O governo federal, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério das Cidades, concluiu um estudo que traça as bases para a expansão do transporte público na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) prevê investimentos de R$ 35,6 bilhões para expansão do metrô e implantação de VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) e BRT (Transporte Rápido por Ônibus) na capital mineira.
O planejamento inclui, por exemplo, a extensão da linha 2, atualmente em fase de obras, até Ibirité, além da construção da linha 3, ligando a Lagoinha ao Belvedere, com ramais para a Savassi e o Morro do Papagaio. Entre os projetos previstos estão a extensão da Linha 1 do Metrô até o bairro Beatriz, em Contagem.
Pelos cálculos do estudo, a capital mineira deve ganhar 32 quilômetros de metrô. Mas não para por aí. O projeto prevê três linhas de (VLT), com 92 quilômetros, e sete corredores de BRT, que totalizam 107 quilômetros.
Também estão contemplados os VLTs entre Eldorado e Betim, Ribeirão das Neves e Lagoinha, além de novos corredores de BRT ligando regiões estratégicas como a Cristiano Machado, a BR-040 e Confins.
De acordo com o estudo, os impactos positivos vão além da mobilidade. Com a execução dos projetos, Belo Horizonte pode reduzir em cerca de 840 o número de mortes no trânsito até 2054, além de evitar a emissão anual de 398 mil toneladas de gás carbônico. A eficiência operacional também deve aumentar, com queda de 19% no custo por viagem, quase o dobro da média nacional, de 11%.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o estudo representa um passo importante para uma política pública nacional de mobilidade sustentável.
“Com o estudo, o BNDES contribui com a produção de uma política pública para a formulação de uma estratégia nacional de mobilidade urbana, de longo prazo e sustentável, unindo esforços da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e brasileiras, com um transporte mais eficaz, menos poluidor e mais seguro”, afirmou.
O ministro das Cidades, Jader Filho, ressaltou o caráter ambiental e social das ações: “Os projetos selecionados mostram que o Brasil está buscando se adaptar às mudanças do clima, com ações que unem sustentabilidade, mobilidade e inclusão social”, disse. “Investir em transporte coletivo limpo é investir nas cidades e nas pessoas, para que os centros urbanos se tornem mais resilientes, com menos poluição e deslocamentos mais rápidos e seguros”.
Além dos ganhos ambientais e de segurança, o ENMU estima que a redução do tempo médio de deslocamento em Belo Horizonte trará um impacto econômico de R$ 15,9 bilhões, reforçando a importância da modernização do transporte coletivo na capital mineira.
Projeções para o país
Em todo país, o estudo concluiu a definição de 187 projetos para ampliar as redes de transporte público coletivo de média e alta capacidade nas 21 maiores regiões metropolitanas (RMs) do país.
Ao todo, são estimados investimentos da ordem de R$ 430 bilhões, sendo R$ 230 bilhões em metrôs, R$ 31 bilhões em trens, até R$ 105 bilhões em veículos leves sobre trilhos (VLT), até R$ 80 bilhões em BRTs e R$ 3,4 bilhões em corredores exclusivos de ônibus. A aceleração desses investimentos dependerá do modelo de financiamento adotado, sendo os investidores privados via concessões e parcerias uma ferramenta relevante.
A implementação de todos os projetos previstos no ENMU resultará na redução estimada de 8 mil mortes em acidentes de trânsito ao até 2054 nas 21 RMs. Evitará ainda a emissão de 3,1 milhões de toneladas de CO2 por ano, equivalentes a uma absorção de carbono de uma área estimada de floresta amazônica de 6.200 km2, equivalente a 5 vezes a área do município do Rio de Janeiro.
Outros benefícios incluem a redução do custo da mobilidade urbana em cerca de 10%, considerando sistemas mais eficientes, e o aumento do acesso da sociedade a empregos, escolas, hospitais e áreas de lazer em menor tempo. Haverá, também, a redução no tempo médio de deslocamentos nas cidades, com um impacto econômico estimado de mais de R$ 200 bilhões.












