TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Servidores da Educação municipal de BH entram em greve hoje e reivindicam nova proposta de reajuste

16/03/2022 às 12h01 - Atualizado em 16/03/2022 às 12h37
Servidores da educação municipal
Greve foi aprovada em assembleia no dia 8 de março (Sind-REDE/Divulgação)

Os servidores da rede municipal de Educação de Belo Horizonte entraram em greve nesta quarta-feira (16), por tempo indeterminado, após recusarem a proposta de reajuste oferecida pela prefeitura (entenda abaixo).

O Sind-REDE/BH (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte) também convocou a categoria para assembleia às 14h, na Praça da Estação. O sindicato defende que a proposta oferecida pela prefeitura “não cumpre a lei do piso e desmonta a carreira”.

Após a assembleia, os trabalhadores vão fazer passeata até a porta da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte). Em seguida, vão se unir aos trabalhadores da Educação da rede estadual e aos servidores federais em ato unificado pelo piso e pela recomposição salarial dos servidores federais.

A greve da educação municipal foi aprovada no dia 8 de março, durante assembleia realizada pelo sindicato. Agora, a categoria afirma esperar que o prefeito Alexandre Kalil (PSD) e a secretária de Educação Ângela Dalben apresentem uma proposta que contemple as suas reivindicações.

Procurada pelo BHAZ, a PBH informou que respeita o direito à livre manifestação e que espera que o reajuste e outras demandas sejam aprovados na assembleia de hoje. A administração municipal ainda detalhou a proposta enviada à categoria (leia mais abaixo).

Reivindicações

A diretoria colegiada do Sind-REDE argumenta que a proposta de reajuste da SMED (Secretaria Municipal de Educação) culminará no descumprimento da Lei Nacional do Piso Nacional do Magistério para os primeiros sete níveis da carreira da educação.

A proposta da secretaria é que o reajuste de 11,77% seja pago de forma parcelada, com 5% em agosto deste ano e 6,77% em janeiro de 2023.

A diretoria também critica a proposta de extinção dos primeiros níveis e reenquadramento dos profissionais que passarão a receber abaixo do piso. “Na prática isso significará o achatamento da carreira do professor municipal”, defende o sindicato.

A proposta da SMED (Secretaria Municipal de Educação) é de que o reajuste de 11,77% seja pago de forma parcelada, com 5% em agosto deste ano e 6,77% em janeiro de 2023.

“Para cumprir a lei do piso, a proposta do prefeito Alexandre Kalil e da secretária de Educação elimina sete níveis da carreira da educação e reenquadra os trabalhadores dos níveis abaixo do piso no nível 8. O que na prática representa um achatamento da carreira da Educação Municipal”, explica o sindicato.

Segundo a avaliação da entidade, se essa proposta continuar sendo aplicada a cada vez que o piso for reajustado, em menos de 10 anos o piso chegará ao último nível, achatando a carreira de tal forma que o piso será transformado em teto.

“Em outras palavras, a carreira da educação municipal terá apenas um nível e isso fará com que todos os educadores recebam o mesmo salário, independente da formação ou tempo de serviço”, finaliza.

O que diz a PBH?

Ao afirmar que espera que o sindicato aprove o reajuste proposto em assembleia hoje, a PBH sinaliza que não fará nova proposta à categoria. Por meio de nota, a administração municipal detalhou o que foi enviado para aprovação dos servidores.

“Todas as demais categorias já assinaram o termo de aceite e os projetos de lei com as propostas de reajuste e benefícios estão sendo encaminhados para a Câmara. O município reafirma que, mesmo diante de tantos desafios nos últimos anos, não mediu esforços para ofertar a recomposição inflacionária a todo o funcionalismo e para atender a demandas específicas e históricas”, defende.

Sobre o piso salarial, a PBH afirma que é necessária a aprovação de lei municipal para reajuste salarial de qualquer natureza a servidores. “A lei federal estabelece o piso, mas cabe aos entes elaborar e aprovar lei específica”, explica.

A prefeitura também esclarece que a lei federal estabelece o piso para 40 horas trabalhadas, e que, como a jornada em BH é de 22h30, o pagamento é proporcional a esse quantitativo de horas. “Dessa maneira, os valores de ingresso pagos pela PBH são superiores ao piso proporcionalizado”, afirma.

A nota da PBH também lista outras propostas enviadas à categoria além do reajuste, como a equiparação das carreiras de educador infantil e professor municipal com mesma formação superior; um pagamento retroativo a janeiro de 2022; um reajuste do vale-cultura e mais (leia na íntegra abaixo).

Embate

Nessa segunda-feira (14), o sindicato divulgou nota informando que, dias antes, a PBH teria enviado e-mail ao Sind-REDE “tentando insinuar que a entidade não apresentou a proposta corretamente” aos trabalhadores, e que por isso a categoria não teria entendido.

O sindicato argumenta que foi didático ao explicar a proposta aos servidores, usando um telão. “A resposta dada pela assembleia não foi por não discutir ou não compreender a proposta da PBH, pelo contrário, foi por entender e não ter acordo”, defende.

Ainda conforme a entidade, justamente por compreender a proposta, os trabalhadores a consideraram insuficiente e estabeleceram prazo para que o governo negocie e a melhore.

Nota da PBH

“A Prefeitura respeita o direito à livre manifestação, e espera que o aumento proposto de 11,77% (reajuste proposto a todo funcionalismo) e outras demandas específicas para avanços da Educação sejam aprovadas na Assembleia de hoje. Todas as demais categorias já assinaram o termo de aceite e os projetos de lei com as propostas de reajuste e benefícios estão sendo encaminhados para a Câmara.

O Município reafirma que, mesmo diante de tantos desafios nos últimos anos, não mediu esforços para ofertar a recomposição inflacionária a todo o funcionalismo e para atender a demandas específicas e históricas. Destaca, ainda, que nunca atrasou ou parcelou o salário, nem mesmo na pandemia.

No caso específico da Educação, no comparativo entre dezembro de 2016 e dezembro de 2022, os aumentos serão:

  • Professores para Educação Infantil: 140,18% de aumento na remuneração média no período (considerando o aumento proposto).
  • Professores do Ensino Fundamental: 73,32% de aumento na remuneração média no período (considerando o aumento proposto).

Piso salarial

É necessária a aprovação de lei municipal para reajuste salarial de qualquer natureza a servidores de Belo Horizonte. A lei federal estabelece o piso, mas cabe aos entes elaborar e aprovar lei específica.

A Prefeitura sempre cumpriu com o pagamento do piso nacional dos professores e os reajustes advindos das negociações englobam valores superiores ao piso proporcionalizado.

No caso da lei federal aprovada em 2022, que concede reajuste de até 33%, haverá necessidade de adequar o vencimento de apenas 1.244 professores municipais de escolas e de Emeis, em um universo de 22.150 docentes (aposentados e pensionistas), representando 5,6% do total. Essa pequena parcela refere-se a profissionais que não concluíram a escolaridade superior ou para aqueles que se aposentaram há muito tempo. Embora seja para um grupo pequeno, o impacto será expressivo e, em 2022, representará R$ 7,4 milhões.

Importante esclarecer que a lei federal estabelece o piso para 40 horas trabalhadas. Como a jornada em Belo Horizonte é de 22h30, o pagamento é proporcional a esse quantitativo de horas. Dessa maneira, os valores de ingresso pagos pela PBH são superiores ao piso proporcionalizado.

Valor médio pago em Belo Horizonte para 22h30 semanais (menos de 5 horas diárias):

  • Professor municipal: R$ 4.202,68*
  • Professor para a educação infantil: R$ 3.104,98

Principais propostas:

  1. A equiparação das carreiras de educador infantil e professor municipal com mesma formação superior, com o acréscimo dos dois níveis que faltavam para que os pedagogos que atuam na educação infantil tivessem mesmas vantagens e vencimentos dos demais professores da rede, representando aumento real de 10,25%, além dos conferidos nos anos anteriores, que totalizam 55,13%.
  2. Concessão de um nível na tabela para todos os professores municipais ativos que atuam no ensino fundamental e EJA e que possuem nível superior.
  3. Foi garantido o pagamento retroativo a janeiro de 2022, do piso nacional proporcional de R$3.845,63 para 40 horas, inclusive para os professores entre os níveis 3 e 9, que ainda não possuem curso superior. Inicialmente essa garantia de piso no vencimento básico foi apresentada ao sindicato sem impactar diretamente na tabela. Apesar de ser constitucional a garantia do piso sem alteração da tabela, conforme decisões já pacificadas nos tribunais superiores , em escuta ao sindicato que alega a demanda histórica de progressão financeira entre níveis, foi revista a proposta incialmente apresentada para garantia do piso. Assim, os servidores ativos e aposentados que estiverem abaixo do nível 7 serão reposicionados no nível 8 para garantia do piso nacional.
  4. A possibilidade de uso de eventuais saldos do Fundeb, quando forem apurados ao final do ano, como gratificação para professores.
  5. Possibilidade de uso do tempo de planejamento de forma livre e fora das dependências da escola, sem registro de ponto: garantia de que o professor possa usar seu tempo extraclasse para sua formação e aperfeiçoamento, conforme sua autonomia, apoiados pelo uso das tecnologias digitais e disponibilização de notebooks.
  6. Reajuste de vale-cultura para até R$400,00 dependendo da disponibilidade financeira do Município.
  7. A evolução profissional dos servidores ocupantes do cargo de Assistente Administrativo Educacional com uma nova estrutura de carreira, assegurando maiores oportunidades de ascensão, de modo a permitir a evolução não apenas horizontal, por merecimento e por escolaridade, como já ocorre, mas também a promoção em classes verticais. Os servidores que já apresentaram título superior serão promovidos para a classe B em 1º de dezembro e terão ganhos reais de 5%, além do aumento geral, concedido a todos os servidores”.

Editado por: Vitor Fernandes

Sofia Leão

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.
LinkedIn

Sofia Leão

Email: sofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.
LinkedIn

Mais lidas do dia

Vídeo mostra ataque de abelhas a uma aluna em escola de Ibirité, na Grande BH

Criança é atacada por exame de abelhas na porta de escola em Ibirité

PF investiga suspeita de fraudes em contratos públicos na Educação em Belo Horizonte

Pf fraudes contratos educação bh

Mega-Sena sorteia hoje prêmio de R$ 102 milhões; veja quanto rende valor

Mega-Sena

Resultado da Lotofácil da Independência: veja os números sorteados e saiba se você levou R$ 300 milhões

lotofácil da independência

‘Pensei nas minhas filhas’, diz motociclista que resgatou menina de ataque de abelhas em escola de Ibirité

Motoqueiro que resgatou criança de ataque de abelhas em Ibirité diz que pensou nas próprias filhas

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ

Siga o BHAZ nas redes sociais

TikTok
YouTube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logo BHAZ