A Mega-Sena sorteia nesta quarta-feira (28) o concurso 3077, com prêmio estimado em R$ 320 milhões. Ninguém acertou as seis dezenas no sorteio dessa terça (27), e o valor acumulou mais uma vez. Com isso, a bolada passou a ser maior que o custo de apostar em todas as combinações possíveis da loteria.
O sorteio desta quarta faz parte da Mega Semana, programação especial da Caixa com concursos todos os dias até sexta-feira (30). As apostas podem ser feitas até as 20h, e os sorteios acontecem às 21h, no horário de Brasília. Se o prêmio voltar a acumular, o valor sobe ainda mais para quinta e sexta.
O investimento necessário
O volante da Mega-Sena tem 60 números, e seis são sorteados. Isso resulta em 50.063.860 combinações diferentes. Como cada jogo simples custa R$ 6, apostar em todas elas exigiria R$ 300.383.160.
Não há como baratear a operação. Nas apostas com mais números, a Caixa cobra o mesmo valor por combinação. Um jogo com sete dezenas, por exemplo, custa R$ 42 porque equivale a sete apostas simples. A aposta máxima, de 20 números, cobre 38.760 combinações e custa R$ 232.560, ou seja, os mesmos R$ 6 por combinação. Bolões seguem a mesma lógica.
A diferença entre o prêmio e o investimento é de cerca de R$ 19,6 milhões, uma margem de 6,5%. O valor anunciado pela Caixa já é líquido, pois os 30% de Imposto de Renda sobre prêmios de loteria são retidos na fonte. Ou seja, quem ganhasse sozinho receberia os R$ 320 milhões inteiros.
A operação também garantiria todos os prêmios secundários. Com as seis dezenas sorteadas, o apostador teria 324 bilhetes com cinco acertos e 21.465 com quatro. Como esses prêmios são divididos entre todos os ganhadores, os próprios bilhetes do apostador reduziriam o valor de cada cota. Ainda assim, quina e quadra acrescentariam alguns milhões de reais ao total.
Com as seis dezenas sorteadas, o apostador também teria 324 bilhetes com cinco acertos e 21.465 com quatro. Pelos valores pagos no concurso de terça-feira (27), quando a quina rendeu R$ 58.086,17 por aposta e a quadra, R$ 869,30, esses bilhetes somariam cerca de R$ 18,8 milhões na quina e R$ 18,7 milhões na quadra, um total aproximado de R$ 37,5 milhões. O valor real, porém, seria diferente. Como os prêmios secundários são divididos entre todos os ganhadores, a enorme quantidade de bilhetes premiados do próprio apostador reduziria o valor de cada cota. Por outro lado, o dinheiro investido aumentaria a arrecadação do concurso e, com ela, o total destinado a essas faixas.
O risco de dividir
A conta só fecha se ninguém mais acertar as seis dezenas. E prêmios desse tamanho atraem uma enxurrada de apostas.
No concurso 3.074, sorteado no sábado (24), a arrecadação foi de R$ 173,1 milhões, o equivalente a cerca de 28,8 milhões de combinações. Em uma estimativa simplificada, com um volume de apostas parecido, a chance de pelo menos outro apostador também acertar a sena ficaria em torno de 44%.
Se houver um segundo ganhador, cada um leva R$ 160 milhões. Nesse cenário, quem gastou R$ 300,4 milhões teria prejuízo de cerca de R$ 140 milhões, mesmo somando os prêmios menores. Com três ganhadores, a perda passaria de R$ 190 milhões.
Considerando todas as possibilidades de divisão, o valor médio que o apostador receberia pela sena ficaria em torno de R$ 243 milhões, bem abaixo do investimento. Foi o que aconteceu em maio, no concurso especial de 30 anos da Mega-Sena, quando o prêmio de R$ 336 milhões foi dividido entre duas apostas.
Uma operação quase impossível
Mesmo ignorando o risco, a logística é um obstáculo enorme. Com sorteios diários durante a Mega Semana, há uma janela de cerca de um dia entre um concurso e outro. Para registrar 50 milhões de jogos nesse intervalo, seria preciso fazer cerca de 580 apostas por segundo, sem parar, durante 24 horas.
Além disso, o apostador precisaria ter mais de R$ 300 milhões disponíveis de uma vez. E só uma parte do que é apostado vira prêmio. Cerca de 43% da arrecadação da Mega-Sena forma o prêmio bruto, distribuído entre as três faixas. O restante vai para repasses sociais, custeio da operação e remuneração das lotéricas.
E para quem joga normalmente?
A chance de acertar as seis dezenas com um jogo simples é de 1 em 50.063.860. Com sete números, sobe para 1 em 7,15 milhões. Com a aposta máxima, de 20 dezenas, chega a 1 em 1.292.







