O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte Dom Walmor Oliveira de Azevedo, usou as redes sociais nessa quinta-feira (5) para condenar a autorização para a atividade mineradora na Serra do Curral. Presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), ele avaliou que a medida vai beneficiar poucos e prejudicar a coletividade. A Tamisa, responsável pelo empreendimento, diz que o projeto não afeta a Serra do Curral e que eventuais impactos ambientais foram identificados e não há riscos (veja abaixo).
Segundo o clérigo, “a autorização para empreendimento minerário na Serra do Curral é grave indicativo de que nova compreensão ambiental precisa inspirar o poder público”, começou. Para ele, a mineração no local representa um risco para o bioma essencial, que considera raro e indispensável para garantir recursos imprescindíveis ao morador da região metropolitana de Belo Horizonte.
Afronta ao equilíbrio natural
Para o arcebispo de Belo Horizonte, a decisão do Copam é “questionável” e causa “estranheza e perplexidade”, surgindo a necessidade de uma reação lúcida. Ele clama por uma nova lógica para o “desenvolvimento integral em favor de todos”, além de tecer críticas à busca constante pelo lucro em detrimento do bem comum.
No relato, o arcebispo menciona que o Copam autorizou a retomada das atividades minerárias também na Serra da Piedade, que junto à Serra do Curral constitui um patrimônio que não pode ser mensurado pelo dinheiro.
“Os sacrifícios impostos a esses grandes dons naturais, em benefício de pequenos grupos, repercutem negativamente na existência de muitos seres vivos, principalmente das pessoas, das populações que habitam nossas cidades”, continuou. Dom Walmor classificou tais sacrifícios um desrespeito do bem comum, uma afronta ao equilíbrio natural e às leis de Deus.
Veja abaixo publicação na íntegra:
Justiça pede explicações
O Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental) aprovou a mineração na Serra do Curral em uma reunião realizada na madrugada do último sábado (30). O CMST, elaborado pela mineradora Tamisa, possibilitará a lavra a céu aberto de minério de ferro no local, além da instalação de uma unidade de tratamento de minerais, pilhas de rejeito e também bacias de contenção de sedimentos.
A área prevista para a instalação do projeto é adjacente à serra do Taquaril e está localizada na divisa dos municípios de Nova Lima, Sabará e Belo Horizonte. Trata-se da propriedade Fazenda Ana da Cruz, em uma área que corresponde a mais de 100 hectares.
Durante a semana, diversas entidades e movimentos sociais se mobilizaram contra a aprovação do CMST. Na visão dos colaboradores da campanha “Tira O Pé Da Minha Serra”, a ação será prejudicial ao meio ambiente em diferentes níveis (veja aqui).
A Justiça concedeu um prazo de 10 dias para que o Governo de Minas e a mineradora Tamisa expliquem o projeto. Nessa quarta-feira (4), o MPF (Ministério Público Federal) também ingressou na ação movida pela PBH (Prefeitura de Belo Horizonte).
Tamisa não vai recuar
Apesar da polêmica, a Tamisa afirma que não vai desistir e instalar a atividade mineradora na Serra do Curral. Em audiência pública na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), nessa quinta (5), a empresa defendeu que os eventuais impactos ao meio ambiente já foram analisados e, portanto, não há riscos.
“Não há o que recuar. O projeto não afeta a Serra do Curral. Todos os impactos ambientais foram identificados num amplo estudo de impacto ambiental que foi feito ao longo de sete anos”, afirmou Leandro Quadros Amorim, consultor da Tamisa.
Segundo a mineradora, a existência de espécies raras também foi mapeada durante os estudos. Para isso, seriam propostas medidas de mitigação, controle e preservação das espécies. “Tudo isso faz parte do processo”, defendeu Amorim.








