TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Operação Rejeito: PF prende Alan Cavalcante, suspeito de liderar esquema de mineração ilegal

18/06/2026 às 12h19
operação rejeito

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18), com apoio do Gaeco, braço do Ministério Público Federal de Minas Gerais, a segunda fase da Operação Rejeito. Entre os alvos está Alan Cavalcante do Nascimento, apontado pelas investigações como líder da organização criminosa que explorou ilegalmente minério de ferro em áreas protegidas de Minas Gerais — incluindo a Serra do Curral, patrimônio tombado de Belo Horizonte.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e a suspensão das atividades das pessoas jurídicas envolvidas. As medidas foram determinadas por colegiado de magistrados da Justiça Federal em Minas Gerais, constituído para processar e julgar os feitos relacionados à operação.

Segundo a PF, as investigações desta nova fase revelaram que a organização teria contratado empresa para praticar espionagem contra pessoas de interesse do grupo, incluindo autoridades públicas e particulares. Também foram identificadas atividades sistemáticas de monitoramento de indivíduos e obtenção indevida de dados pessoais e sensíveis — além de tentativas de aproximação com autoridades públicas para fins ilícitos.

As apurações apontam ainda que o grupo teria tentado contratar a realização de operações policiais simuladas e que houve ofertas para obtenção irregular de dados protegidos por sigilo bancário e telefônico. Os investigadores identificaram, ainda, indícios de acesso indevido a sistemas restritos de órgãos de segurança pública.

Operação Rejeito investiga esquema fraudulento

A primeira fase da operação, cujo objetivo foi desarticular a organização criminosa, já havia revelado a amplitude do esquema. Alan Cavalcante, João Alberto Paixão Lages e Helder Adriano são suspeitos de liderar um grupo que simulava obras de terraplanagem para mascarar a extração ilegal de minério de ferro em áreas tombadas. Para conferir aparência de legalidade às atividades, a organização aliciava servidores públicos da Semad e da Agência Nacional de Mineração, pagando propina para obter licenças e alvarás fraudulentos.

A ex-companheira de Alan Cavalcante, em depoimento divulgado em setembro de 2025, revelou que ele guardou malas com cerca de R$ 10 milhões de dólares em um apartamento em Alagoas. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão em uma mansão de Alan num condomínio de luxo em Maceió, onde foram encontrados lago artificial, piscinas e veículos de alto padrão.

Estima-se que a organização tenha lucrado ao menos R$ 1,5 bilhão com as atividades irregulares, além de projetos em andamento que poderiam render mais de R$ 18 bilhões. A primeira fase já havia resultado em 79 mandados de busca e apreensão, 22 prisões preventivas e bloqueio de bens avaliados em R$ 1,5 bilhão.

As investigações da primeira fase também descobriram um projeto de destombamento da Serra da Piedade, em Caeté, na Região Metropolitana de BH — área que o grupo pretendia liberar para mineração. Mensagens encontradas no celular da ex-superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Débora França mostraram articulações entre o grupo minerador e órgãos de preservação do patrimônio. Um memorando de entendimentos encontrado durante as investigações indicava que a Minerar Participações S/A adquiriria o direito minerário na área por US$ 5 milhões.

Os investigados nesta segunda fase poderão responder, entre outros crimes, por embaraço à investigação de organização criminosa e violação de sigilo bancário e telefônico.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ