Servidores da UFMG relatam ‘vários casos de contaminação’ e aprovam greve sanitária

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A principal reivindicação dos servidores da UFMG e do Coltec é ter um local de trabalho seguro contra a Covid-19 (Amanda Dias/BHAZ)

Durante assembleia realizada hoje (21), os servidores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) decidiram aderir à uma greve sanitária na próxima quarta-feira (26). Em comunicado enviado ao BHAZ, a servidora e coordenadora-geral do Sindifes (Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino), Cristina del Papa, conta que a reivindicação da categoria é ter um local de trabalho seguro contra a Covid-19.

Procurada, a universidade detalhou todas as etapas da volta presencial e o cenário que levou à decisão de retomar as atividades e afirmou ainda que não descarta a possibilidade de exigir o comprovante de vacinação para acesso às dependências da UFMG (veja abaixo).

“Atualmente temos ambiente de trabalho aqui na UFMG que não são seguros. Os ambientes não têm janela, não têm ventilação, não têm espaçamento mínimo de um metro entre as estações de trabalho e temos salas pequenas com equipes grandes”, explica Cristina.

Ela lembra que desde o dia 10 deste mês, todos os serviços administrativos da universidade voltaram a funcionar presencialmente. Segundo ela, desde então houve um aumento significativo no número de casos de Covid-19 na universidade.

“A partir dessa mudança, ocorreram vários casos de contaminação pela Covid dentro dos ambientes da UFMG e nós podemos citar como exemplo o Coltec, a biblioteca central e a área administrativa do ICB (Instituto de Ciências Biológicas)”, pontua.

‘Avanços e recuos’

Ainda de acordo com Cristina, uma reunião entre os servidores do Sindifes e a reitoria da UFMG será realizada para comunicar a paralisação das atividades. “A nossa greve vai se iniciar no dia 26 de janeiro. Conforme a legislação, temos que fazer o comunicado para a reitoria 72h antes do início da greve”.

Nesa segunda-feira (17), o comitê de enfrentamento à Covid-19 da UFMG disse não considerar mais a possibilidade de um retrocesso nas etapas do plano de retorno às atividades presenciais, mas prevê “movimentos de idas e vindas, avanços e recuos” das flexibilizações nos próximos meses. As afirmações são da coordenadora do comitê, Cristina Alvim (veja aqui).

Em entrevista ao portal da UFMG, a coordenadora revelou um otimismo cauteloso. “Para 2022, as perspectivas são boas no sentido de que aumentaremos nossas defesas contra a pandemia por meio de novas vacinas e medicamentos antivirais”, disse.

Cristina Alvim afirma que a universidade deve decidir como conviver com a Covid-19, sem ignorá-la. Neste mês, a UFMG entra na etapa 3 do “Plano para o retorno presencial”, que prevê a flexibilização das atividades sem limite de teto de ocupação de espaços físicos.

O que diz a UFMG?

Procurada pelo BHAZ, a UFMG detalhou os aspectos que motivaram a retomada das atividades e afirmou que “a presença física nos espaços da universidade está atrelada às medidas essenciais do controle da pandemia”. “A universidade vem se mobilizando tanto para incentivar quanto para prestar todos os esclarecimentos e suportes necessários relacionados à adoção de medidas de proteção individual e coletiva”, diz trecho da nota (leia na íntegra abaixo).

A UFMG disse ainda que não descarta a possibilidade de exigir comprovante de vacinação e ainda reforçou que, para a instituição, é importante que todas as pessoas estejam vacinadas. “O documento pode vir a ser demandado, mas no âmbito de uma ampla política de prevenção e combate à pandemia”, afirma.

“Sabemos que o atual cenário epidemiológico, com os impactos trazidos pela variante ômicron, trouxe muitas dúvidas, e consequentemente, insegurança e medo junto à comunidade. O momento exige muita atenção e cautela, mas também que os votos de confiança na ciência sejam mantidos, continua a nota, que ainda conclui: “Dessa forma, a UFMG reafirma seu compromisso em preservar a vida e sua excelência como universidade pública, gratuita e de qualidade”.

Casos de Covid no Coltec

Até a próxima segunda-feira (23), o Coltec está com as atividades didáticas presenciais suspensas em virtude de casos de Covid-19 na instituição. O comitê local de biossegurança registrou 38 casos suspeitos e 18 confirmados pela infecção entre estudantes e servidores – com apenas seis desses chegando a frequentar a escola (veja aqui).

Em comunicado direcionado à comunidade, o grupo responsável pela biossegurança do Coltec informou que somente seis pessoas infectadas chegaram a frequentar a escola neste início de ano, quando as aulas presenciais foram retomadas. Desse modo, tudo indica que o contágio não ocorreu nas dependências do instituto.

Nota da UFMG na íntegra

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tem, desde agosto de 2020, retomado as atividades acadêmicas presenciais de forma gradual, seguindo as determinações das autoridades sanitárias locais, o plano de retorno e o protocolo de biossegurança aprovados pela Instituição.

No dia 10 de janeiro de 2022, a UFMG avançou para a etapa 3 de seu plano de retorno, que permite o planejamento das atividades acadêmicas e administrativas com ocupação dos espaços físicos da Universidade, sem restrição em relação ao teto máximo de pessoas. Desde o dia 6 de janeiro de 2022, os servidores docentes, técnico-administrativos e profissionais terceirizados da UFMG já haviam se tornado aptos a tomar a dose de reforço da vacina (terceira dose) contra a covid-19, de forma a propiciar um retorno seguro aos vacinados.

A presença física nos espaços da Universidade está atrelada às medidas essenciais de controle da pandemia, como uso obrigatório de máscara, distanciamento mínimo de 1 metro entre as pessoas e cautela para evitar aglomerações. O ensino híbrido emergencial, conforme autorização do Conselho Nacional de Educação, será mantido até o fim do segundo semestre letivo de 2021, que terminará em 25 de fevereiro de 2022. Em 26 de março, será iniciado o primeiro semestre de 2022, com previsão de ser realizado de forma presencial.

A Universidade vem se mobilizando tanto para incentivar quanto para prestar todos os esclarecimentos e suportes necessários relacionados à adoção de medidas de proteção individual e coletiva de sua comunidade, incluindo o processo de imunização. À UFMG interessa que todas as pessoas estejam vacinadas e não que as não vacinadas permaneçam nessa condição, privando-as da convivência e dos espaços acadêmicos. Como instituição de ensino com forte compromisso social, a UFMG está focada no trabalho educativo para o esforço coletivo de imunização, esclarecendo aqueles que ainda têm hesitação em se vacinar e facilitando o acesso de todas as pessoas às vacinas.

Nesse sentido, a UFMG tem buscado esclarecer sobre a segurança e efetividade das vacinas e tem sido parceira da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, inclusive com a instalação de dois postos de vacinação, um no campus saúde e outro no campus Pampulha. Também está sendo negociada com a Prefeitura a possibilidade de instalar postos volantes à medida que houver maior movimentação de pessoas nos campi. Serão definidas, ainda, estratégias educativas e logísticas para estimular a imunização de toda a comunidade, além do acompanhamento que pode ser feito pelo MonitoraCovid UFMG, sistema de monitoramento de casos de covid-19 nos ambientes da Universidade.

A solicitação de comprovante de vacina não está descartada. O documento pode vir a ser demandado, mas no âmbito de uma ampla política de prevenção e combate à pandemia, cujos eixos principais estão descritos acima. Como ressalta a professora Cristina Alvim, coordenadora do Comitê da UFMG de Enfrentamento do Novo Coronavírus, “nossa proposta não é impedir a circulação de pessoas nos campi, muito menos punir os estudantes com cancelamento de matrícula ou algo semelhante. Nossa estratégia baseia-se no tripé acolhimento, busca ativa e orientação para se vacinar”.

Sabemos que o atual cenário epidemiológico, com os impactos trazidos pela variante ômicron, trouxe muitas dúvidas e, consequentemente, insegurança e medo junto à comunidade. O momento exige muita atenção e cautela, mas também que os votos de confiança na ciência, que se mostrou tão fundamental no enfrentamento da pandemia, sejam mantidos e reforçados no atravessamento de mais esse desafio. A UFMG, por meio do Comitê de Enfrentamento do Novo Coronavírus, segue reavaliando continuamente o contexto epidemiológico e assistencial de Minas Gerais, em diálogo permanente com a Secretaria de Saúde de Belo Horizonte e com todos os segmentos da comunidade UFMG – estudantes, servidores técnico-administrativos e professores. Dessa forma, a UFMG reafirma seu compromisso em preservar a vida e sua excelência como Universidade pública, gratuita e de qualidade.

Edição: Giovanna Fávero
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog.

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