A Justiça Federal atendeu a um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) e suspendeu temporariamente os perfis em redes sociais de uma mulher que se apresentava como advogada e prestava orientações jurídicas incorretas, além de vender consultorias. Segundo a decisão, Gabriella Cipriano dos Santos, de Uberaba (MG), não possui inscrição na OAB para exercer a profissão. A decisão também aponta irregularidades na atuação da mulher, que tinha mais de 600 mil seguidores nas redes sociais.
Ao BHAZ, a advogada Raquel Fernandes, que passou a representar mulheres que afirmam ter sido prejudicadas por Gabriella, conta que o modo de atuação da “falsa advogada” consistia em conquistar a confiança de mulheres em situação de vulnerabilidade por meio de conteúdos nas redes sociais e, depois, oferecer orientações e serviços jurídicos.

Raquel explica que um advogado deve receber o cliente no escritório ou por videoconferência, mas que Gabriella prestava orientações através de aplicativos de mensagens. “Ela cobrava R$ 150 pelo serviço e respondia tudo por mensagem, mas, se a pessoa ficasse com dúvidas, ela cobrava mais R$ 20 por pergunta”, afirma ela.
A advogada estima que, considerando apenas as pessoas que atende atualmente, os prejuízos relatados podem chegar a R$ 100 mil. “Mas, além do crime de exercício irregular da profissão, ela também tem condenação por estelionato, falsidade ideológica, uso de documentos públicos privados e falsas, ameaça, vias de fato, desacato e homofobia”.
Ainda segundo a advogada, Gabriella chegou a cursar Direito até o sétimo período, mas não concluiu a graduação.
Ameaças
Depois que começou a investigar o caso e a representar as supostas vítimas, Raquel afirma que passou a ser ameaçada. Segundo ela, as ameaças teriam partido do irmão de Gabriella e também envolvido seus familiares.
“O irmão dela começou a me ameaçar de morte e a minha família também. Falou que ia pegar meu pai, que ia quebrar as pernas do meu pai e que, se eu fosse a Uberaba, eu podia me despedir da minha família”, conta.
A reportagem entrou em contato com a OAB e aguarda retorno. O BHAZ também tenta contato com Gabriella e o espaço segue aberto para um posicionamento.










