Mulher se recusa a usar máscara em voo e é detida em aeroporto

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Passageira precisou ser contida pela tribulação (Reprodução/Redes sociais)

Uma mulher foi detida pela Polícia Federal, na última segunda-feira (14), após se recusar a usar a máscara de proteção contra Covid-19 em um voo da Azul. O avião saiu do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Em nota (veja na íntegra abaixo), a Azul disse que a “cliente indisciplinada” apresentou “comportamento inadequado, hostilizou e tentou agredir fisicamente a tripulação, ameaçando a segurança de voo”. A mulher foi contida e conduzida pela Polícia Federal após o desembarque.

Imagens divulgadas na rede social mostram o momento em que a mulher, sem máscara, coloca o dedo próximo ao rosto de um membro da tripulação e começa a falar perto de seu rosto. Ela levanta os braços e o homem reage e dá um golpe conhecido como mata-leão. O comissário de bordo recebe apoio de outras duas mulheres da tripulação para conter a passageira.

Segundo a Azul, o uso de máscaras pessoais faciais é obrigatório para os clientes e a tribulação durante toda a viagem, exceto para crianças de até 3 anos e pessoas que não possam fazer uso da máscara em razão de condições de saúde ou quaisquer outras deficiências, desde que comprovado. A flexibilização para crianças é ainda menor em caso de voos para os Estados Unidos, que exigem a isenção apenas para crianças com idade até 2 anos, além da questão de saúde.

Nesta semana, porém, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entrou em um dos aviões da Azul, em Vitória, na sexta (11), com cenas de aglomeração registradas em vídeo. Dentro da aeronave da companhia, o presidente foi vaiado por alguns passageiros e apoiado por outros, com gritos de “genocida” e “mito”. Ele tirou a máscara para falar e posar para fotos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou que vai pedir esclarecimentos à empresa pelo episódio.

Mau exemplo

Na postagem, internautas expressaram a sua opinião quanto ao ocorrido. “Meu Deus o que custa usar a máscara? Vai derreter o rosto, cair a mão?”, disse um. “Ótimo! Quer morrer, ok, mas longe de quem quer viver”, apontou outro.

“O presidente fazendo seu papel mais uma vez… Olha os reflexos das asneiras que ele fala!!!”, escreveu uma internauta, em referência a uma afirmação de Jair Bolsonaro (sem partido), na última semana. O presidente disse que mandou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fazer um parecer para desobrigar o uso de máscaras por pessoas que já tiveram Covid-19 e por vacinados.

No dia seguinte ao anúncio, no entanto, o presidente destacou que caberá a seu auxiliar, a prefeitos e a governadores dar a palavra final sobre o assunto. Em resposta ao Bolsonaro, infectologistas explicaram que máscaras contra Covid-19 ainda são necessárias, já que o baixo número de pessoas completamente vacinadas contra a Covid-19 no país (cerca de 11% da população) e a alta taxa de transmissão do vírus, com a média móvel de novos casos da doença acima de 50 mil por dia, não permitem que a população deixe de usar as máscaras neste momento – incluindo os que já receberam algum imunizante ou já foram infectados pelo Sars-CoV-2.

No último sábado, porém, Bolsonaro realizou uma “motociata” por São Paulo, sem máscara. Milhares de motociclistas, muitos também sem a proteção contra Covid-19, compareceram ao evento. No mesmo dia, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, em visita ao Espírito Santo sem o companheiro, utilizou o acessório que previne a contaminação pelo novo coronavírus em um encontro oficial.

Esta semana, o presidente anunciou que poderá vir a Belo Horizonte fazer o passeio de moto com apoiadores, mas o prefeito Alexandre Kalil (PSD) disseque Bolsonaro fará um “grande favor” se não fizer o passeio. O prefeito ainda afirmou que multará o presidente, caso ele venha realizar a “motociata” e não utilizar máscara.

Nota da Azul na íntegra

“A Azul informa que uma Cliente indisciplinada foi desembarcada de uma de suas aeronaves que partiu na segunda-feira (14) do aeroporto de Congonhas com destino ao Santos Dumont, no Rio. A Cliente, em comportamento inadequado, hostilizou e tentou agredir fisicamente a tripulação, ameaçando a segurança de voo. Ela foi contida e conduzida pela Polícia Federal após o desembarque”.

Edição: Vitor Fernandes

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