Um homem foi preso por comércio ilegal de animais durante uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), realizada entre os dias 12 e 13 de maio, em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ação “Tráfico Digital” apreendeu cerca de 160 animais de 18 espécies diferentes.
Segundo o órgão, o suspeito é dono do empreendimento “Mini Rancho Neverland”, que tem uma página nas redes sociais com mais de 580 seguidores, na qual eram feitas publicações regulares de animais silvestres e exóticos em contexto indicativo de comercialização irregular.
Um relatório técnico produzido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) apurou indícios de que os animais eram vendidos pela internet para compradores em diferentes regiões do Brasil.
18 espécies diferentes
A fiscalização foi conduzida de forma integrada com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Polícia Civil (PCMG) e a Polícia Militar (PMMG). As equipes encontraram animais em condições de maus-tratos, mantidos em ambientes superlotados e sem documentação regular. Foram identificadas ainda irregularidades nos sistemas de identificação dos espécimes, com indícios de clonagem e reutilização de anilhas, microchips e notas fiscais.
Entre as espécies encontradas estavam araras canindé, araras macau, papagaios verdadeiros, papagaios do congo, cacatuas brancas, cacatuas galah, tucanos de bico preto, tucanos toco, emus, cervos russa, quatis, veados catingueiros, cutias, pacas, grous, jibóias, saguis e escorpiões imperadores.




Os animais apreendidos foram encaminhados ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) e a mantenedores habilitados, onde receberão atendimento adequado e passarão por avaliação técnica.
Maus-tratos
Entre os animais domésticos encontrados em situação de maus-tratos estavam ainda três cabras e uma alpaca, que morreu no local durante a operação. Também foi localizado o cadáver de uma ovelha. Os dois cadáveres foram encaminhados para necropsia pela Polícia Civil de Minas Gerais, que irá apurar as causas das mortes. As cabras foram encaminhadas para atendimento em hospital veterinário.
Parte das perícias sobre espécies domésticas encontradas no local ainda está em análise complementar. Além dos animais, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento, documentos e máquinas de cartão.
O responsável pelo local foi autuado em flagrante por maus-tratos e outros crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais, incluindo manutenção de animais silvestres em cativeiro sem autorização e introdução de espécimes no país sem licença ou parecer técnico oficial. A prisão foi convertida em preventiva pelo Poder Judiciário. A multa administrativa, ainda em processo de lavratura, deve chegar a R$ 1,2 milhão. As investigações permanecem em andamento.










