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Chico Felitti revela o que esperar do podcast ‘A Síndica’ sobre o Edifício JK em entrevista ao BHAZ

06/05/2026 às 16h36
podcast síndica Edifício JK
Conjunto JK, uma construção emblemática e histórica de Belo Horizonte (Amanda Serrano/Reprodução)

Lançado nesta quarta-feira (6), o podcast “A Síndica”, do jornalista Chico Felitti, mergulha na história de Maria Lima das Graças, mulher que comandou por mais de quatro décadas o icônico Edifício JK, no Centro de Belo Horizonte. Dividida em cinco episódios semanais, a produção promete explorar o universo complexo e controverso de uma das figuras mais marcantes da cidade.

O BHAZ conversou com o jornalista e idealizador do podcast Chico Felliti. Ele contou que a investigação começou anos atrás, quando, entre uma viagem e outra para a capital mineira, começou a ouvir relatos sobre movimentações curiosas e regras incomuns dentro do condomínio. O início da apuração de fato começou apenas em 2024, e foi marcado por medo da repressão.

O jornalista conta que moradores relataram receio em falar, dizendo que os funcionários da ‘Doutora Graça’, forma como a síndica gostava de ser chamada, poderiam descobrir. “A primeira reunião foi escondida… as pessoas praticamente de capote”, lembrou. O movimento só fluiu de verdade em 2025, quando a síndica deu alguns passos para trás e, posteriormente, deixou de vez o cargo.

Mais do que reconstituir fatos, o podcast tece o perfil de uma liderança longa e polarizadora através do olhar de quem mora lá, pessoas que viveram, conviveram com a Doutora Graça. Amada e odiada nas mesmas proporções, ela é vista quase que como uma figura política. “É um perfil sobre uma estadista, uma grande política brasileira”, disse Chico.

Ao mesmo tempo, ele destaca a solidão do poder: “Quem tá muito em cima, o ar é rarefeito”. A gestão da ‘Doutora Graça’ divide opiniões até hoje: enquanto alguns enxergam como uma verdadeira vilã de novela, outros a veem como responsável por manter o edifício de pé.

De qualquer forma, é impossível de separar a imagem dos dois após os 42 anos que Graça ficou no comando do Edifício JK. Projetado por Oscar Niemeyer, o prédio é descrito como um símbolo ambíguo da capital mineira: ao mesmo tempo grandioso e cercado por histórias tensas. “Ele se impõe ali, é uma mamute de concreto no centro da cidade”, afirmou Felitti. “É um microcosmo do mundo, um bonsai de sociedade.”

Apesar do tom quase de mistério que constrói o podcast, típica das produções dele, o jornalista reforça o compromisso com a apuração rigorosa. Segundo ele, todas as informações foram verificadas, com o cuidado de separar fatos de boatos, especialmente em torno de episódios mais graves, como o candidato a síndico que foi morto a tiros em frente ao prédio.

A apuração teria tomado as suas devidas precauções, conferindo documentos e acessando o processo. “Dra. Graça não tem nada a ver com isso, mas essa lenda meio que colou no JK”, disse, ao comentar histórias que circulam sobre o prédio. “Não é nosso papel empurrar conclusão nenhuma. A gente apresenta a história e a pessoa vai deglutir.”

A morte de Maria Lima, em março de 2026, acabou alterando os rumos da produção, que já estava finalizada. A equipe precisou retomar a apuração para incorporar o novo contexto à narrativa. “A gente para tudo, volta para Belo Horizonte e incorpora essa morte no podcast”, contou.

Mesmo assim, o clima de mistério permanece, já que uma parte dos moradores acreditam piamente que ela não morreu, apenas está escondida. “Mesmo depois da morte, ela não deixa Belo Horizonte.”, brincou Chico.

Entre relatos, memórias e disputas, “A Síndica” vai além de um podcast sobre um prédio, ou sua síndica, mas se torna uma crônica viva da cidade, e essa história e seus desdobramentos não acabam aqui. O primeiro episódio completo você pode escutar pelo Spotify:

Raul Costa

Graduando em Jornalismo pela UFMG e estagiário no BHAZ. Gosto jornalismo cultural, cultura pop e tudo que envolve contar boas histórias.

Raul Costa

Email: [email protected]

Estagiário do BHAZ

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