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Febre oropouche: Doença parecida com dengue é identificada no RJ; veja o que se sabe

01/03/2024 às 14h16
febre oropouche
Febre Oropouche fez as primeiras vítimas na Bahia (Reprodução/Daniel Romero-Álvarez/ResearchGate)

Um morador do Rio de Janeiro foi diagnosticado com a febre oropouche, que possui sintomas parecidos com os da dengue, nesta quinta-feira (29). Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), é a primeira ocorrência da doença registrada em território fluminense. O paciente, de 42 anos, tem histórico de viagem para o Amazonas.

O diagnóstico foi confirmado por meio de exame laboratorial realizado pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ainda de acordo com a SES-RJ, o homem não precisou ser internado e apresenta boa evolução do quadro clínico.

A febre oropouche é, assim como a dengue, uma arbovirose transmitida por picada de mosquito. Veja o que se sabe sobre a doença.

O que é a febre oropouche?

A febre oropouche é uma doença causada por um arbovírus. O vírus oropochue (Orov) é endêmico da Amazônia e vem registrando surtos no Brasil desde a década de 1970. A infecção pelo oropouche causa sintomas semelhantes aos da dengue, podendo também causar encefalite.

No estado do Amazonas, onde a doença tem sido mais prevalente nos últimos anos, o aumento da transmissão nos dois primeiros meses de 2024 gerou um alerta epidemiológico. São 1.674 casos com confirmação laboratorial, conforme o último boletim epidemiológico, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) nesta quinta-feira (29). O número representa mais do que o total registrado no ano passado, quando a pasta contabilizou 995 ocorrências. 

Os primeiros registros do atual surto de oropouche no Brasil foram feitos em 2022 pelo Laboratório Central de Roraima. Na sequência, vieram registros no Amazonas, em Rondônia e no Acre. Nos últimos 70 anos, pelo menos 30 surtos humanos foram relatados em países latino-americanos (Peru, Colômbia, Guiana Francesa e Panamá).

Como ocorre a transmissão?

A transmissão da febre oropouche não ocorre pela picada do Aedes aegypti e sim de outros mosquitos, sobretudo pelo Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim.

Eles se proliferam principalmente durante períodos de calor em ambientes úmidos, como em áreas próximas a mangues, lagos, brejos e rios. Mas não são restritos a áreas rurais, estando presente em espaços urbanos com disponibilidade de água e matéria orgânica, sobretudo próximo a hortas, jardins e árvores.

Além disso, o Culex quinquefasciatus, uma das espécies popularmente chamada de pernilongo, também pode atuar como vetor.

Veja sintomas da dengue e o que se sabe sobre a vacinação em Minas Gerais

Sintomas e tratamento

Os sintomas da febre oropouche duram geralmente entre dois e sete dias e são semelhantes aos da dengue.

Os sinais incluem febre, dor de cabeça, dor nas costas e nas articulações, podendo ainda ocorrer tontura, dor atrás dos olhos, erupções cutâneas, náuseas e vômitos. Em alguns casos, há também ocorrência de encefalite.

Não existe tratamento específico, mas o paciente deve permanecer em repouso e ter acompanhamento médico. Podem ser prescritos analgésicos e antitérmicos comuns para aliviar os sintomas.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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