TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

‘Sicário’ de Daniel Vorcaro tem morte confirmada pelo advogado de defesa

07/03/2026 às 08h47
A Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais concluiu inquérito sobre a morte de Sicário
(PF/Reprodução)

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’ de Daniel Vorcaro e um dos presos na Operação Compliance Zero, morreu em Belo Horizonte nesta sexta-feira (6). Segundo informações da defesa, o quadro clínico de Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado por volta das 10h15 dessa sexta. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal.

Mourão estava internado no Hospital João XXIII, após atentar contra a própria vida, enquanto se encontrava sob custódia da Superintendência Regional da Polícia Federal em BH. Ele era apontado como um operador de ameaças e intimidações a quem o grupo investigado considerava adversário.

Segundo a PF, ao tomarem conhecimento de que Mourão havia se ferido na quarta-feira (4), policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

A Polícia Federal informou que comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, e que entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.

Um procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato será aberto, segundo a instituição.

Comparsa

Preso novamente nessa quarta-feira (4) por determinação de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro teria proferido uma série de ofensas e ameaças contra ‘desafetos’ em um grupo de WhastApp. No processo, que embasou a decisão do ministro, a Polícia Federal revela que o empresário ordenou que um jornalista, concorrentes empresariais e ex-funcionários fossem intimidados, sempre que a atuação fosse encarada como prejudicial aos negócios do grupo suspeito de fraudes no Banco Master.

Na nova fase da operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga, além dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos, essas ameaças.

O monitoramento dos alvos era feito por integrantes de um grupo denominado “A Turma”, coordenado por Luiz Phillipi Mourão, alvo de um dos mandados de prisão nessa quarta-feira (4). Ele mantinha contato direto com o banqueiro e agia como um prestador de serviços.

Prisão de segurança máxima

O banqueiro mineiro Daniel Vorcaro foi preso, novamente, na quarta-feira (4), na 3ª fase da Operação Compliance Zero. A ação investiga crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos, envolvendo um esquema bilionário de fraudes no Banco Master. As investigações tiveram apoio do Banco Central do Brasil.

A Polícia Federal cumpriu mandados em Minas Gerais e São Paulo. São quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo a PF, também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, “com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”.

As investigações começaram no início de 2024, após requisição do Ministério Público Federal para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

André Mendonça autorizou nessa quinta-feira (5) a transferência de Vorcaro para a Penitenciária Federal de segurança máxima em Brasília. O ministro do STF atendeu o pedido feito pela PF, e a transferência ocorreu nessa sexta-feira (6).

Conforme a PF, há risco à segurança pública com a manutenção do banqueiro no presídio estadual. As investigações apontaram que Vorcaro tem influência e pode influenciar nas investigações sobre as fraudes no Banco Master.

Intimidação e ameaças

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantinha com comparsas uma estrutura voltada à vigilância e intimidação de pessoas vistas como contrárias aos interesses do grupo financeiro, apontou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quarta-feira (4). 

O banqueiro também mantinha interlocução próxima com dois servidores que ocupavam posições estratégicas no Banco Central (BC) e trabalhavam como “uma espécie de empregado/consultor” de Vorcaro, fornecendo informações privilegiadas. 

Os servidores são o ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana. 

Vorcaro foi preso na manhã desta quarta por ordem de Mendonça, que atendeu a pedido feio pela Polícia Federal (PF). A prisão preventiva do banqueiro e de mais três pessoas envolvidas no caso foi a primeira decisão do ministro no caso, após ele ter assumido a relatoria em substituição a Dias Toffoli. 

As investigações indicam que o caso do Master pode representar a maior fraude financeira já praticada no país. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima, por exemplo, que os ressarcimentos a clientes prejudicados devem ultrapassar os R$ 50 bilhões. 

O processo foi parar no Supremo em novembro, após surgirem indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Contudo, até o momento não figuram pessoas com foro no Supremo entre os investigados.

Redação BHAZ

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ