  • Onde? Avenida Otacílio Negrão de Lima, 5.900
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta, 8-20h | sábado e domingo, 6h30-20h
  • Contato: (31) 99470-6461 | Instagram

Quintal Pampulha

O bar está localizado próximo à Lagoa da Pampulha, em uma rua paralela à avenida Otacílio Negrão de Lima. O ambiente tem decoração rústica, com mesas e cadeiras de madeira, e diversas plantas. 

Os carros-chefe da casa são ancorados na culinária mineira e em carnes exóticas, como javali e jacaré. Drinks diversos e cervejas artesanais se destacam no cardápio das bebidas.

  • Onde? Rua Sebastião Antônio Carlos, 350 – Bandeirantes
  • Horário de funcionamento: sexta, 18-00h | sábado e domingo, 12-18h
  • Contato: (31) 3442-5559 | Instagram

Restaurante Xapuri

Mesmo não sendo localizado na orla da lagoa, o Xapuri não podia faltar em nossa lista. Inaugurado em 1987, o restaurante é um dos mais tradicionais – e premiados – da Pampulha e da capital mineira.

O estabelecimento rústico é composto de mesas com bancos de madeira, teto de palha, plantas, barulho de pássaros e fogão à lenha. O Xapuri também é pet friendly e conta com espaço kids e loja de artesanato. 

Entre os principais pratos servidos no Xapuri, estão o pastel de angu com carne-seca, o bolinho de mandioca com mussarela, o Frango Preguento do Bento e a Costelinha da Sinhá. 

Parque Ecológico da Pampulha

O Parque Ecológico da Pampulha (Parque Francisco Lins do Rêgo) faz parte da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte, e fica localizado na mesma avenida do zoológico de BH (saiba mais sobre o zoo abaixo).

Inicialmente, o Parque Ecológico estava ligado ao jardim zoológico e ao jardim botânico, apesar de não estar fisicamente dentro do zoo. Com a união das fundações, em 2017, o parque passou a ter gerência própria, e agora, é independente do zoológico.

“O Parque Ecológico é uma área de lazer e tem um bosque arborizado com espécies de quatro biomas brasileiros, da mata atlântica tanto do litoral quanto do interior do cerrado, e espécies amazônicas”, descreve Denilson Santos, gerente do parque.

parque ecológico pampulha bh
Parque Ecológico possui opções de lazer para diversos gostos (Suziane Brugnara/Divulgação)

O que fazer no Parque Ecológico?

Ideal para fazer piqueniques, relaxar, praticar esportes e brincar, o Parque Ecológico tem 300 mil metros quadrados e 30% da área é reservada para a fauna.

“Tem a área da esplanada que é para eventos e que também é utilizada para a prática de esportes. As pessoas batem uma bola lá, jogam vôlei, peteca, e no mês de agosto, principalmente, soltam pipa. Tem playground para crianças, slack parque, é permitida a entrada de bicicletas, o pessoal também corre e faz caminhada”, afirma o gerente do local.

Qual o horário de funcionamento do Parque Ecológico de BH?

O parque funciona de terça-feira a domingo, de 8h às 17h, e a entrada é gratuita. Escolas e demais instituições educacionais podem organizar excursões para o Parque Ecológico, com entrada livre.

Para quem quiser comprar comida, nos fins de semana, o espaço conta com dois food trucks em frente à administração.

Zoológico da Pampulha

O Jardim Zoológico de Belo Horizonte foi inaugurado em 25 de janeiro de 1959. O espaço esteve no planejamento da capital mineira desde 1897. Você sabia? Inicialmente, ele estava previsto para ocupar a área onde hoje é a unidade I do Minas Tênis Clube, em Lourdes, do lado da praça da Liberdade.

Entretanto, o projeto acabou não sendo aprovado, e a Prefeitura de Belo Horizonte criou um minizoológico com exposição de pequenos animais, um viveiro de pássaros e peixes no lago do Parque Municipal.

Na década de 1940, com o processo de urbanização da Pampulha, o zoológico de BH mudou-se definitivamente para a região, em uma área que havia sido destinada à criação de um clube de golfe.

De lá para cá, o zoo passou por evoluções estruturais, de equipamentos e de conhecimento para tornar-se referência em todo o Brasil. Atualmente, o zoológico ocupa uma área de cerca de 1.184.000 metros quadrados, incluindo o jardim botânico. Clique aqui para fazer download do mapa do zoológico de BH.

O que fazer na Pampulha: visitar o jardim japonês
Jardim Japonês do Zoológico de BH (Divulgação/Suziane Brugnara)

Quais animais têm no zoológico de BH?

Os animais do zoológico de BH são divididos em, aproximadamente, 250 espécies. Ao todo, são cerca de 3.800 bichos. Entre eles, há o grupo de répteis, de aves, de mamíferos, os peixes do aquário e os invertebrados do borboletário.

A equipe técnica do jardim zoológico é quem planeja o nascimento de novos animais. Isso porque é necessário analisar previamente se os bichos terão estrutura e condições para crescerem saudáveis. 

“A gente recebe muitos animais já com uma orientação, e isso vai de encontro a um planejamento interno que nós chamamos de plano de coleção. Então, para todas as nossas espécies existe um planejamento para saber: ‘Esse ano vamos reproduzir? Onde? Qual a finalidade?’”, explica Humberto Mello, gerente do zoológico de BH.

O que fazer na Pampulha: visitar o jardim zoológico
Elefantes são um dos animais mais amados pelo público do zoológico BH (PBH/Suziane Fonseca)

Horário de funcionamento do zoológico de BH

O zoológico de BH funciona de terça-feira a domingo, das 8h às 17h, com entrada permitida até às 16h. No momento, o jardim zoológico não está cobrando a apresentação de cartão de vacina na entrada. Além disso, não é necessário agendamento para visitas comuns.

Valor da entrada do zoológico de BH

O valor da entrada do zoológico de BH varia conforme os dias da semana. Confira a relação de preços:

  • Terça a sexta-feira: R$ 5,85
  • Sábado: R$ 7,30
  • Domingo e feriado: R$ 11,80

Onde fica o Zoológico da Pampulha?

Conheça os endereços das portarias do Zoológico e o telefone:

  • Portaria I – Avenida Otacílio Negrão de Lima, 8.000, Pampulha
  • Portaria II – Avenida Antônio Francisco Lisboa, 2.600, Serrano
  • Telefone: (31) 3277-8489. O público pode entrar em contato para obter informações como funcionamento, horário e valores do zoo.

Beatriz Kalil Othero

Jornalista formada pela UFMG, escreve para o BHAZ desde 2020, e atualmente, é redatora e fotógrafa do Portal. Participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2021 e 2022, e pela Rede de Rádios Universitárias do Brasil em 2020.

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