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Mariana vai ganhar novo distrito industrial para tentar reduzir a dependência econômica da mineração

05/11/2025 às 10h48
(José Cruz/Agência Brasil)

O município de Mariana, na região Central de Minas Gerais, avançou nos trâmites para reduzir a dependência econômica da mineração. Em outubro deste ano, o Executivo Municipal autorizou o início das obras de um novo distrito industrial, que deve atrair empresas de outros setores para a cidade. A iniciativa ocorre uma década após o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco.

Em entrevista ao BHAZ, o prefeito Juliano Duarte (PSB) afirma que a ação faz parte de um pacote voltado a garantir a estabilidade da receita municipal. Atualmente, a mineração é responsável por cerca de 80% dos ganhos da cidade. De acordo com ele, serão investidos cerca de R$ 15 milhões na construção do parque.

“A intenção é atrair empresas que não estejam diretamente ligadas à mineração, para que possamos promover outras formas de desenvolvimento econômico”, afirma.

Juliano ressalta que o objetivo é reduzir a dependência do setor mineral, responsável por grande parte da movimentação financeira do município. “A mineração pode um dia ir embora, então é importante que a prefeitura tenha outras fontes de receita, com empresas que paguem impostos e garantam sustentabilidade econômica”, diz.

O novo distrito industrial, que deve ser entregue em fevereiro de 2026, contará com 14 lotes variando entre 3 mil e 5 mil metros quadrados destinados à instalação das empresas. A prefeitura está elaborando um edital para seleção dos interessados, e, segundo o prefeito, já existem negociações em andamento, embora os nomes das empresas ainda não possam ser divulgados.

‘Justiça ainda não foi alcançada’

Em conversa com o BHAZ, o prefeito, que comanda o primeiro mandato na gestão municipal, alega que “o município ainda não recebeu sua justa reparação”. Mariana é uma das 23 cidades mineiras que rejeitaram o acordo de reparação pelos danos do desastre de Fundão. Os municípios alegam que 4% dos R$ 170 bilhões pagos pela Samarco serão repassados às cidades afetadas, enquanto a maior parte do valor ficará com os governos federal e estadual.

“Mariana não assinou porque infelizmente a repactuação que aconteceu no Brasil não ouviu as prefeituras. Os prefeitos não foram ouvidos. Mariana é o município mais atingido, que teve 19 pessoas que perderam as vidas e vida não tem preço. Tivemos duas comunidades que sumiram do mapa sua história, sua cultura, sua tradição, sua memória”, pontua.

prazo para adesão do termo, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), terminou em março deste ano. Segundo a Samarco, 26 dos 49 municípios aptos a aceitar o acordo de reparação assinaram a proposta.

De acordo com o chefe do executivo, o acordo ofereceria cerca de R$ 1,2 milhão para a cidade, o que não chega a 1% do valor total estipulado. O montante é considerado desproporcional aos impactos econômicos sofridos após a tragédia, que levou a uma queda de 70% na arrecadação do município.

“Muitas empresas fecharam as portas, muitos comerciantes quebraram, muitas pessoas perderam o emprego. Mariana chegou a um índice de desemprego de de quase que 30% que nunca aconteceu no na sua história”, diz.

Outro problema é o tempo definido para o pagamento: “Demorou nove anos para que o acordo fosse assinado e, depois que o acordo é assinado, os prefeitos vão receber em 20 anos. Então, nós estamos falando de 29 anos para que os prefeitos possam receber de forma integral os valores no Brasil”.

Tragédia de Mariana

O rompimento da barragem de Fundão, controlada pela mineradora Samarco, ocorreu em 5 de novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na região Central de Minas Gerais. O colapso liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro, que destruíram comunidades inteiras, causaram a morte de 19 pessoas e deixaram um rastro de devastação ambiental ao longo do Rio Doce.

O desastre é considerado o maior da história da mineração no Brasil e um dos maiores do mundo. A lama percorreu mais de 600 quilômetros até atingir o Espírito Santo, comprometendo o abastecimento de água, a fauna e a flora da região. Dez anos depois, a reconstrução das comunidades atingidas e a reparação integral dos danos ainda são desafios em andamento.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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