‘Igreja não levanta placa para negro e veado’, dispara pastor alvo da PF ao criticar retratação de colega

pastor investigado pela pf
O pastor é investigado pela PF pelo crime de racismo contra judeus (Reprodução/Magé Mirim/Facebook)

Durante um culto ministrado no início do mês, o pastor Tupirani da Hora Lores, chefe da Igreja Pentecostal Geração Jesus, atacou a pregadora Karla Cordeiro, que está sendo investigada por intolerância racial e homofobia. Em sua fala, o religioso se revolta com o pedido de desculpas feito pela mulher, e ofende a ela e sua igreja com insultos machistas, racistas e homofóbicos. O caso aconteceu no bairro do Santo Cristo, na zona portuária do Rio de Janeiro.

“Sabe o que você é, Karla Cordeiro? Você é uma p*ta, uma prostituta, seu pastor deve ser um veado e a sua igreja toda é uma igreja de prostitutas. Vocês não são evangélicos. Malditos sejam vocês, que a garganta de vocês apodreça por terem ousado tocar no nome de Jesus, raça de p*tas e piranhas, é isso que vocês são”, grita o pastor.

Bastante exaltado, o discurso do religioso vai tomando proporções cada vez mais graves. “A igreja de Jesus Cristo não levanta placa de filho da p*ta negro nenhum, não levanta placa de filho da p*ta de político, não levanta placa de filho da p*ta de veado”. Veja o vídeo:

‘Ninguém me detém’

O líder da Igreja Pentecostal já havia sido preso pelo crime de intolerância religiosa, em 2009. Em março deste ano, a Polícia Federal abriu uma investigação contra ele, por um vídeo em que ele incita um “massacre” a judeus. Na pregação deste mês, Tupirani mencionou o caso e chegou até a desafiar os oficiais.

“Manda o delegado vir aqui pedir a minha retratação. Ele não é homem para isso, eu sou vencedor do sistema, ninguém me detém. Eu falo, mando para a p*ta que pariu e continuo mandando. Manda de novo a (Polícia) Federal dentro da minha casa e vai ver se eu cresço ou diminuo, p*rra”, gritou o pastor.

‘Fui infeliz nas palavras’

A pregadora Karla Cordeiro virou alvo de investigação no início deste mês, ao criticar, durante um culto, os fiéis que utilizam as redes sociais para defender causas políticas, raciais e da comunidade LGBTQIA+. O vídeo do discurso, que aconteceu em uma igreja evangélica de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, repercutiu de forma negativa na web (veja aqui).

“Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para! Posta a palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta”, disse Karla Cordeiro, conhecida pelo nome de Kakau. Após a repercussão, a mulher emitiu uma nota de retratação dizendo ter sido “infeliz nas palavras escolhidas”. A Polícia Civil do Rio abriu um inquérito no dia 3 de agosto para investigar o caso.

Edição: Giovanna Fávero
Larissa Reis
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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