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O relógio do JK vai voltar? Administração estuda possibilidade

19/08/2026 às 18h05

Desde setembro de 2019, quem passa pela Praça Raul Soares, no Centro de Belo Horizonte, sente falta de olhar para o alto e encontrar um dos símbolos mais conhecidos da paisagem da capital. Por mais de três décadas, o relógio luminoso instalado no topo do Edifício JK serviu como referência para moradores, trabalhadores e visitantes que circulavam pela região. Agora, quase sete anos depois da retirada, uma pergunta começa a despertar a curiosidade de quem tem memória daquele cenário: o relógio do JK pode voltar?

A resposta, por enquanto, ainda é um mistério. Ao BHAZ, a administração do condomínio confirmou à reportagem que existe interesse em estudar a retomada do relógio, mas ressaltou que a possibilidade ainda está em fase de avaliações e depende de uma série de questões legais, técnicas e patrimoniais.

“Está em fase de estudos e avaliações”, afirmou uma fonte ligada à administração do prédio. Segundo ela, o condomínio reconhece a importância histórica do equipamento para o conjunto e pretende avaliar a possibilidade de retomá-lo. “O que podemos informar e afirmar é que existe o interesse em estudar a retomada do relógio, considerando a importância histórica desse elemento para o condomínio”, disse a fonte.

Mas colocar novamente um relógio no alto do JK não seria simplesmente instalar uma nova estrutura. O principal desafio está justamente nas regras que envolvem publicidade, patrimônio e a própria paisagem urbana da região.

Um símbolo que virou disputa

O relógio luminoso foi instalado no alto do Edifício JK em 1984 e durante décadas carregou a marca do Itaú. Com o passar dos anos, tornou-se muito mais do que uma peça publicitária: passou a fazer parte da paisagem de Belo Horizonte e virou ponto de referência para quem circulava pela região.

A retirada, em 2019, foi resultado de uma longa disputa entre o banco e o condomínio. O Itaú queria desmontar o equipamento, enquanto a administração do prédio resistia à retirada. O caso foi parar na Justiça.

Em setembro daquele ano, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais homologou um acordo que permitiu a desmontagem e retirada do engenho luminoso. Pelo acordo, o banco pagou R$ 468.955,10 ao condomínio, valor relacionado a parcelas do contrato de locação do terraço da torre B, onde o relógio estava instalado.

O Itaú alegava que, com o Código de Posturas de Belo Horizonte, promulgado em 2003, o equipamento havia se tornado irregular. A instituição também informou à Justiça que, desde 2009, pretendia encerrar o contrato e retirar a estrutura, além de ter revisto sua estratégia de exposição da marca.

A situação ainda era mais complexa porque, naquele período, havia restrições relacionadas ao processo de tombamento da Praça Raul Soares, iniciado pelo Patrimônio Cultural de Belo Horizonte.

A retirada começou em 2019 e foi concluída em novembro daquele ano. Desde então, o topo do JK permanece sem o equipamento que, durante décadas, ajudou a compor a identidade visual da região.

Mas e o relógio?

É justamente aí que começa o novo capítulo dessa história. Segundo a administração, existe interesse em avaliar a retomada do relógio por causa da importância histórica para o condomínio. Mas ainda não há uma decisão sobre modelo, formato, instalação ou prazo.

A própria administração reconhece que há normas que precisam ser consideradas. Entre elas está o Código de Posturas de Belo Horizonte, além das regras relacionadas à proteção do patrimônio e à paisagem urbana.

E há uma diferença importante em relação ao equipamento que existia antes. Em 2019, a discussão estava diretamente ligada ao caráter publicitário do relógio do Itaú. Na época, a Fundação Municipal de Cultura informou que a presença da marca configurava publicidade irregular e contrariava o Código de Posturas, enquanto a existência do relógio, enquanto um equipamento, não necessariamente representava uma violação.

Isso deixa uma possibilidade no ar: um eventual novo relógio poderia voltar sem estar associado a uma marca? É uma das questões que ainda precisam ser avaliadas antes de qualquer decisão, segundo fonte.


Asafe Alcântara

Coordenador de mídias digitais e repórter, no BHAZ, desde setembro de 2021. Atualmente concilia como repórter na Record TV Minas. Jornalista graduado pelo UNI-BH, com experiência em redações de veículos de comunicação, como RedeTV! BH, TV Band Minas, TV Alterosa, TV Anhanguera (afiliada Globo GO), TV Justiça e CNN Brasil.
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