Dirceu de Oliveira, síndico do prédio onde Michelle Leão de Azevedo morava, no bairro Santa Cruz, região Nordeste de BH, revelou nesta terça-feira (21) que tinha uma estratégia para lidar com Eduardo. “Eu buscava tratar ele quase como uma criança. Elogiava ele. Nos dias que eu pedia para baixar o som, ele baixava” revelou.
Ao descrever o convívio entre os dois militares, Dirceu comentou que, apesar quase não perceber “nada de anormal”, a vizinhança relatava discussões do casal. “A gente via que era uma relação muito conturbada”, disse, ressaltando que a voz de Eduardo era mais agressivo verbalmente. “No caso dele era muito grito, desprezava ela demais, a gente ouvia palavras de muito desprezo”, desabafou o síndico.
Segundo o síndico, moradores do prédio chegaram a tentar intervir de forma indireta, mas havia o receio de sofrerem represálias. “Nós já fizemos denúncias anônimas [à Corregedoria]… a gente tinha as mãos atadas porque eles eram autoridades e o perfil dele era mais explosivo também. As pessoas tinham medo de relatar qualquer coisa”, explicou Dirceu. Para evitar confrontos diretos, o síndico contou que tinha uma estratégia para lidar com Eduardo. “Eu buscava tratar ele quase como uma criança. Elogiava ele. Nos dias que eu pedia para baixar o som, ele baixava” revelou.
Reforço na segurança
O síndico também revelou que administração já havia orçado a instalação de novas câmeras e o reforço da segurança por conta dos eventos frequentes no apartamento dela e do marido Eduardo Abner Pereira de Oliveira. Em entrevista ao BHAZ, ele também se emocionou e foi enfático ao classificar a relação dos policiais militares como “muito conturbada”.
Festas frequentes
De acordo com o síndico, a rotina do casal era marcada por festas longas que incomodavam a vizinhança. “Tinha semanas que tinha festa que às vezes durava três dias, 4 dias seguidos… começava às 10 horas da noite de um dia e acabava três dias depois, quatro dias depois, com um som constante de música. Era muito desgastante”, descreveu.
Por isso, ele disse que a administração já estava se movimentando para aumentar a vigilância no local. “A gente já tinha no orçamento equipamentos para alterar, colocar câmeras nos corredores dos apartamentos, de reforçar a nossa segurança justamente por causa dos eventos que estavam sendo feitos”, afirmou o síndico.
Rastros de sangue
Conforme relatou Dirceu, ele descobriu o crime após um morador alertar sobre marcas de sangue pelo prédio. “O vizinho me ligou falando que tinha observado que tinha sangue no corredor. O sangue vinha direcionado da porta do apartamento deles”, relatou o síndico. Ao seguir os vestígios, ele e outros moradores acompanharam o rastro até a garagem.
Depois, desconfiado sobre o que poderia ocorrido, o síndico teve acesso às câmeras de segurança do prédio e percebeu que Michelle havia sido retirada do local já “desfalecida”. “Fui abrir as imagens e percebemos que ele estava carregando ela e ela estava desfalecida. A gente não sabia se estava desmaiada ou se já estava sem vida. Foi um choque pra gente”, contou Dirceu emocionado.
Veja o que se sabe sobre o caso:
A capitã da Polícia Militar, Michelle Leão Azevedo, 41 anos, foi deixada sem vida no Hospital Odilon Behrens, em BH, na noite de segunda-feira (20). A equipe médica constatou que ela já estava morta há cerca de quatro a seis horas antes de dar entrada na unidade. O marido da vítima, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, 37 anos, é o principal suspeito. Ele foi preso em flagrante por feminicídio e também por tráfico de drogas, após ser flagrado descartando comprimidos de ecstasy em uma lixeira do hospital.
Eduardo alega que o casal participou de uma confraternização com amigos regada a álcool e drogas no último de semana. Ele afirma que Michelle caiu de uma escada por volta do meio-dia, mas recusou ajuda médica por “constrangimento”. Disse ainda que praticaram atos sexuais consensuais de dominação com uso de cinto. O boletim de ocorrência descreve lesões traumáticas por todo o corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas e marcas compatíveis com chicotadas. No apartamento do casal, a perícia da Polícia Civil apreendeu um cabo de madeira quebrado e encontrou roupas de cama sendo lavadas, o que pode indicar tentativa de ocultar provas.
Relatos de abuso
A mãe de Michelle relatou que a filha vivia um relacionamento marcado por controle psicológico e humilhações, sendo chamada reiteradamente de “vagabunda” pelo marido. Michelle teria chegado a confessar a familiares que considerava Eduardo uma pessoa narcisista e que ele já havia empunhado uma faca contra ela durante uma discussão.











