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‘Pedi a Deus para não morrer’, diz mulher que se agarrou a poste e sobreviveu a enxurrada em Ubá

26/02/2026 às 10h52 - Atualizado em 26/02/2026 às 11h12
(Reprodução/Redes sociais)

A mulher que passou três horas agarrada a um poste para não ser arrastada pela enxurrada durante um temporal em Ubá, na Zona da Mata mineira, relatou os momentos de desespero vividos na última segunda-feira (23). Em entrevista emocionante ao programa Encontro, da TV Globo, nesta quinta-feira (26), Edna comentou como foi a luta pela sobrevivência. O marido dela segue desaparecido.

Com hematomas e dores na cabeça, nos braços e na perna, Edna não teve ferimentos graves. Ela contou que dormia quando recebeu a ligação de um vizinho. “Era por volta de 1h e um vizinho me ligou pedindo para olhar a garagem, porque a rua estava inundando.” Em poucos minutos, a água invadiu a casa e começou a atingir os móveis. “Foi subindo muito rápido. É uma rapidez que não tem explicação.”

As imagens de Edna agarrada à um poste viralizaram nas redes e sensibilizaram o país.

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Segundo Edna, as portas travaram com a força da água e a família ficou ilhada. Eles acionaram o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, mas, antes que o socorro chegasse, a situação piorou. “De repente eu escutei um estrondo e a água me derrubou e eu fiquei submersa. Eu não sei nadar. Eu só lembrei de tampar o nariz e pedir a Deus: ‘Não me deixa morrer afogada. Me salva, salva meu filho, meu marido’.”

Edna disse que só percebeu que já estava na rua quando bateu contra um poste. “Eu me agarrei nesse poste. Eu não sabia pra que lado a água estava me carregando. Eu me agarrei nele e consegui ir subindo para tirar a cabeça fora da água.”

Ao lado do filho Bruno durante a entrevista, ela relembrou que conseguiu gritar por ajuda ao vê-lo preso a uma grade. “Quando eu olhei pra frente, vi meu filho agarrado em uma grade. E eu gritava ‘socorro’.” A água continuou subindo e chegou à altura do pescoço, próximo à rede elétrica. “Eu pensei: ‘Se eu não morrer afogada, vou morrer eletrocutada’.”

Edna permaneceu cerca de três horas agarrada ao poste até ser resgatada por um voluntário com a ajuda de uma corda. Já o filho conseguiu alcançar um local seguro a alguns metros dali.

O marido dela está desaparecido.

Mais chuvas

As chuvas devem continuar em Minas Gerais até a próxima sexta-feira (27), sobretudo nas regiões da Zona da Mata e Vale do Rio Doce, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Segundo o meteorologista do Inmet, Lizandro Gemiacki, ao longo da semana Minas Gerais está sob a atuação de uma área de instabilidade associada a um cavado atmosférico.

“É uma região de baixa pressão que atua em diferentes pontos do Sudeste, favorecendo a ocorrência de chuva, tanto aquelas contínuas por algumas horas seguidas quanto pancadas mais intensas no fim da tarde e à noite. Além disso, podem vir acompanhadas de rajadas de vento e trovões”, explicou em entrevista ao BHAZ.

Embora ocorram chuvas em todo o estado, Lizandro ponderou que os maiores acumulados devem ocorrer, principalmente, na Zona da Mata e Vale do Rio Doce. “Estamos com aviso vermelho para essas regiões, pois podem ter acumulados acima de 100 mm em 24h. Então, até sexta, a perspectiva é de grandes volumes de precipitação”, disse o meteorologista.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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