O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) divulgou, nesta quinta-feira (23), que está em busca de doares de fezes. De acordo com a instituição, o material será utilizado para transplante de microbiota fecal e, consequentemente, combater infecções intestinais graves.
Segundo o hospital, podem se candidatar homens e mulheres com boa saúde e idade entre 18 a 50 anos. Os voluntários serão entrevistados por telefone e, posteriormente, passarão por exames físico e laboratorial. Para doar, é necessário demonstrar interesse pelo e-mail [email protected].
Veja também
”A seleção do doador começa com um questionário simples. A partir dessas informações, a gente faz uma anamnese estruturada com várias perguntas para que, em um segundo momento, o voluntário faça exames de rotina. Uma vez aprovado nessas primeiras etapas, ele é submetido a exames específicos, inclusive exames de fezes bastante minuciosos, para que possa acontecer a doação sem riscos para o receptor”, explicou o coordenador do Centro de Transplante Fecal do HC-UFMG, o gastroenterologista Eduardo Menezes.
Após a doação, o material é preparado e processado, sendo armazenado em um ultrafreezer (-80°C), garantindo a viabilidade a longo prazo. O transplante é feito com a infusão de uma solução contendo parte do substrato fecal por meio de uma colonoscopia convencional. Conforme o hospital, a recuperação é rápida.
Transplante de fezes
De acordo com a instituição, o transplante de fezes é indicado em casos de refratariedade ou recorrência da infecção pela Clostridioides difficile. A bactéria causa infecções no cólon e pode provocar de diarreia leve a inflamações graves.
Desde 2017, o tratamento é oferecido pelo Centro de Transplante Fecal do HC-UFMG, o único do Brasil especializado nesse tipo de procedimento. Até o momento, cerca de 20 pacientes já receberam o transplante de fezes. Conforme a instituição, a taxa de sucesso é estimada em 90%.
Além disso, o procedimento faz parte de uma pesquisa que busca entender a microbiota intestinal dos brasileiros. De acordo com o estudo, as fezes dos brasileiros têm 30% a mais de firmicutes se comparada com as dos norte-americanos. Esse tipo de bactéria é boa para o organismo e faz parte da microbiota intestinal, protegendo contra infecções por Clostridium difficile e doenças como a retocolite e a doença de Crohn.













